Pecuaristas ameaçam invadir uma terra indígena no Pará caso Flávio Bolsonaro vença as eleições. A informação veio de uma reportagem publicada pelo jornal Folha de S.Paulo em 12 de outubro. A reportagem teve acesso a oito áudios de WhatsApp de fazendeiros que planejam a invasão da Terra Indígena Apyterewa caso o candidato do PL vença o segundo turno, marcado para 25 de outubro.
A Terra Indígena Apyterewa fica em São Félix do Xingu, no Pará. Homologada em 2007, possui aproximadamente 773 mil hectares e abriga mais de mil indígenas do povo Parakanã. Não se trata de uma ameaça isolada: esse território já foi alvo de sucessivas invasões, grilagem de terras e expansão ilegal da pecuária.
Isso é o fascismo antiecológico de Flávio Bolsonaro. Uma vez eleito presidente, ele vai tentar eliminar a proteção ao meio ambiente e aos povos tradicionais. Por várias vezes, ele já disse que não demarcaria nenhuma terra indígena.
E agora diz que vai mudar a Constituição. Mas, além de acabar com o direito à saúde, à educação e à aposentadoria, ele vai também colocar na mira todos os direitos constitucionais dos povos indígenas e dos quilombolas, além dos artigos que protegem a Amazônia e o meio ambiente. Como o artigo 231, que garante aos indígenas a posse permanente e o usufruto exclusivo das riquezas naturais de suas terras, além dos artigos 210, 215 e 232, que asseguram direitos relacionados à cultura, à educação e à defesa judicial dos povos indígenas.
O programa da extrema direita
E você está achando que isso é fake news? Então, vejamos. O programa de sua candidatura, registrado no TSE, fala em “conferir autonomia econômica aos povos indígenas e às comunidades quilombolas”. Mas, por trás dessas palavras, há um explícito interesse em promover uma política de expansão da mineração, de aceleração do licenciamento ambiental, de exploração de madeira, da pecuária e da produção de commodities.
O programa de Flávio Bolsonaro propõe, inclusive, um mecanismo de licenciamento ambiental automático: caso os órgãos responsáveis não se manifestem dentro de determinado prazo, os empreendimentos receberiam autorização para funcionar. O plano também prevê estabilidade das regras de licenciamento por até 20 anos, o que pode dificultar a revisão das autorizações diante de novos impactos ambientais.
Outra proposta é rever as atribuições do Ibama, da Funai e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), sob o argumento de eliminar a sobreposição de competências. Na prática, isso abre a possibilidade de enfraquecer os órgãos responsáveis pela fiscalização ambiental, pela proteção dos povos indígenas e pela conservação da biodiversidade.
Essa tem sido a prática do PL e de Flávio Bolsonaro no Congresso Nacional. Eles defendem a invasão das terras indígenas por garimpeiros. Defendem também a exploração de gás por meio do fracking, técnica que provoca riscos de grave contaminação da água e do solo. O fraturamento hidráulico utiliza fluidos injetados sob alta pressão no subsolo para liberar gás natural, colocando em risco aquíferos, rios e comunidades próximas às áreas de exploração.
Além disso, o programa sequer menciona expressamente os termos “aquecimento global” ou “mudança climática” porque eles negam os alertas da ciência. Aliás, vamos lembrar que Flávio Bolsonaro foi relator da Proposta de Emenda à Constituição 03/2022, conhecida como a PEC da privatização das praias brasileiras.
E por que Flávio quer afrouxar as regras ambientais? Porque quer entregar as terras raras a Donald Trump, entregar a Amazônia e suas riquezas ao imperialismo. No governo de Jair Bolsonaro, a gente viu o que significava “passar a boiada” nas leis ambientais. Agora, o alerta é para o risco de essa política avançar ainda mais num eventual governo de Flávio Bolsonaro: menos fiscalização, mais pressão sobre as terras indígenas e quilombolas e mais ameaças e violência contra os povos da floresta.
E vai fazer isso com o apoio de milícias armadas de jagunços, junto com seus amigos milicianos e garimpeiros, que vão atacar esses povos e invadir seus territórios.
Na Apyterewa, a violência e a morte pairam como uma ameaça. Os invasores chegaram a construir a chamada Vila Renascer dentro da terra indígena. A retirada dos ocupantes ilegais começou em 2023, mas enfrentou emboscadas contra agentes públicos e destruição de pontes. Um servidor da Funai foi baleado em 2023 e um contratado do Ibama foi morto em 2025.
Todos esses métodos fascistas vão explodir com Flávio Bolsonaro.
Quem não se lembra da tragédia que se abateu sobre os Yanomamis quando Jair Bolsonaro era presidente? Foi ele quem estimulou abertamente a invasão das terras Yanomamis por cerca de 20 mil garimpeiros.
Quem não se lembra dos assassinatos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, no Vale do Javari, no Amazonas, quando registravam a atuação de garimpeiros, traficantes, caçadores e pescadores ilegais em território indígena?
Quem não se lembra do “Dia do Fogo”, uma ação orquestrada para apoiar Bolsonaro, quando fazendeiros convocaram, para o dia 10 de agosto de 2019, na região da BR-163, a rodovia Cuiabá–Santarém, uma ação coordenada para queimar a floresta amazônica?
A própria Terra Indígena Apyterewa, agora ameaçada de invasão, sofreu um enorme desmatamento durante o governo de Jair Bolsonaro. A devastação aumentou 440% em quatro anos de governo Bolsonaro.
E as ameaças voltaram a crescer. Os focos de incêndio registrados na terra indígena passaram de 41 em julho de 2026 para 626 em agosto e 1.007 em setembro. Esse crescimento coincide com relatos de movimentação de caminhonetes e motocicletas e de aquisição de materiais para novas ocupações.
Voto crítico no 13
Acelerar a devastação ambiental, em plena emergência climática, é empurrar o planeta e a humanidade para uma catástrofe cada vez mais difícil de conter. E quem está na linha de frente dessa destruição são os povos indígenas, os quilombolas, os povos da floresta e os camponeses.
Por isso, é hora de ir às ruas, defender o voto crítico no 13 e virar esse jogo na luta de classes.
Voto crítico no 13, sim! Porque não dá para passar pano para o governo Lula, que, nesses anos todos, manteve sua política de crédito público para que o agronegócio pudesse continuar se expandindo.
O atual Plano Safra 2026/2027 prevê mais de R$ 610,3 bilhões em crédito rural. A bancada ruralista não caiu do céu! Foi com dinheiro, oferecido por todos os governos do PT como um presente que levou à reprimarização da nossa economia, que ela se fortaleceu.
Votar criticamente no 13 para derrotar o bolsonarismo, mas sem nenhuma confiança ou apoio ao governo Lula. Vamos virar o jogo! Continuar nas ruas, mesmo depois das eleições! Porque é a luta de classes que derrota a extrema direita. Floresta em pé! Bolsonarismo no chão!