Tarcísio de Freitas foi reeleito governador de São Paulo no primeiro turno, com 62,65% dos votos válidos, contra 36,42% de Fernando Haddad. A vitória se estendeu ao Senado, com a eleição de Guilherme Derrite, do PP, e André do Prado, do PL, derrotando Marina Silva e Simone Tebet, candidatas de Haddad e Lula.
O resultado dos deputados também mostra o fortalecimento do bolsonarismo. Lucas Pavanato, do PL, foi o mais votado para deputado federal no estado, com mais de 3 milhões de votos. Eduarda Campopiano, do mesmo partido, recebeu mais de 1,9 milhão de votos para deputada estadual.
Esses resultados ampliam o peso de uma ala ideológica da extrema direita, que combina a defesa das privatizações com ataques às mulheres, à população negra e às pessoas LGBTI+. Tarcísio governará com esse setor fortalecido, tanto em São Paulo quanto no Congresso Nacional.
O PSTU apresentou suas candidaturas com um programa de independência de classe e oposição de esquerda ao governo Lula, enfrentando o bolsonarismo. Obtivemos 75.641 votos na candidatura de Vera ao governo do estado, além de um espaço importante com nossas candidaturas ao Senado e proporcionais. Esse resultado fortalece a construção de uma alternativa revolucionária. Seguiremos no segundo turno com a mesma política independente, agora votando de forma crítica em Lula, 13, para derrotar Flávio Bolsonaro.
Tarcísio 2: a reedição de um governo violento e privatista
O primeiro mandato de Tarcísio entregou patrimônio público e abriu negócios para grandes empresas. A privatização da Sabesp e as concessões do Metrô e da CPTM subordinam serviços essenciais ao lucro dos acionistas, precarizam empregos e colocam tarifas e manutenção nas mãos das concessionárias.
Na educação, avançaram as plataformas digitais, a interferência empresarial e a militarização das escolas. Na saúde, a gestão privada mantém milhares de terceirizados. A propaganda da eficiência encobre serviços sobrecarregados e um governo a serviço dos empresários.
A repressão acompanha essa política. Derrite chega ao Senado com a responsabilidade pelas operações policiais que mataram moradores das periferias. Remoções como a da Favela do Moinho mostram que, diante dos interesses imobiliários, o governo responde aos direitos dos pobres com violência.
O projeto de Tarcísio integra a extrema direita internacional encabeçada por Trump. O bolsonarismo busca seu apoio e a submissão do Brasil aos interesses dos Estados Unidos. A entrega do patrimônio, os ataques aos direitos e o autoritarismo ligam Tarcísio a essa política, com a qual os trabalhadores nada têm a ganhar.
A derrota de Haddad/PT não é culpa dos trabalhadores
A vitória de Tarcísio também precisa ser discutida a partir da experiência com o petismo. O PT e seus aliados procuram explicar suas derrotas pela ingratidão dos trabalhadores ou pelo ressentimento de uma classe média contrária aos programas sociais. Essa explicação poupa a direção petista de discutir as consequências de sua própria política.
Quem enfrenta salário baixo, aluguel caro, transporte lotado e jornadas que consomem a semana não encontrou em Haddad uma perspectiva de mudança. Como ministro da Fazenda, ele foi responsável pelo arcabouço fiscal, que restringe os investimentos sociais, enquanto o pagamento aos credores segue protegido. Sua candidatura carregou essa experiência de compromisso com o mercado.
Os governos do PT preservaram privatizações e a reforma trabalhista, governando com partidos e empresários que também sustentam a direita. A frustração com essas escolhas abriu espaço para o bolsonarismo disputar setores da população trabalhadora. A responsabilidade por isso não pode ser jogada sobre quem precisa sobreviver.
No segundo turno, Tarcísio trabalhará para eleger Flávio Bolsonaro, nós atuaremos para derrotá-lo
Tarcísio usará sua vitória para fortalecer a candidatura de Flávio Bolsonaro no segundo turno da disputa presidencial. Nós vamos atuar pela derrota de Flávio, com voto crítico em Lula, 13, diante da ameaça que o bolsonarismo representa aos direitos, às liberdades democráticas e à organização dos trabalhadores. A extrema direita quer aprofundar a exploração e entregar o país aos interesses de Trump.
Esse voto não significa apoio ao governo Lula, ao PT ou à frente ampla. Seguiremos como oposição de esquerda, organizando a luta contra os ataques de qualquer governo. A experiência dos últimos quatro anos mostrou que vencer Bolsonaro nas urnas não basta para derrotar o bolsonarismo. Justamente por isso o voto em Lula precisa ser crítico e não uma adesão política à sua campanha.
Os protestos que surgiram depois do primeiro turno, especialmente entre jovens, mostram disposição para enfrentar a extrema direita. Seremos parte desses atos e ajudaremos a organizar plenárias, comitês e brigadas de voto crítico nos bairros, escolas e locais de trabalho. Estaremos na rua para derrotar Flávio Bolsonaro na eleição e chamaremos todos os que se mobilizam agora a seguir mobilizados após as eleições, governe quem governe.
Preparar a luta contra o futuro governo Tarcísio
As greves de setores como ferroviários e das universidades estaduais acumularam experiências que precisam ser tomadas como exemplo para enfrentar o segundo governo Tarcísio através da organização independente dos trabalhadores, jovens e setores populares.
Precisamos lutar pela reversão das privatizações, por serviços públicos sob controle dos trabalhadores e usuários, por moradia e contra os despejos. A defesa da educação e da saúde deve caminhar com a luta pelo fim da escala 6x1, por salários, soberania e contra a violência policial.
Enfrentar Tarcísio exige construir uma força independente dos empresários e dos governos, capaz de disputar a classe trabalhadora de São Paulo para uma alternativa socialista.