Operários e operárias da construção civil de Belém conquistam avanços e encerram greve após quatro dias de luta

Roberto Aguiar, da redação
Operários e operárias da construção civil de Belém conquistam avanços e encerram greve após quatro dias de luta

Os operários e operárias da construção civil de Belém aprovaram, em assembleia realizada na última terça-feira (22), a proposta apresentada pela patronal e decidiram encerrar a greve iniciada no dia 17. Foram quatro dias de paralisação, com obras paradas, atos e passeatas pelas ruas da capital paraense, demonstrando a força da mobilização da categoria organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil de Belém (STICMB), entidade filiada à CSP-Conlutas.

A greve foi resultado da insatisfação dos trabalhadores com a proposta inicial dos empresários, que ofereciam apenas a reposição da inflação, sem aumento real. A categoria rejeitou a proposta patronal e decidiu partir para a luta, organizando assembleias, paralisações e mobilizações que ampliaram a pressão sobre os patrões.

A mobilização garantiu conquistas importantes. O acordo aprovado prevê reajuste salarial de 5,5%, sendo 4,1% referentes à inflação e 1,4% de aumento real; 5,5% de reajuste nas duas parcelas da PLR (Participação nos Lucros e Resultados); cesta básica de R$ 200; retorno do pagamento dos salários para o dia 30 de cada mês; manutenção de todas as cláusulas sociais; além da criação de um grupo de negociação para discutir as pautas específicas das mulheres trabalhadoras da categoria.

Para Ailson Cunha, coordenador-geral do STICMB, o resultado demonstra a força da organização coletiva e da unidade da categoria em torno do sindicato: “Essa campanha mostrou a força que a categoria tem quando se organiza. A gente foi para as assembleias, foi para a rua, fez plenária e, quando a patronal não respondeu, decidimos continuar a greve. O Sindicato esteve junto o tempo todo, e foi essa unidade que fez a patronal avançar na proposta”.

Segundo Ailson, as conquistas obtidas são fruto direto da disposição de luta dos trabalhadores e trabalhadoras da construção civil.

A campanha salarial também contou com a participação ativa da CSP-Conlutas. O diretor do Sindicato e integrante da Secretaria Executiva Nacional da Central, Atnágoras Lopes, destacou durante todo o processo a importância da mobilização independente da categoria para enfrentar a intransigência patronal. Ao longo da campanha, defendeu a necessidade de organizar a luta e utilizar todos os instrumentos de pressão para garantir avanços nas negociações.

A greve contou ainda com a solidariedade e o apoio do PSTU. Estiveram presentes nas atividades Well Macêdo, candidata do partido ao governo do Pará, e Seu Aléx, candidato a vice-governador e operário da construção civil. Ambos participaram das mobilizações ao lado da categoria, reforçando a defesa das reivindicações dos trabalhadores e a necessidade de fortalecer as lutas da classe trabalhadora contra a exploração patronal.

A greve da construção civil de Belém demonstra que a organização nos locais de trabalho, a unidade da categoria e a mobilização nas ruas continuam sendo instrumentos fundamentais para enfrentar os patrões e conquistar direitos. Após quatro dias de paralisação, os trabalhadores arrancaram avanços que não estavam na proposta inicial da patronal e mostraram, mais uma vez, a tradição de luta dos operários da construção civil paraense.

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