A greve dos profissionais de educação do município de São Paulo teve início no dia 28 de abril com uma assembleia em frente ao gabinete do prefeito Ricardo Nunes (MDB). Com um sol escaldante de outono, centenas de professoras e professores votaram com entusiasmo o início da greve.
Além da reivindicação de aumento salarial, estão incluídas melhores condições de trabalho, as quais vêm se deteriorando ao longo dos últimos anos, como a falta de profissionais em todas as áreas da escola. A política do atual prefeito é privatizar o ensino público contratando profissionais em todas as áreas em vez de promover concurso público.
As condições de trabalho, como salas superlotadas, módulos insuficientes, falta de segurança e falta de infraestrutura das unidades educacionais, têm levado os trabalhadores ao adoecimento. Isso evidencia a urgência de atendimento das reivindicações funcionais e de organização das escolas, como o atendimento à educação especial, implementação de políticas públicas voltadas à saúde mental dos profissionais de educação.
Comandos de base sustentam greve
A categoria enfrenta uma forte batalha não só contra o bolsonarista Ricardo Nunes, mas também contra a burocracia do sindicato, que impede que a base se expresse no caminhão de som. Quando consegue romper essa barreira, é vítima das manobras dos dirigentes da Coordenação das Entidades Sindicais Específicas da Educação Municipal (Coeduc), como na primeira assembleia, que havia votado pela greve, e a direção dessa entidade encaminhou o contrário da decisão da maioria dos trabalhadores.
Os comandos de greve são os verdadeiros pilares de sustentação do movimento. São eles que passam nas escolas para dialogar com a comunidade escolar e têm conseguido adesão e apoio por parte dos pais ao movimento.
São Paulo tem o segundo maior gasto médio por vereador no país segundo levantamento do Ilaese. Em 2024, a Câmara de Vereadores gastou R$ 12 milhões por vereador. Esses mesmos vereadores votaram a proposta de aumento salarial de 3,51% para os trabalhadores da educação, divididos em duas parcelas (2% em maio de 2026 e 1,48% em maio de 2027).
O escárnio desses políticos recebeu a resposta dos educadores: a greve continua, Ricardo Nunes, a culpa é sua. Com esse grito nas ruas, professoras e professores fizeram uma marcha de 7,5 km até o gabinete do prefeito, parando a principal via de circulação do centro da cidade.
É necessário superar as políticas divisionistas das burocracias sindicais e construir uma greve geral da educação no país.