O cenário do primeiro turno mostrou o fortalecimento perigoso da extrema direita. O projeto desse setor é claro: impor um regime político muito mais fechado, atacando e retirando liberdades democráticas históricas e importantes para a organização dos trabalhadores. A extrema direita quer atacar o direito de organização sindical, de greve, de livre manifestação, criminalizando as organizações dos trabalhadores para assim justificar uma brutal repressão contra qualquer oposição ao seu projeto político. Não é à toa que exaltam o regime e as principais figuras da ditadura cívico-militar, criado pelo golpe de 1964, como por exemplo do torturador coronel Ustra.
No âmbito nacional, faz parte desse plano aprofundar de forma brutal a subordinação do país aos interesses imperialistas, principalmente aos EUA, tornando o Brasil ainda mais dependente e precarizando violentamente as condições de vida e de trabalho da nossa classe. No cenário local, Celina Leão quer impor um processo de ajuste fiscal implacável e o sequestro do orçamento público. O objetivo é garantir a manutenção dos privilégios dos grandes empresários e jogar nas costas do povo trabalhador o rombo causado pela fraude do BRB-MASTER, livrando a sua própria cara e a dos demais responsáveis por esse escândalo.
Celina Leão, dando continuidade ao projeto de Ibaneis, vai seguir aprofundando os elementos autoritários do regime. Isso é parte de sua política de garantir o lucro dos grandes empresários do DF e impor a precarização das condições de vida e trabalho para a maioria da população do DF. Celina pretende derrotar a resistência da classe trabalhadora para ampliar a privatização dos serviços públicos e aplicar um ajuste fiscal. Como quer fazer na saúde, destinando verbas públicas para contratar serviços dos hospitais privados do DF. Ou, como pretende fazer sob a justificativa do empréstimo para “salvar” o BRB, entregando ao setor privado uma parte dos terrenos, do patrimônio do DF e congelando os investimento nos serviços públicos por 15 anos.
Neste momento, vemos uma ofensiva autoritária do secretário de educação que, violando a lei de gestão democrática, quer impor o seu projeto educacional às escolas, se valendo do assédio e da vigilância contra os profissionais da educação. Tudo isso para maquiar a crise da educação pública e seguir aprofundando o processo de terceirização através das plataformas, como o Educa-DF. Assim como para ampliar a militarização da educação, impedindo qualquer projeto pedagógico que não esteja alinhado aos ditames conservadores e reacionários da extrema-direita.
Celina e Flávio Bolsonaro representam também uma ameaça aos direitos fundamentais das mulheres, da comunidade LGBTQIAPN+, dos negros, indígenas e quilombolas. A extrema-direita alimenta um discurso misógino, racista e LGBTfóbico que nega a existência de uma epidemia de violência machista, buscando minar o funcionamento da Lei Maria da Penha; Nega o direito a identidade de travestis e pessoas trans, buscando desmontar as políticas públicas destinadas a proteção dessa comunidade; Não reconhece a existência de um racismo profundamente impregnado na sociedade brasileira e luta contra as cotas raciais e as políticas de reparação; Incentiva o agronegócio a seguir ampliando o roubo das terras e o massacre aos povos indígenas e quilombolas.
Diante desse cenário, derrotar eleitoralmente esse projeto de extrema-direita é uma necessidade tática. Isso é fundamental para inibir os arroubos autoritários e golpistas, fortalecer a organização dos trabalhadores e garantir melhores condições democráticas para ampliar a mobilização da nossa classe. Precisamos de espaço para lutar tanto contra o projeto autoritário da extrema-direita quanto contra o próprio projeto neoliberal aplicado pela Frente Ampla liderada pelo PT. É nesses marcos e com esses objetivos que chamamos a classe trabalhadora do DF a votar em Leandro Grass no segundo turno do DF.
O voto precisa ser crítico porque é preciso dizer a verdade aos trabalhadores
Nosso chamado ao voto em Leandro Grass não implica, de forma alguma, apoio político ao seu projeto neoliberal, do qual somos e seguiremos sendo opositores implacáveis. Não buscaremos qualquer tipo de negociação por cargos ou favores com sua candidatura. Construiremos nosso próprio material e organizaremos nossa própria atuação militante para disputar a consciência dos trabalhadores pelo voto crítico em Leandro Grass no segundo turno. Chamamos todos os ativistas que compartilham de nossa visão a construir conosco essa campanha independente.
A vitória de Flávio Bolsonaro e Celina Leão no primeiro turno é a prova cabal de que a política de conciliação de classes é um fracasso no combate à extrema-direita. A opção de Lula de atuar como mero administrador de um regime político em crise não enfraquece os reacionários; pelo contrário, ao não resolver os problemas materiais do povo, essa política desorganiza as lutas, desmoraliza a classe trabalhadora e pavimenta o caminho para que projetos autoritários voltem a capitalizar a insatisfação popular.
Precisamos dialogar com a classe trabalhadora com honestidade. Celina Leão e Flávio Bolsonaro tiveram votação expressiva no DF porque a maior parte dos trabalhadores da nossa cidade vê o PT como o responsável pela decadência do país — e, de fato, o PT cumpriu e cumpre esse papel. Partir da crítica contundente ao PT e dialogar com a justa raiva dos trabalhadores é o único caminho para reverter os votos na extrema-direita no DF. Precisamos mostrar para a nossa classe que eles estão certos em criticar o PT, mas que essa insatisfação não pode desembocar em uma aposta num projeto autoritário, golpista e ultraliberal, que vai aprofundar ainda mais a miséria e a decadência do Brasil e do DF.
Chamamos o voto crítico porque entendemos que a derrota da extrema-direita nas urnas coloca a classe trabalhadora em melhores condições para organizar sua mobilização contra o projeto de reprimarização da economia e submissão ao imperialismo. O PT, em seus 18 anos de governo federal e também quando governou o DF, foi o gestor assíduo desse modelo econômico que gera a insatisfação social da qual a extrema-direita se alimenta.
Uma eventual vitória de Leandro Grass no DF e de Lula em âmbito nacional não será capaz de mudar estruturalmente a situação do país, pois o projeto da Frente Ampla é seguir sendo o gestor da decadência capitalista, buscando governar com o corrupto Centrão e em constante negociação com a própria extrema-direita. A absurda tentativa do PT-DF e de Leandro Grass de buscar o apoio de José Roberto Arruda — condenado por corrupção e um dos grandes responsáveis pelo desenvolvimento da extrema direita no DF. Ou, os acenos que fez a Kiko Caputo, candidato do partido Novo ao GDF, revela o que é a Frente Ampla e que eles não aprenderam absolutamente nada com seus erros.
O único caminho para derrotar a extrema-direita e reverter o quadro de decadência do país é enfrentar os bilionários. Por isso o PSTU defende a estatização das 250 maiores empresas do país. E, no DF, defende o confisco do dinheiro e dos bens dos responsáveis pelas fraudes do BRB e de todos os corruptos. Defendemos a estatização das empresas de transporte e das grandes empresas do DF que sonegaram quase R$ 54 bilhões aos cofres públicos. É preciso colocar a riqueza produzida pela classe trabalhadora, sob seu controle direto, permitindo a utilização desses recursos para ampliar os serviços públicos, o desenvolvimento industrial e tecnológico do país, rompendo o ciclo de dominação imperialista e dependência que nos assola.
Mas, a opção do PT foi governar para os grandes empresários, mantendo e ampliando benefícios tributários aos bilionários, impondo um arcabouço fiscal para alimentar o sistema fraudulento da dívida pública, seguindo uma agenda de privatização e terceirização, financiando a expansão destrutiva do agronegócio através do Plano Safra e destinando apenas algumas migalhas aos trabalhadores.
Por isso, declaramos desde já: não seremos parte de um eventual governo de Leandro Grass e seremos oposição de esquerda nas ruas e nas lutas caso ele vença.
Chamamos toda a classe trabalhadora, a juventude e os movimentos sociais a manterem total independência política e organizativa em relação ao PT e à burguesia. Faremos a campanha do voto crítico em Leandro Grass exclusivamente para derrotar a extrema-direita nas urnas, mas nosso chamado principal é para organizar a nossa classe e construir a mobilização contra os ataques, seja da extrema-direita, seja da Frente Ampla de conciliação de classes. Não devemos jogar nossas fichas em negociatas parlamentares e institucionais para garantir os nossos direitos e construir as mudanças radicais que precisamos fazer no DF e no Brasil.
Precisamos fortalecer os movimentos sociais, os grêmios, as prefeitura comunitárias, a organização sindical dos trabalhadores, os grupos e associações culturais. A classe precisa se reunir cotidianamente nos seus locais de trabalho e moradia, através de comitês populares democráticos, para organizar a sua indignação, construir a mobilização, debater um projeto da classe trabalhadora, superando o imobilismo e a burocratização dos aparatos sindicais. É preciso garantir a mais ampla democracia operária das organizações dos trabalhadores como condição para garantir a maior unidade possível da classe trabalhadora na luta por seus direitos fundamentais. As traições das direções governistas no DF e no Brasil, que, muitas vezes contra a vontade dos trabalhadores encerraram greves e mobilizações, jogam contra a capacidade da classe trabalhadora de resistir e enfrentar a extrema-direita e os ataques aos seus direitos.
A classe trabalhadora deve construir o seu próprio projeto político de país, de forma independente da burguesia e das potências imperialistas. Somente a ruptura completa com esse regime político apodrecido e com o modo de produção capitalista pode garantir a plenitude de nossos direitos. A classe trabalhadora produz toda a riqueza; por isso, é a classe trabalhadora que deve governar este país.