O PSTU lamenta profundamente o falecimento, nesta terça-feira (15), de Maria Amélia de Almeida Teles, a Amelinha, aos 81 anos. Militante comunista, feminista, escritora e incansável lutadora contra a ditadura militar, Amelinha dedicou mais de seis décadas à luta por justiça social, pela memória dos mortos e desaparecidos e pelos direitos das mulheres.
Nascida em Contagem (MG), Amelinha iniciou muito jovem sua militância política. Após o golpe de 1964, passou à clandestinidade e, posteriormente, militou no PCdoB, atuando na imprensa clandestina. Em dezembro de 1972, foi presa pela repressão e levada à Operação Bandeirantes e ao DOI-Codi de São Paulo, onde foi brutalmente torturada. Seu marido, César Augusto Teles, também foi preso, e Amelinha testemunhou o assassinato de seu companheiro de militância Carlos Nicolau Danielli. Seus dois filhos, ainda crianças, foram sequestrados pelos agentes da repressão e levados ao local para assistir à tortura dos pais.
Mas a ditadura não conseguiu silenciá-la.
Depois da prisão, Amelinha transformou a própria experiência de sobrevivente em uma luta permanente contra o esquecimento e a impunidade. Participou da luta pela anistia, da Comissão de Familiares de Mortos e Desaparecidos Políticos e da construção do movimento feminista. Foi uma das militantes ligadas ao Brasil Mulher, jornal que se tornou um marco da imprensa feminista brasileira durante a ditadura.
Sua contribuição ao movimento de mulheres foi especialmente importante porque ajudou a mostrar que a violência sofrida pelas mulheres militantes não era um aspecto secundário da repressão. A ditadura utilizava também as desigualdades e os estereótipos de gênero como instrumentos de tortura, humilhação e controle. Amelinha foi uma das mulheres que romperam o silêncio sobre essa dimensão da violência de Estado e ajudaram a construir uma memória da ditadura que incorporasse a experiência das mulheres.
Sua trajetória também se expressou na construção cotidiana do movimento de mulheres. Na União de Mulheres de São Paulo, no projeto Promotoras Legais Populares e em inúmeras iniciativas de formação e organização, Amelinha ajudou a formar gerações de mulheres para conhecer seus direitos, enfrentar a violência e participar da luta política.
Também teve papel fundamental na luta por memória, verdade e justiça. A família Teles moveu a ação que levou a Justiça brasileira a reconhecer, em 2008, Carlos Alberto Brilhante Ustra como torturador — uma vitória histórica contra a tentativa de apagar os crimes da ditadura. Amelinha nunca tratou essa denúncia como uma questão pessoal: fez dela uma luta contra a impunidade e pelo direito de toda uma sociedade conhecer sua própria história.
Amelinha deixa uma contribuição enorme para todas e todos que lutam contra a exploração, a opressão e o autoritarismo. Sua vida demonstra que a resistência não termina quando cai uma ditadura. É preciso continuar organizando, denunciando, formando e lutando para que as novas gerações não aceitem como natural nenhuma forma de violência, opressão ou injustiça.
Neste momento de dor, o PSTU se solidariza com seus familiares, companheiros e companheiras de militância e com todas as organizações do movimento de mulheres que tiveram em Amelinha uma referência. Sua luta permanece nas mãos de quem continua lutando.
Amelinha Teles, presente!
Ditadura nunca mais!