“O Paraná tem a melhor educação do país”. Será que é isso mesmo? O governador faz muita propaganda dos resultados da educação paranaense utilizando a classificação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). Este índice é calculado pela nota do Sistema de Avaliação da Educação Básica (SAEB), que leva em consideração apenas os componentes curriculares de língua portuguesa e matemática, multiplicada pelo fluxo e pela taxa de aprovação. No entanto, o governo faz muita manobra e assédio aos educadores para chegar à “melhor educação do país”.
Olhando a realidade, observa-se que a educação do Paraná obtém bons resultados nas provas abandonando conteúdos essenciais para a formação dos nossos jovens em cidadãos críticos. Há redução das matérias de Humanas e Sociais e até subtração de conteúdo das Ciências da Natureza e Exatas. Com a supressão desses conteúdos cobrados no ENEM e vestibulares, o governo prejudica nossos estudantes para garantir sua propaganda. Tudo isso apoiado no Novo Ensino Médio feito no governo Bolsonaro e agora avalizado pelo governo Lula, que propôs pequenas mudanças sem enfrentar o real problema.
A coisa não para por aí. Há uma pressão grande sobre os professores para não reprovarem os alunos e esta preocupação não tem nada de pedagógica. É puramente para manter o bom desempenho nos índices. O que o governador não diz é que estamos abaixo das metas estipuladas pelo INEP para o estado do Paraná: para o Ensino Médio obtivemos 4,9 sendo a meta 5,4 e para os anos finais do Ensino Fundamental atingimos a nota de 5,5 quando a meta era 5,6.A “Educação do Futuro” apresentada pelo governo é uma farsa. A realidade é que a maioria das escolas sequer tem uma boa conexão de internet. Muitos professores da rede estadual, para possibilitar o andamento das aulas, acabam roteando sua própria internet aos alunos para realização das atividades ou para fazer a chamada.
Ou seja, o uso das plataformas digitais é um faz de contas. Porém, esse projeto mal-feito tem, por um lado, deslocado centenas de milhões de reais para as empresas das plataformas e, por outro, estabelecido um regime de assédio constante sobre os professores. O governo exige o uso dessas plataformas apenas para gerar números e sem a menor preocupação pedagógica. Infelizmente, esta realidade dos trabalhadores da educação causa adoecimento e chegou ao cúmulo com o falecimento de duas educadoras dentro da escola em 2025.
Assédio e sucateamento
A educação do Paraná passa por um forte sucateamento e isso é unanimidade. O que varia, entretanto, são os caminhos apresentados para garantir qualidade na educação de nossos jovens. O governador Ratinho e a direita tentam nos convencer que a privatização e a militarização são a saída para o problema. O que explica a precarização da educação? Precisamos entender a educação como parte indissociável do contexto geral da sociedade. O Brasil tem passado, nas últimas décadas, por um forte processo de desindustrialização. Isto rebaixou e continua rebaixando ainda mais a localização do país na divisão internacional do trabalho, o que nos coloca em uma posição subalterna, centrada na produção de commodities (grãos, minérios e petróleo), produtos de baixo valor agregado e baixa complexidade voltados para o abastecimento do mercado internacional.
Esta nova localização do país na divisão internacional do trabalho reflete no tipo de postos de trabalho criados, como os trabalhos por aplicativos. As vagas de trabalho estão cada dia mais precárias e menos complexas, enquanto os postos de trabalho de alta complexidade ficam fora do país. Estes fatores aumentam o grau de subordinação do país ao imperialismo, seja ele americano, chinês ou europeu.
Um exemplo de que a produção brasileira está voltada para o abastecimento do mercado externo é o preço do combustível: hoje a Petrobras atende ao interesse de seus acionistas, em grande maioria estrangeiros, vendendo a seu preço em dólar no mercado interno. Ou seja, produzimos combustível aqui, mas quando o consumimos, quando abastecemos nosso veículo no posto, pagamos mais caro do que ele custa para ser produzido, garantindo que a taxa de lucro de uma empresa pública se mantenha em níveis que garantam a remuneração de seus acionistas da mesma forma que o seriam se fosse exportado.
É neste contexto que explica a situação da nossa educação. A destruição do currículo escolar responde a uma necessidade do capitalismo brasileiro: um país que se desindustrializa e vive de exportar matéria-prima não precisa de cientistas, mas de mão de obra barata. A escola da “plataforma” e do “empreendedorismo” serve justamente para submeter a juventude a esse mercado de trabalho precarizado e de baixa qualificação.
Sem entender esses elementos é impossível lutar contra os ataques à educação. Diante desta complexa realidade, não basta dizer que a culpa é de uma câmara de deputados e de um governo estadual reacionários, como faz a APP-Sindicato. Eles são, sim, parte do problema e são quem implementa os interesses da burguesia no estado.
No entanto, Lula faz o mesmo a nível nacional. Por isso, o reformismo leva a políticas completamente insuficientes para resolver o problema. Apresenta como solução que basta a correta administração do Estado por pessoas de “esquerda”. O que é completamente falso porque apenas um programa que enfrente a subordinação do país pode orientar a educação para formação de cidadãos críticos e conscientes. E esse programa passa por reestatizar empresas como a Vale, Petrobras, Eletrobras, Copel, CSN, dentre outras. Colocando sobre o controle do estado o monopólio do comércio exterior e realizar uma reforma agrária ampla para colocar comida barata na mesa dos brasileiros.
Militarização não é a solução!
A verdade é que este mundo tem cada dia menos a oferecer à nossa juventude, que está completamente ciente disso. Não à toa, os dados divulgados pela pesquisa PeNSE (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar), feita pelo IBGE revelam que 18,5% dos adolescentes (quase 1 em cada 5) afirmaram que "a vida não vale a pena ser vivida". Quando olhamos o recorte de gênero, o dado é ainda mais devastador: 25% das meninas (1 em cada 4) compartilham desse sentimento de desesperança.
É natural que nossos jovens olhem para este mundo e sintam desesperança. Que estudar não é garantia de nada e que a escola é apenas mais um espaço de adestramento o que, lamentavelmente, neste sistema, é a mais pura verdade. O processo, que deveria ser incrível, de apropriação de todo o conhecimento produzido coletivamente pela humanidade torna-se algo penoso. É muita cobrança sem garantia nenhuma.
Com 14 anos de idade, ao ingressar no Ensino Médio, os adolescentes são obrigados a escolher a sua área de “aprofundamento”, os itinerários formativos, ou seja, já se exige que decidam qual a sua profissão, que afunilem seu projeto de vida. São crimes contra os jovens, em pleno processo de desenvolvimento, as limitações na formação impostas pelo novo ensino médio
.A lógica do capitalismo impregnada na nossa cabeça é que, esforçando-se, tudo dará certo e se vencerá na vida. No entanto, os dados mostram que mais de 40% dos jovens que conseguem se formar no Brasil não encontram trabalho em sua área, fato que desmascara a ideologia burguesa do mérito individual. O destino que o capitalismo reserva para a juventude formada é a precarização dos aplicativos de entrega, o subemprego no setor de serviços e a frustração coletiva de uma vida sem perspectiva.
São esses fatos que formam a política de sucateamento da educação que sufoca os estudantes e os trabalhadores da educação. Como os governos não podem reconhecer que são seus próprios projetos políticos os responsáveis por essa situação, mascaram os problemas e encontram bodes expiatórios.
Este é o papel da militarização na educação do Paraná. O governo tenta convencer a população de que o problema da educação é um problema de indisciplina dos estudantes e que “militar” seria sinônimo de disciplina. Logo, militarizar as escolas resolveria o problema. O governo tenta vender este projeto como algo completamente inovador, porém não passa de uma proposta falida para beneficiar militares aposentados.
A militarização das escolas implementada por Ratinho consiste em dois ou três policiais aposentados nas escolas para colocar os alunos em fila para entrar na sala de aula e fiscalizar o “padrão tradicional de estética”. O primeiro problema: esses militares não têm formação para cumprir esta função. O governador defende que os professores estariam a cargo do pedagógico e os militares da disciplina.
Bom, é preciso dizer o óbvio ao governador: não é possível fazer esta separação, administrar uma escola é pedagógico do começo ao fim, é impossível tomar qualquer decisão sem levar a pedagogia em consideração. A real motivação deste projeto é atacar o direito básico da gestão democrática e autônoma da escola.
Podemos elencar como segundo problema a própria remuneração desses militares: eles recebem uma gratificação de R$5.500,00 além das suas aposentadorias. E quem trabalha nestas escolas sabe muito bem o pouco que fazem esses militares da reserva. Enquanto isso, os agentes educacionais, que cumprem um papel fundamental nas escolas, amargam salários de R$2.190,00. Ratinho tira dinheiro que deveria ser investido na educação para beneficiar aquele setor parasita nas escolas.
Em terceiro lugar é preciso comentar sobre as manobras realizadas pelo governo para manter os índices dessas escolas. Como estas escolas possuem o “padrão tradicional de estética”, remontando aos tempos da idade média, e pune os “desvios de conduta”, justifica-se a escola expulsar os alunos tidos como “problemáticos” para manter seus índices. Ou seja, esta escola não resolve nada, não passa de uma maquiagem mal feita que incentiva a evasão escolar.
Lembremos de um dos casos de racismo acontecido em uma das escolas que adotou a militarização: o aluno foi impedido de assistir às aulas por conta de seu black-power e o policial aposentado encarregado da disciplina ainda sugeriu que o aluno cortasse seu cabelo para não parecer bandido. Muitos pais, justificadamente, preocupados com a educação de seus filhos, acabam achando a militarização uma boa ideia. Querem uma vida melhor para seus filhos e quando olham para as escolas públicas, veem inúmeros problemas: desde infraestrutura precária, falta de professores até a violência nas escolas.
Ratinho ilude parte de seu eleitorado que tem filhos no ensino estadual com propagandas de investimento na infraestrutura das escolas e com a militarização como resposta ao grave problema da violência nas escolas. No entanto, isso é um problema complexo e parte do problema estrutural dessa sociedade. E essa política do governo leva à exclusão dos setores mais vulneráveis da nossa juventude.
As políticas demagogas e eleitoreiras de Ratinho ignoram o problema estrutural que determina que a educação dos jovens da classe trabalhadora não precisa e não deve ir além do mínimo para que sejam mão de obra barata em um país em desindustrialização. Não consideram a realidade que esses jovens enfrentam e, quando expulsam ou transferem aqueles tidos como problemáticos, promovem a evasão escolar. Para os jovens, o resultado disso é maior vulnerabilidade, menos oportunidades no mercado de trabalho e facilitação para o aliciamento pelo crime organizado.
Portanto, precisamos pensar que tipo de educação queremos? Qual sociedade queremos construir? Queremos uma educação que diminua as desigualdades ou que aumente? Por isso, queremos alertar os pais preocupados com a educação de seus filhos que este projeto do governador Ratinho não contribui em nada para melhorar a qualidade do ensino e é fundamental para manter a estrutura de poder vigente.
Enquanto os filhos dos ricos têm acesso a escolas equipadas e um ensino completo para aprender a mandar, os filhos da classe trabalhadora estudam em escolas sem estrutura com um currículo cada vez mais simplificado para aprender a obedecer e se submeter ao trabalho precário.
Privatizar é roubar o orçamento da educação
Assim como a militarização, a privatização das escolas funciona como uma cortina de fumaça para esconder os reais problemas da educação. É mais uma das soluções apresentada por Ratinho que, além de não resolver o problema, precariza ainda mais a educação. O governo argumenta que separar a administração da parte pedagógica resolve o problema. Como se as dificuldades encontradas na educação fossem apenas administrativas. Ratinho sabe que isso não é verdade, seu real objetivo é encher os bolsos dos empresários da educação.
Na privatização da administração das escolas estaduais, mascaram os indicadores para poder apresentar resultados “positivos” e garantir que as empresas recebam o bônus de R$100,00 por cada aluno garantido pela Lei nº 22.006/2024. Isso joga a preocupação com o aprendizado significativo na lata de lixo e a discussão pedagógica se resume a como inflar as notas e demais estatísticas dos alunos com todos os artifícios possíveis.
O mecanismo da privatização nada mais é do que roubar de forma legalizada. Empresas privadas operam com o objetivo de ter lucro, essa é a lógica do sistema capitalista. Objetivo que, quando abandonado, certamente causa a falência. No capitalismo sempre se espera algo em troca. Então por que alguma empresa iria aceitar estes contratos senão para lucrar? E como pode ser mais barato para o governo contratar uma empresa para contratar pessoas para fazer o trabalho?
Porque é justamente isso que as empresas fazem: contratam pessoas para realizar as tarefas e lucram com isso. Ou seja, se o governo fizesse isso diretamente, tirando o lucro das empresas de cena, o custo com a mão de obra seria menor e maior parcela do orçamento da educação poderia ser investido para melhoria e expansão dos serviços.
A estimativa total de repasses a essas empresas durante a vigência dos contratos de quatro anos é de aproximadamente R$1,3 bilhão. As 95 escolas privatizadas são administradas por três grupos econômicos: SOE (Grupo Impulso/Salta) com 39 escolas, TOM Educação (Consórcio TOM/Positivo) com 38 escolas e Sudeste/APG (Grupo Apogeu/BTG) com 20 escolas. O grupo Impulso/Salta tem como seu maior acionista individual o bilionário Jorge Paulo Lemann, o pilantra que deu um rombo contábil nas lojas Americanas de mais de 40 bilhões de reais.
Estas empresas sugam os recursos que deveriam ser destinados à educação pública. Ou alguém acha que esses grupos econômicos vão administrar essas escolas sem embolsar nada? Vale lembrar que o principal objetivo dessas três empresas é fortalecer seus próprios grupos educacionais. Todos já ouvimos falar na rede de educação Positivo, porém alguém acha que as estruturas das escolas estaduais que eles administram terão o mesmo nível que suas escolas privadas? Que pagarão o mesmo salário aos professores? Ou será que usam e usarão o que lucram com a educação pública para investir em sua rede?
Por outro lado, Ratinho Júnior tenta passar um ar de democracia na implementação desses ataques, possibilitando à comunidade escolar “votar” se irá ou não aderir à militarização e à privatização. No entanto, o governo gasta milhões em propaganda, com suspeita de irregularidades, deixa vazar dados dos pais e impede alunos maiores de 16 anos de votar nas consultas à comunidade escolar.
Os jovens votam para presidente do país mas não podem votar no processo “democrático” de Ratinho. O governo utilizou a máquina do estado para bombardear os pais de mentiras e dificultou de todas as formas possíveis o trabalho do sindicato. Ratinho precisa saber que quando os dois lados não têm a mesma condição de expor suas ideias não existe democracia.
Em resumo, a privatização serve para tirar dinheiro da escola pública e encher os bolsos dos bilionários à custa da precarização dos serviços públicos. Temos que colocar um fim à privatização e acabar com esse roubo legalizado. Para garantir uma escola pública de qualidade e gratuita, recebendo o investimento necessário, precisamos expropriar as grandes redes de ensino privadas e criar um sistema único educacional, colocando todos para estudar na mesma rede.
Valorização dos trabalhadores da educação!
O que a educação do Paraná tem de bom hoje é graças à dedicação de seus trabalhadores, apesar da negligência do governo Ratinho. São dezenas de milhares, dos agentes educacionais aos professores, dando o melhor de si todos os dias e enfrentando todo tipo de adversidades para atender da melhor forma possível nossos alunos. No entanto, não podemos glamourizar este sacrifício. É preciso dizer que os trabalhadores da educação estão adoecendo.
Um compilado divulgado pela União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) aponta que 7 em cada 10 professores no Brasil apresentam sintomas compatíveis com quadros de depressão ou ansiedade. As causas recorrentes apontadas por pesquisadores da área de saúde do trabalhador incluem: sobrecarga de trabalho extraclasse (levar trabalho e correções para casa), ambientes escolares com infraestrutura precária, indisciplina crônica e ausência de programas governamentais robustos e preventivos de suporte psicológico e acolhimento clínico contínuo.
No Paraná, segundo dados da APP- Sindicato, temos uma média de 27 educadores afastados por dia por sofrimento mental. São salas superlotadas, falta de infraestrutura, péssimos salários e assédio moral constante. Não à toa, pesquisas mostram a possibilidade de um apagão de professores nos próximos anos.
Ratinho Jr. tem aplicado um calote aos trabalhadores da educação. As perdas salariais da categoria são de aproximadamente de 50%. Para se ter uma ideia, um professor que trabalha 40 horas no Paraná recebe R$5.130,63, lembrando aqui que nosso estado está em 5° lugar com relação ao PIB nacional. Contudo, se compararmos com o Mato Grosso do Sul, estado que ocupa 15° posição em relação ao PIB, um professor com a mesma carga horária recebe R$13.007,12.
E o problema não é apenas salarial. Um percentual significativo da categoria vive com contratos temporários para um trabalho extremamente precarizado: o tal do Processo Seletivo Simplificado (PSS). Os professores são obrigados a fazer provas periódicas, que incluem até a gravação de uma aula prática, para trabalharem como temporários.
O assédio continua com a pressão exacerbada do governo para que os professores utilizem as plataformas digitais de ensino que sustentam os índices ilusórios tão propagandeados. Existe um aumento de cobrança sem garantir as mínimas condições de trabalho. O governo não respeita sequer a lei da hora atividade e a justiça faz vista grossa: o sindicato já obteve várias decisões favoráveis ao cumprimento da hora atividade sem que nenhuma punição seja aplicada ao estado. Os novos concursados passam por um verdadeiro “estágio purgatório”. Esse foi o apelido dado ao estágio probatório pela categoria que é obrigada a passar por uma "formação". Os novos trabalhadores estão sendo submetidos a uma série de cobranças absurdas, o que os leva a jornadas de trabalho extenuantes para atender às cobranças impostas pela Secretaria de Educação para a realização dessa formação.
Este projeto é de responsabilidade do secretário de educação, Roni Miranda. O mesmo, sempre que pode, se gaba publicamente de ser o idealizador desse projeto assediador. O mesmo, sempre que pode, se gaba publicamente desse projeto assediador.
E ainda temos os trabalhadores terceirizados e precarizados que ocupam os postos de limpeza e segurança nas escolas. Não fogem a regra geral de nossa sociedade que relega a mulheres, negros, LGBTI+ e imigrantes os piores trabalhos.
Trabalhadores sem os quais qualquer escola deixa de funcionar são invisibilizados em seus locais de trabalho que não possuem espaços adequados para se alimentarem e descansarem nos intervalos. São, de modo geral, excluídos das atividades de socialização das escolas e recebem os piores salários.
Os trabalhadores da educação, todos eles, são quem fazem a educação acontecer e sem a sua valorização não é possível alcançar uma educação de qualidade. Cabe ainda destacar que são os filhos da classe trabalhadora que utilizam a educação pública. Ratinho Jr. e sua turma colocam seus filhos nas melhores escolas e por isso não se importam com a educação dos nossos filhos. Eles querem nossos filhos entregando lanche em seus portões, limpando suas mansões e dirigindo seus carros.
Educação pública de qualidade, laica e controlada pelos trabalhadores
Garantir educação pública de qualidade exige romper com a lógica que subordina a formação e o conhecimento às necessidades do mercado. Os grandes grupos empresariais da educação avançam hoje sobre a educação básica. Através de institutos, fundações e movimentos como o Todos Pela Educação, definem as políticas públicas e influenciam as leis que abrem espaço para diversos mecanismos de apropriação das verbas públicas.
Cada vez mais se aprofunda a desigualdade educacional no país: enquanto os filhos dos ricos têm acesso a escolas equipadas e um ensino completo para aprender a mandar, os filhos da classe trabalhadora estudam em escolas sem estrutura com um currículo cada vez mais simplificado para aprender a obedecer e se submeter ao trabalho precário.
Contra o projeto da burguesia para juventude trabalhadora, da militarização e da plataformização que a condiciona para uma realidade de opressão e exploração, as nossas propostas para a educação defendem que a transmissão do conhecimento socialmente acumulado seja voltada à produção social e coletiva nas mãos dos trabalhadores.
Financiamento e Gestão: Nenhuma verba pública para grandes empresários da educação e fim de todas as privatizações e terceirizações na rede de ensino. O investimento na educação pública deve ser massivo.
Currículo e Reformas: Revogação integral do Novo Ensino Médio (NEM) e da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). Propomos que os currículos sejam elaborados pelos trabalhadores da educação, sem a participação de empresas privadas.
Combate ao controle ideológico: Oposição à militarização das escolas e a projetos como o "Escola sem Partido". Defesa de uma formação completa, crítica e científica, combatendo a "plataformização" do ensino.
Educação no campo: Combate ao analfabetismo e valorização dos saberes locais.
Reparação e História: Implementação efetiva da Lei 11.645/2008, garantindo o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena em toda a rede.
Educação sexual: Defesa da educação sexual nas escolas para garantir o direito ao corpo e combater a LGBTfobia e o preconceito.
Fim do trabalho precário: fazer novo concurso para ocupar todas as vagas, com sobra para cobrir possíveis afastamentos.
Estas são medidas urgentes para a valorização da educação, rumo a uma educação de qualidade e gratuita. No entanto, este projeto só pode ser implementado com a participação ativa da população pobre e trabalhadora. Por isso, é fundamental fortalecer a organização dos trabalhadores com independência de classe. Apostar na organização e mobilização dos trabalhadores.