Amapá: quem trabalha tem que receber! Todo apoio à greve dos rodoviários da Nova Macapá

  • Descumprimento de acordo e benefícios atrasados expõem a crise do transporte. Prefeitura precisa responder, e a saída é a municipalização sob controle dos trabalhadores e da população
Amapá: quem trabalha tem que receber! Todo apoio à greve dos rodoviários da Nova Macapá
Greve teve início no último dia 15 | Foto: PSTU Macapá

Os trabalhadores da empresa Nova Macapá estão em luta pelo mais básico: receber pelo trabalho realizado. Após a paralisação de 8 de outubro e a assinatura de um acordo para quitar as pendências, a categoria retomou a greve no último dia 15, diante do descumprimento dos compromissos assumidos. A empresa pagou apenas os salários de setembro, mas deixou benefícios e valores retroativos pendentes.

A reivindicação dos rodoviários é mais do que justa. Salário e vale-alimentação são direitos fundamentais para o sustento dos trabalhadores e de suas famílias. Seu pagamento não pode depender da “boa vontade” dos empresários. No caso dos rodoviários da Nova Macapá, somam-se a isso as condições precárias de trabalho.

É inaceitável cobrar normalidade no transporte sem garantir o pagamento de quem faz os ônibus circularem. Quem trabalha tem que receber! A solução exige enfrentar o descumprimento das obrigações e respeitar a organização e a luta dos rodoviários.

Em 19 de outubro, os trabalhadores rejeitaram uma nova proposta que condicionava o pagamento dos benefícios atrasados, previsto para o dia 27, a outro repasse da prefeitura. A categoria tem razão em exigir garantias concretas. Nenhuma família consegue colocar comida na mesa com uma promessa de pagamento.

A verdade é que entra governo, sai governo, e quem sustenta o transporte da cidade continua obrigado a lutar para garantir o próprio sustento. Nem Da Lua, nem Furlan, nem Clécio — tampouco aqueles que vieram antes — assumiram o compromisso de garantir um transporte público de qualidade para a cidade e para os trabalhadores rodoviários.

O caos que vivemos é resultado da atuação conjunta das empresas, que exploram o serviço público de forma parasitária, e dos governos, que agem em conivência ou se calam diante da situação do transporte coletivo em Macapá. O resultado está nas horas de espera, no acúmulo de funções após a demissão dos cobradores, na frota antiga e precária, nos terminais insalubres e nas linhas insuficientes, que mal atendem aos principais bairros da cidade.

Greve é organizada pelo Sindicato dos Rodoviários de Macapá, filiado à CSP-Conlutas

A CTMac afirma que realizou repasses e notificou a empresa para regularizar os pagamentos. A Nova Macapá, por sua vez, sustenta que os recursos recebidos são insuficientes. Esse jogo de responsabilidades precisa acabar! Trabalhadores e passageiros não podem continuar pagando pela disputa entre a administração municipal e a operadora.

O pagamento das dívidas não pode mais esperar: é preciso quitar integralmente as pendências, cumprir os acordos e garantir condições dignas de trabalho. A Nova Macapá deve cumprir suas obrigações com os trabalhadores, e a prefeitura precisa responder politicamente pela crise de um serviço essencial à população.

A prefeitura deve apresentar publicamente os valores devidos e repassados, os compromissos assumidos e as providências concretas para resolver a situação. Anunciar notificações não basta enquanto os direitos dos trabalhadores seguem pendentes e a população enfrenta dificuldades para se deslocar.

Municipalizar, com controle dos trabalhadores e usuários

A crise reforça a necessidade de mudar o modelo de transporte em Macapá. O PSTU defende a municipalização do transporte público, com operação por uma empresa pública e controle democrático dos trabalhadores e da população.

Isso significa garantir a participação efetiva de quem trabalha e de quem utiliza o serviço nas decisões sobre linhas, horários, condições de trabalho, investimentos e fiscalização das contas. O transporte deve ser organizado para atender às necessidades da população, com recursos destinados à qualidade do serviço e à valorização de seus funcionários.

Defendemos transparência integral nas contas do sistema, planejamento público, manutenção adequada da frota e garantia dos direitos trabalhistas. A municipalização precisa assegurar os empregos e impedir que os custos dessa mudança sejam descarregados sobre os rodoviários.

Por fim, convocamos os sindicatos a oferecerem total solidariedade à luta dos rodoviários da Nova Macapá. Estendemos esse chamado ao movimento estudantil organizado e às organizações comunitárias. Rodoviários e passageiros compartilham o mesmo interesse: um transporte digno, seguro e acessível.

Todo apoio à greve!

Pelo pagamento integral das pendências, pelo cumprimento dos acordos e contra qualquer retaliação aos trabalhadores! Pela municipalização do transporte, sob o controle de quem trabalha e de quem utiliza o serviço, rumo à tarifa zero!

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