A extrema direita bolsonarista é um cachorrinho de Trump. São traidores da pátria. Articularam os ataques que prejudicam todo o país. São defensores e promotores abertos da subserviência do Brasil aos EUA. Para eles, se Trump atacar com bombas as favelas no Rio, melhor. Se o Brasil virasse um estado dos Estados Unidos, comemorariam.
Lula, por outro lado, critica as ameaças de Trump e diz que defende a soberania. Mas aqui há um problema. Trump não está apenas ameaçando, ele já tomou uma série de ações concretas contra a soberania brasileira. E Lula não tomou nenhuma medida de reciprocidade contra os ataques de Trump. É preciso enfrentar o tarifaço dos EUA com tarifaço também. Avançar com proibição de remessa de lucros ao exterior e controle de capitais, até a tomada das multinacionais dos EUA aqui instaladas.
Trump quer aprofundar a dominação imperialista
O novo tarifaço, a definição das facções como terroristas, o ataque ao Pix e a verborragia intervencionista com ameaças ao Brasil são parte de uma estratégia imperialista contra o Brasil. Trump vem atacando o país, fazendo tudo o que pode para interferir nas eleições, numa tentativa de favorecer seu candidato, Flávio Bolsonaro.
Não é apenas isso. A relação entre país imperialista e país dominado é sempre marcada por uma profunda exploração e espoliação econômica. É isso que Trump quer e precisa aprofundar. Tornar o Brasil ainda mais dependente dos EUA, ampliar o poder dos monopólios capitalistas estadunidenses, tomar mais riquezas naturais e explorar ainda mais o povo brasileiro, combinado com a necessidade de ganhar a disputa por lucros e hegemonia contra o novo imperialismo emergente da China.
O que é soberania?
Os EUA precisam tomar as terras raras do Brasil por conta da disputa com a China. Lula, apesar do discurso, aprovou no Congresso Nacional uma lei para garantir melhores condições às empresas estadunidenses para explorarem as terras raras e foi aos EUA negociar isso com Trump.
Para Lula, a defesa da soberania significa apenas obrigar que a empresa dos EUA, além de extrair, processe as terras raras aqui no Brasil. Mas as terras raras ainda estariam sob controle das multinacionais. Os lucros, a operação, tudo seria capital das multinacionais. Nesse sentido, o Brasil ficaria a reboque dessas empresas, da decisão delas sobre o que fazer e como fazer, e quando decidirem ir embora ficaremos com nada, como já aconteceu tantas vezes.
Soberania significa um Estado ter poder para tomar as decisões sem interferência estrangeira e segundo suas próprias necessidades. Ao entrarem as necessidades das empresas dos EUA, a dominação não só política de Washington, mas também econômica, já não somos mais um país plenamente independente.
Então, mesmo antes de Trump, o Brasil já não tinha soberania plena, pois sua economia já era completamente dependente dos EUA, e o controle político de Washington acontecia, mas por via indireta e diplomática. Trump muda isso. Coloca a pressão política aberta por várias vias e de maneira agressiva, escancarando a real natureza selvagem da exploração imperialista.
O que isso tem a ver com a vida dos trabalhadores?
Esse debate muitas vezes parece descolado da realidade dos trabalhadores e do povo. A extrema direita se aproveita dizendo: “Ninguém quer saber de soberania. O povo quer dinheiro no bolso, comida no prato, segurança e condições de vida dignas”.
Escondem que o problema é justamente a dominação imperialista, que leva os lucros e as riquezas, transformando tudo que é produzido aqui em vida boa lá nos países ricos, enquanto se agrava a miséria, a pobreza e a desigualdade. O que torna nossa vida um inferno é a mesma coisa que torna a vida deles um paraíso.
É impossível que um país resolva seus problemas econômicos, sociais e até políticos sem soberania nacional plena. Enquanto estivermos submetidos às vontades de outras nações, qualquer decisão tomada não será com vista aos interesses do povo desta terra, mas de terras estrangeiras.
Esse é o projeto que a burguesia brasileira implementou aqui desde sempre. É herdeira dos portugueses, mas poderia ser dos espanhóis também, sem problemas. Subordinou-se à Inglaterra. E hoje ama os EUA e não tem nenhum problema em aprender mandarim se isso pagar mais. O que não consegue nunca é ser brasileira de fato, defender os interesses nacionais de verdade, arrancando o grilhão da miséria do país, que foi incapaz de garantir reparação aos negros escravizados, que nunca fez uma mínima reforma agrária e deixou várias tarefas democráticas de libertação nacional inconclusas por séculos.
Soberania de verdade exige ruptura com o imperialismo
A luta dos trabalhadores deve partir da defesa da soberania e por libertação nacional contra o imperialismo e a extrema direita e se combinar em uma luta contra os setores burgueses que são cães de guarda dos seus amos estrangeiros. Não temos imperialista de estimação, seja dos EUA, seja da Europa, seja da China. E também não temos ilusão em nenhum setor burguês nacional.
A defesa do Brasil contra as agressões e ameaças de Trump deve ser parte fundamental de uma luta mais ampla contra o bolsonarismo e contra o domínio das multinacionais dos EUA. Para termos soberania de verdade, é obrigatório que defendamos um programa de ruptura com o imperialismo que chegue ao questionamento da propriedade capitalista em setores estratégicos. Portanto, é necessário chegar ao socialismo. Por isso, é preciso superar os limites do projeto do PT, que se diz de esquerda e defensor da soberania em palavras, mas se subordina ao imperialismo e à burguesia.
O imperialismo foi vitorioso na Venezuela submetendo o novo governo chavista após sequestrar Maduro. Mas foi derrotado pelo Irã depois de iniciar uma guerra mal calculada impulsionada também pelo Estado genocida e fascista de Israel. Pode ser derrotado na Bolívia, já que sustenta o governo de Paz contra um movimento de trabalhadores furioso que pode derrubá-lo. Os trabalhadores brasileiros devem se inspirar nos bolivianos que mostram o caminho para enfrentar e derrotar o imperialismo e lutar por soberania.