BA: Morte na BYD expõe riscos no trabalho e exige investigação rigorosa em Camaçari

  • Operário chinês morreu após cair de cerca de 13 metros; no mesmo dia, outro trabalhador sofreu descarga elétrica. MPT abriu investigação. Sindicato denuncia falhas de segurança e cobra providências
PSTU-BA
BA: Morte na BYD expõe riscos no trabalho e exige investigação rigorosa em Camaçari
Operário caiu de uma altura de 13 metros e não resistiu | Foto: Reprodução Redes Sociais

A morte de um trabalhador chinês da construção civil no complexo industrial da BYD, em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, expõe a gravidade dos riscos enfrentados pelos trabalhadores nas instalações da montadora. Na segunda-feira, 19 de outubro, o operário, vinculado à empresa terceirizada Open, morreu após cair de aproximadamente 13 metros de altura durante uma atividade no canteiro de obras. Ele chegou a ser socorrido, mas não resistiu aos ferimentos.

Segundo informações divulgadas pelo Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Camaçari, há suspeitas de falhas nos equipamentos de proteção utilizados pelo trabalhador. De acordo com a entidade, ele estaria trabalhando em altura sem cinto de segurança adequado e utilizando uma corda que possivelmente não estava devidamente ancorada. As circunstâncias do acidente ainda precisam ser esclarecidas.

O caso levou o Ministério Público do Trabalho (MPT) a abrir um inquérito para investigar as condições de segurança e as responsabilidades das empresas envolvidas. O órgão deverá apurar, entre outros aspectos, o fornecimento de equipamentos de proteção individual, o treinamento dos trabalhadores e as medidas de prevenção adotadas no local.

Dois acidentes no mesmo dia

A gravidade da situação aumenta diante de outro acidente registrado no complexo industrial da BYD na mesma segunda-feira. Um trabalhador sofreu uma descarga elétrica na área de baterias da fábrica e precisou de atendimento médico de urgência.

As duas ocorrências no mesmo dia levantam questionamentos sobre as condições de segurança nas instalações da empresa. É indispensável apurar se os procedimentos de prevenção estão sendo cumpridos e se os trabalhadores estão expostos a riscos que poderiam ser evitados.

O Sindicato dos Metalúrgicos de Camaçari também denuncia possíveis irregularidades no funcionamento de áreas ainda em construção. Segundo informações repassadas à entidade, o Galpão 9, também chamado de Fábrica 9, estaria sendo utilizado para atividades logísticas apesar de as obras ainda estarem em andamento. A denúncia precisa ser apurada, assim como as condições de circulação e trabalho nesses espaços.

A vida dos trabalhadores não pode valer menos que o lucro

Para o PSTU, acidentes como esses não podem ser tratados como fatalidades inevitáveis. É preciso investigar as responsabilidades concretas, garantir condições seguras de trabalho e responsabilizar quem tiver descumprido suas obrigações. A prevenção deve estar acima de qualquer meta de produção, cronograma de obras ou interesse empresarial.

Em uma sociedade organizada para atender aos interesses dos patrões, a pressão por produtividade e a busca por redução de custos podem colocar a segurança dos trabalhadores em segundo plano.

A expansão industrial e a geração de empregos não podem servir de justificativa para aceitar condições inseguras. Desenvolvimento de verdade não pode ser medido apenas pelo tamanho das fábricas, pelos investimentos anunciados ou pela quantidade de veículos produzidos. Deve considerar, antes de tudo, a vida, a saúde e os direitos de quem constrói e mantém a produção funcionando.

Cobramos uma investigação rigorosa e medidas para impedir novos acidentes. É necessário garantir transparência, ouvir os trabalhadores e os representantes da segurança do trabalho, fiscalizar as instalações e suspender atividades que apresentem risco grave e iminente, até que as condições de segurança sejam asseguradas.

Solidariedade de classe não tem fronteiras

O trabalhador que morreu era chinês, mas isso não diminui a dor de sua perda nem a responsabilidade de apurar o que aconteceu. Era um trabalhador que saiu de casa para ganhar a vida e não voltou. Sua família, seus amigos e seus colegas merecem respeito, solidariedade e respostas.

A classe trabalhadora não tem nacionalidade quando se trata de defender a vida e os direitos de quem vive do próprio trabalho. Brasileiros e chineses, efetivos e terceirizados, operários da construção civil e metalúrgicos enfrentam problemas que exigem união e organização coletiva.

O PSTU se solidariza com a família e os colegas do trabalhador morto e com o profissional ferido no acidente elétrico. Defendemos a investigação rigorosa dos dois casos, a apuração das responsabilidades e a adoção de medidas concretas para proteger todos os trabalhadores do complexo industrial.

— Nenhuma meta de produção justifica uma morte!
— Nenhum trabalhador pode ser tratado como descartável. A vida vale mais que o lucro!

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