As greves nacionais dos trabalhadores da Caixa Econômica Federal e dos Correios chegam a quase duas semanas de duração e se consolidam como as mais importantes mobilizações da classe trabalhadora brasileira neste momento. Iniciadas em 10 de setembro, as paralisações expressam a insatisfação acumulada diante dos ataques aos direitos, da precarização das condições de trabalho e da tentativa de transferir para os trabalhadores os custos da crise das empresas públicas.
Embora pertençam a categorias diferentes, as duas greves possuem um eixo comum. Tanto bancários da Caixa quanto ecetistas estão enfrentando ataques aos seus planos de saúde, uma das principais conquistas históricas dessas categorias. Nos Correios, os trabalhadores denunciam medidas que podem reduzir a participação da empresa no custeio do benefício. Na Caixa, a categoria se mobiliza contra mudanças no Saúde Caixa, que ampliam os custos para trabalhadores, aposentados e seus dependentes.
A força das mobilizações obrigou as direções das empresas a apresentar propostas e negociar. No entanto, as categorias avaliaram que as ofertas permanecem insuficientes. Na última segunda-feira (21), os bancários da Caixa rejeitaram a proposta apresentada pela direção do banco e decidiram manter a greve por tempo indeterminado. Em várias capitais, a rejeição foi expressiva, demonstrando que a base segue disposta a lutar.
Nos Correios, além da intransigência da direção da empresa, os trabalhadores enfrentam a tentativa de judicialização do movimento. O julgamento do dissídio coletivo no Tribunal Superior do Trabalho (TST) foi adiado e a orientação das entidades sindicais é pela continuidade da greve. A categoria também reivindica a defesa do acordo coletivo, a manutenção do plano de saúde, o fim do fechamento de unidades, a suspensão dos processos de reestruturação e das medidas que retiram direitos.
As duas greves enfrentam o mesmo problema: a política aplicada pelo governo Lula e pelas direções das empresas estatais, que buscam reduzir custos às custas dos trabalhadores. A unificação das mobilizações é o caminho para aumentar a pressão e fortalecer a luta em defesa dos direitos.
A experiência histórica do movimento operário demonstra que as maiores conquistas dos trabalhadores foram arrancadas por meio da organização e da mobilização coletiva. Por isso, a principal tarefa neste momento é ampliar a solidariedade às greves, fortalecer os comandos de mobilização e construir a unidade entre as categorias em luta.
As paralisações da Caixa e dos Correios ocorrem em um contexto de crescente insatisfação com a perda de direitos, o aumento do custo de vida e a deterioração das condições de trabalho. Ultrapassam as reivindicações corporativas e assumem um significado mais amplo para toda a classe trabalhadora. Cada avanço conquistado por bancários e ecetistas fortalece o conjunto dos trabalhadores e demonstra que somente a luta organizada pode enfrentar os ataques promovidos pelos governos e pelas direções das empresas.
É fundamental cercar essas greves de solidariedade ativa. A defesa dos planos de saúde, dos acordos coletivos, dos empregos e das empresas públicas interessa não apenas aos trabalhadores diretamente envolvidos, mas a todos que defendem serviços públicos de qualidade e direitos para a classe trabalhadora.
Todo apoio à greve dos trabalhadores da Caixa Econômica Federal e dos Correios. A unidade e a mobilização são o caminho para derrotar os ataques e conquistar vitórias.