A explosão ocorrida nesta segunda-feira (11), no Jaguaré, zona oeste de São Paulo, não foi uma “fatalidade”. Foi mais uma consequência direta da política de privatização e precarização da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) levada adiante pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) para beneficiar empresários e acionistas às custas da vida do povo trabalhador.
Durante uma obra da Sabesp, uma tubulação de gás foi atingida, provocando uma explosão que destruiu dezenas de casas, deixou mortos e feridos e obrigou famílias inteiras a abandonarem suas casas. Segundo informações divulgadas pelos bombeiros e pela própria empresa, a obra de remanejamento da rede de água perfurou uma tubulação de gás, causando o vazamento e a explosão.
O impacto foi devastador. Mais de 35 imóveis foram atingidos, centenas de pessoas ficaram desalojadas e trabalhadores perderam tudo em poucos segundos. Enquanto isso, a Sabesp e o governo anunciam uma ajuda emergencial irrisória de R$ 2 mil para famílias que tiveram suas casas destruídas.
Privatiza que melhora?
Esse crime social é mais um dos efeitos da privatização da Sabesp, vendida por Tarcísio como uma solução “moderna” para melhorar os serviços. A realidade mostra exatamente o contrário: aumentam os lucros dos acionistas enquanto cresce a precarização do trabalho, a redução do quadro de funcionários, a terceirização e o sucateamento do serviço.
As reclamações contra a Sabesp quase triplicaram nos últimos dois anos na Grande São Paulo, segundo levantamento recente. A população sofre com falta d’água, demora nos reparos, vazamentos e piora geral no atendimento. Ao mesmo tempo, a empresa comemora aumento dos lucros para seus novos donos privados.
Não é um caso isolado. No início de 2025 o litoral paulista sofreu com um grave vazamento de esgoto que contribuiu para o surto de virose que atingiu milhares de pessoas no Guarujá e em outras cidades da Baixada Santista. Mais uma vez, a população pagou o preço da lógica do lucro aplicada ao saneamento básico. Enquanto falta investimento em manutenção e prevenção, sobra dinheiro para dividendos e benefícios aos grandes empresários.

Privatizar o saneamento é lucro para empresários e serviço precário para a população
A privatização do saneamento significa exatamente isso: transformar um serviço essencial à vida em fonte de lucro para bilionários.
Para aumentar os ganhos dos acionistas, cortam trabalhadores experientes, reduzem equipes, ampliam terceirizações e aceleram obras sem as condições adequadas de segurança. O resultado são acidentes, mortes, contaminação e piora dos serviços para o povo pobre.
Tarcísio e a Sabesp privatizada são responsáveis
Tarcísio é diretamente responsável por essa política. Seu governo atua para entregar os serviços públicos aos grandes grupos empresariais, repetindo a velha mentira de que a iniciativa privada é mais eficiente. A explosão no Jaguaré mostra a verdade: privatiza-se para enriquecer empresários, enquanto os trabalhadores ficam com o risco, o sofrimento e a morte.
É preciso exigir a responsabilização da Sabesp e do governo Tarcísio por essa tragédia. Todo apoio e indenização integral às famílias atingidas. E é necessário barrar a política de privatizações que transforma direitos básicos em negócio para meia dúzia de milionários. O saneamento não pode estar subordinado ao lucro. Água, esgoto e infraestrutura devem estar a serviço da população trabalhadora, sob controle público e dos trabalhadores, e não dos acionistas.