Jorge Breogan, operário do livro da Editora Sundermann e Coordenador do Coletivo de Artistas Socialistas (CAS)
Nos deixou nesta sexta-feira, 15, com 75 anos, Vladimir Sacchetta. Filho do lendário dirigente comunista Hermínio Sachetta, cresceu cercado de intelectuais, jornalistas e escritores, o que o motivou desde muito jovem para o mundo da leitura. Formado em Direito nas Arcadas de São Francisco (SP), dedicou sua vida para garantir que a história das esquerdas brasileiras não fosse escrita pela ótica dos vencedores, mas sim por aqueles que enfrentaram a ditadura e o capital.
Como pesquisador manteve a chama viva do trotskismo brasileiro, e transformou a perseguição política em luta permanente pela preservação documental. Pois, entendia que a militância na memória é uma forma de resistência tão importante quanto as ações diretas nas ruas. E, como dizia, “organizar um arquivo não era uma tarefa burocrática, mas um ato político de 'desocultamento' das estruturas do poder".
Entre vários trabalhos publicados e ganhador de prêmios literários no país, destacamos sua militância técnica e política no projeto “Brasil: Nunca Mais”. Entregou não apenas um relatório, mas uma peça de acusação histórica contra o sistema da época.
No livro, Os cartazes desta história, destacou: “o passado e o presente (e porque não dizer o futuro) da vida de um povo podem ser encontrados nos mais variados tipos de documentos. Um deles aparentemente efêmero, destaca-se por fazer circular ideias e causas, resistências e combates, através de uma manifestação particular no design gráfico: o cartaz político.”
Manteve-se fiel à perspectiva de classe, fazendo jus ao nome que usava do líder da Revolução Russa.