32 anos sem justiça para Rosa e Zé Luís Sundermann, militantes do PSTU

Assassinados em 12 de junho de 1994, seguem presentes na memória e na luta da classe trabalhadora contra a exploração, a violência e a impunidade

Roberto Aguiar, da redação
32 anos sem justiça para Rosa e Zé Luís Sundermann, militantes do PSTU
José Luís e Rosa Hernandes Sundermann | Foto: Arquivo-PSTU

No dia 12 de junho, completaram-se 32 anos do assassinato de José Luís e Rosa Hernandes Sundermann, dirigentes socialistas, militantes revolucionários e lutadores incansáveis da classe trabalhadora. Executados dentro de casa, em São Carlos (SP), em 1994, o crime jamais foi elucidado. Nenhum responsável foi condenado, nenhum mandante foi identificado, e a impunidade permanece. Mais uma ferida aberta na história das lutas populares do país.

Mais de três décadas depois, a memória de Rosa e Zé Luís segue viva nas mobilizações dos trabalhadores, nos movimentos sociais e na construção do PSTU, partido do qual foram fundadores e importantes dirigentes.

Uma vida dedicada à luta socialista

Zé Luís e Rosa dedicaram suas vidas à organização da classe trabalhadora e à construção de uma alternativa socialista para os explorados e oprimidos.

Ele era dirigente do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos da Universidade Federal de São Carlos (SINTUFSCar), vice-presidente da entidade e também dirigente da Fasubra (sindicato nacional da categoria). Ela, por sua vez, era uma das principais dirigentes da Convergência Socialista e participou ativamente do processo de fundação do PSTU. Poucos dias antes de ser assassinada, havia sido eleita para o primeiro Comitê Central do partido.

Conhecidos e respeitados em São Carlos e em diversas regiões do estado de São Paulo, ambos estiveram envolvidos em inúmeras lutas operárias, estudantis e populares.

Ao lado dos trabalhadores rurais

Uma das marcas da militância do casal foi a atuação junto aos trabalhadores rurais da região de Ribeirão Preto e São Carlos, em especial entre os cortadores de cana-de-açúcar submetidos a condições brutais de exploração.

As jornadas exaustivas, os baixos salários e a precariedade das condições de trabalho faziam parte da realidade cotidiana dos canaviais paulistas. Rosa e Zé Luís estiveram ao lado desses trabalhadores na organização de greves, assembleias e mobilizações que enfrentavam diretamente os interesses dos grandes usineiros e proprietários rurais.

A participação do casal na greve dos trabalhadores da Usina Ipiranga, em Descalvado (SP), tornou-se um dos episódios mais conhecidos dessa trajetória. A mobilização denunciava condições degradantes de trabalho e conquistou avanços para a categoria, ao mesmo tempo que expôs os interesses econômicos e políticos dos setores mais poderosos da região. Durante aquele processo, ambos receberam ameaças de morte.

Execução planejada

Na noite de 12 de junho de 1994, Zé Luís e Rosa foram assassinados dentro da própria residência. Ele Luís foi morto com disparos na cabeça enquanto assistia televisão. Ela também foi executada.

Nada foi roubado da casa. Objetos de valor, dinheiro, cartões e cheques permaneceram no local. As características do crime indicavam uma execução planejada. A hipótese de latrocínio rapidamente perdeu força diante das evidências encontradas na cena do assassinato.

Apesar disso, as investigações jamais chegaram a uma conclusão. Diversas linhas investigativas foram abandonadas ou não aprofundadas. O caso acabou arquivado sem a identificação dos executores ou dos possíveis mandantes.

Três décadas de impunidade

Ao longo dos anos, sindicatos, movimentos sociais, organizações de direitos humanos e o PSTU realizaram inúmeras campanhas exigindo justiça para Rosa e Zé Luís.

A luta contra a impunidade ultrapassou as fronteiras do país. O caso foi levado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), denunciando a omissão do Estado brasileiro na apuração do crime.

Também foi tema de audiências públicas, debates, documentários, livros e atividades de memória promovidas por entidades sindicais e populares. Em todas essas iniciativas, a exigência permanece a mesma: elucidar o assassinato e punir os responsáveis.

Um legado que permanece vivo

Passados 32 anos, Rosa e Zé Luís continuam sendo referência para gerações de lutadores e lutadoras.

Sua trajetória simboliza o compromisso com a independência de classe, a organização dos trabalhadores e a construção de uma sociedade socialista. Ao mesmo tempo, seu assassinato lembra que a violência contra aqueles que enfrentam os interesses dos poderosos continua sendo uma realidade no Brasil.

Em um país que ainda registra assassinatos de lideranças camponesas, indígenas, sindicais, ambientais e populares, a memória de Rosa e Zé Luís segue atual. Lembrá-los é também reafirmar a necessidade de combater a impunidade e defender o direito de organização e luta dos trabalhadores.

Trinta e dois anos depois, a exigência continua ecoando: justiça para Rosa e Zé Luís Sundermann! Presentes, hoje e sempre!

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