São Paulo está vivendo um aumento das lutas sociais. Professores entram em greve, estudantes ocupam as ruas, trabalhadores do transporte se mobilizam, operários cruzam os braços por direitos e defendem soberania e industrialização, entregadores fazem breque por condições mínimas de trabalho diante de plataformas que lucram bilhões, moradores das periferias denunciam a violência policial e cresce a indignação diante da precarização dos serviços públicos. São lutas que parecem separadas, mas enfrentam o mesmo projeto capitalista, racista anti-popular ao serviço dos poderosos, de Tarcísio e Nunes.
Na USP, na Unicamp e na Unesp, estudantes e trabalhadores enfrentam reitorias que aplicam arrocho, precarização, terceirização, ataques à permanência estudantil, falta de professores e cortes. No calor da vitória histórica dos trabalhadores da USP, a importante greve estudantil da USP, impulsionada pela indignação diante da violência policial na desocupação da reitoria, somada à entrada da Unicamp e da Unesp em greve, abriu a possibilidade de uma grande luta unificada em defesa da educação pública.
Na rede municipal de São Paulo, os professores entraram em greve por tempo indeterminado contra o arrocho salarial de Nunes, a proposta rebaixada da prefeitura, os ataques aos readaptados e o PL que privatiza a educação infantil. A greve dos municipais se soma à luta dos professores estaduais.
Ao mesmo tempo, a privatização mostra sua face mais brutal. A explosão nas obras da Sabesp no Jaguaré, que atingiu dezenas de imóveis e deixou famílias desalojadas, é consequência da política de transformar serviços essenciais em fonte de lucro para acionistas, enquanto a população trabalhadora fica com o risco.
Tarcísio e Nunes aplicam o mesmo projeto em São Paulo: privatizações, repressão, destruição dos serviços públicos, ataque aos servidores, militarização das escolas e violência policial contra o povo pobre e negro das periferias. É o projeto da Sabesp privatizada, da ameaça ao Metrô e à CPTM, da terceirização, da escola subordinada às plataformas e da cidade governada para os empresários do transporte, da especulação imobiliária e das privatizações. São a cara do bolsonarismo em São Paulo.
Por isso, a resposta também precisa ser uma só. É necessário unificar as greves e mobilizações da educação, das universidades, dos servidores, dos metroviários, das periferias, dos povos indígenas, dos trabalhadores precarizados e de todos os setores em luta. Precisamos transformar cada luta justa em parte de um movimento comum contra o projeto privatista, racista e autoritário que governa São Paulo.

A construção da marcha unificada do dia 20 de maio contra Tarcísio pode ser um passo importante para fortalecer a unidade das lutas em São Paulo. Ao mesmo tempo, cresce em todo o país a luta pelo fim da escala 6x1 e pela redução da jornada sem redução salarial, em meio ao aumento do custo de vida, ao endividamento das famílias trabalhadoras e ao achatamento dos salários. Essa pauta expressa a revolta de uma geração marcada pela precarização e pode ajudar a unificar juventude, entregadores, trabalhadores precarizados, operários e o conjunto da classe trabalhadora.
O mesmo sistema que precariza a vida da classe trabalhadora e ataca direitos sociais também criminaliza quem luta e apoia as causas justas dos povos oprimidos. A Flotilha Global Sumud expressa a resistência internacional contra o genocídio em Gaza. No Brasil, a condenação de Zé Maria por defender a Palestina é uma tentativa de criminalizar e intimidar a solidariedade internacionalista. Defender a absolvição de Zé Maria e fortalecer a campanha em apoio ao povo palestino também fazem parte da luta contra o avanço autoritário da extrema direita. Em São Paulo, a moradora e líder da Favela do Moinho, Alessandra Moja Cunha, está presa desde setembro de 2025 em condições deploráveis por lutar contra a especulação imobiliária que vem expulsando trabalhadores pobres das áreas centrais.
Mas essa batalha também passa pelo enfrentamento ao Governo Federal e ao seu projeto político. O PT e seus aliados dizem querer derrotar a extrema direita, mas governam mantendo o arcabouço fiscal, os cortes sociais, o pagamento da dívida pública e os acordos com o Centrão, os banqueiros e os grandes empresários. Essa política não derrota a extrema direita. Ao contrário: mantém e aprofunda as condições de precarização, endividamento, baixos salários e decadência social que alimentam a revolta popular, permitindo que a extrema direita tente se apresentar falsamente como alternativa ao desgaste de um sistema cada vez mais decadente.
O PSOL, ao se integrar cada vez mais ao governo federal e à lógica da governabilidade, também deixa de apresentar uma alternativa independente. No estado, a candidatura de Haddad será apresentada como “voto útil” contra Tarcísio. Mas combater o projeto do Tarcísio ao serviço da classe trabalhadora, exige construir um projeto alternativo de independência de classe.
Governar sem romper com as engrenagens desse sistema significa manter uma estrutura podre em que, da direita à “esquerda”, passando por governos, Congresso e STF, todos se afundam em um mar de lama de corrupção com banqueiros e empresários, como no caso do Banco Master. É essa lógica que alimenta a descrença popular e cria as condições para o crescimento da extrema direita. Para derrotá-la de verdade, não basta administrar o mesmo sistema: é preciso romper com a conciliação de classes, enfrentar o poder dos bancos e das grandes empresas e construir uma alternativa independente da classe trabalhadora. Por outro lado, não há saída para a estagnação econômica sem enfrentar a dependência do país e colocar sob controle dos trabalhadores os setores estratégicos da economia. Não se trata de uma escolha ideológica, mas de uma necessidade objetiva imposta pelo próprio funcionamento do capitalismo contemporâneo.

É por isso que o PSTU apresenta suas pré-candidaturas em São Paulo.
As pré-candidaturas de Vera Lúcia ao governo, Weller e Dr. Eliana ao Senado, junto da pré-candidatura de Hertz Dias à Presidência da República, e as candidaturas proporcionais do PSTU não são projetos pessoais nem apenas eleitorais. São instrumentos para apoiar as lutas, organizar o ativismo e apresentar um programa socialista para São Paulo.
Nossas pré-candidaturas estão enraizadas nas greves, nas escolas, nas universidades, nos locais de trabalho, nos bairros populares, nas lutas contra a violência policial, na defesa do povo palestino, na luta das mulheres, da população negra, LGBT, indígena e quilombola. Uma pré-campanha para dizer que São Paulo não precisa escolher entre a extrema direita de Tarcísio e a conciliação da frente ampla.
Por isso, nosso programa parte das necessidades reais da classe trabalhadora:
- Reversão das privatizações da Sabesp, Metrô, CPTM e serviços públicos, com controle dos trabalhadores e da população;
- Educação 100% pública com permanência estudantil, bandejão, moradia e contratação de professores e funcionários;
- Valorização dos professores e servidores, reajuste salarial e fim da precarização;
- Tarifa zero e transporte 100% público, estatal e de qualidade;
- Fim da escala 6x1! 36h sem redução salarial, de direitos e sem transição;
- Desmilitarização da polícia e fim da guerra racista contra o povo negro e periférico;
- Medidas efetivas contra o feminicídio, o racismo, a LGBTfobia, o capacitismo e toda forma de opressão;
- Moradia popular para quem precisa, chega de especulação. Fim dos despejos;
- Defesa dos povos indígenas, quilombolas, do meio ambiente e dos territórios ameaçados;
- Defesa da indústria nacional, da Avibrás, da Embraer e dos empregos;
- Contra a escravidão moderna dos apps: direitos e taxas justas;
- Orçamento para saúde, educação, moradia e transporte, não para banqueiros. Chega de isenções aos ricos e pagamento da dívida;
- Todo apoio à resistência Palestina contra o genocídio de Israel. Em defesa de Zé Maria e todos os perseguidos por defenderem o povo palestino. Contra o PL de Tabata Amaral (PL 1424/26). Palestina Livre do Rio ao Mar.
- Liberdade para Alê da Favela do Moinho!
Essas medidas exigem enfrentar o poder dos grandes empresários, dos bancos, do agronegócio, das multinacionais e do imperialismo. Não haverá saída real para São Paulo enquanto a riqueza produzida pela classe trabalhadora seguir concentrada nas mãos de uma minoria de ricos. Só os trabalhadores e os setores mais oprimidos e explorados podem construir uma alternativa capaz de transformar essa realidade.
A pré-campanha do PSTU quer ajudar a construir esse caminho: unir as lutas de hoje à construção de uma alternativa socialista, independente dos patrões e dos governos. Uma alternativa para derrotar Tarcísio e Nunes nas ruas, nas greves e também nas eleições, sem depositar confiança na frente ampla nem na conciliação. É hora de construir uma saída capaz de romper com as engrenagens desse sistema capitalista.
Por isso, é necessário construir desde já um calendário unificado de mobilizações: fortalecer a marcha do dia 20 de maio em São Paulo, impulsionar o ato do dia 25 de maio na Paulista e preparar um grande dia nacional de lutas em 27 de maio, com paralisações, manifestações e greves pelo fim da escala 6x1, contra as privatizações e os ataques aos direitos sociais. O PSTU e suas pré-candidaturas estarão nas ruas, a serviço dessas lutas e da construção de uma alternativa socialista para os trabalhadores.
Unificar as lutas para derrotar Tarcísio e Nunes!
Enfrentar a conciliação do governo Lula! Fim do arcabouço fiscal e das PPP's de Lula!
Construir uma alternativa socialista!
Vem com a gente, construir as pré-candidaturas do PSTU.