Navios de guerra de Israel cercaram e interceptaram, nesta segunda-feira (18), a Flotilha Global Sumud em águas internacionais, a cerca de 250 milhas náuticas da Faixa de Gaza. A missão humanitária levava ativistas, médicos, jornalistas e defensores dos direitos humanos em uma tentativa de romper o bloqueio imposto pelo Estado israelense ao território palestino.
Segundo informações divulgadas pela própria flotilha e reproduzidas pela imprensa israelense, os participantes sequestrados pela Marinha seriam transferidos para uma “prisão flutuante” antes de serem levados ao porto de Ashdod, em Israel.
“A interceptação da Flotilha Global Sumud é mais um crime cometido pelo Estado sionista de Israel contra ativistas solidários ao povo palestino. Trata-se de uma ação ilegal em águas internacionais contra uma missão civil e humanitária. Exigimos a libertação imediata de todos os ativistas e o fim do bloqueio genocida imposto a Gaza”, afirmou Mandi Coelho, da direção do PSTU e da LIT-QI.
Mandi integrou a missão internacional da flotilha e foi sequestrada por forças israelenses em águas internacionais há duas semanas, quando a embarcação em que estava seguia da Itália para a Grécia, em mais uma ação militar contra civis que participavam da campanha humanitária em solidariedade ao povo palestino.
Entre os integrantes da missão estão quatro brasileiros: Ariadne Teles, coordenadora da Global Sumud Brasil; Beatriz Moreira de Oliveira, militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB); Thainara Rogério, brasileira com cidadania espanhola; e o médico pediatra Cassio.
A interceptação ocorreu quatro dias após 54 embarcações civis partirem de Marmaris, na Turquia, com o objetivo de estabelecer um corredor humanitário até Gaza. A ação israelense é denunciada pelos organizadores como mais uma violação do direito internacional e da liberdade de navegação em alto-mar.
Escalada da repressão em alto-mar
De acordo com a coordenação da Global Sumud, esta é a continuidade de uma ofensiva militar iniciada há duas semanas, quando forças israelenses interceptaram embarcações da flotilha próximas à ilha de Creta, na Grécia. Na ocasião, 181 ativistas foram detidos após ações militares contra 21 embarcações civis em águas internacionais.
Os organizadores denunciam que os participantes sofreram violência física, detenções arbitrárias e abusos durante a operação. A nova interceptação, agora em uma zona de Busca e Salvamento (SAR) ligada ao Chipre, reforçaria, segundo a missão, o “desrespeito sistemático” de Israel à Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.
A equipe jurídica da flotilha afirma que todos os participantes estavam desarmados e responsabiliza diretamente o governo israelense por qualquer violência praticada contra os civis.
Cerco também avança por terra
A ofensiva contra a flotilha acontece simultaneamente ao bloqueio do Comboio Terrestre Global Sumud, que seguia em direção à passagem de Rafah, na fronteira entre Gaza e o Egito. O comboio, formado por mais de 30 veículos, ambulâncias e casas móveis, foi parado próximo à cidade de Sirte, na Líbia.
Segundo os organizadores, forças militares do leste líbio, sob pressão do governo egípcio, impediram a continuidade da missão humanitária. Para os ativistas, a combinação do bloqueio marítimo e terrestre demonstra a ampliação da política de cerco contra Gaza e contra iniciativas internacionais de solidariedade ao povo palestino.
A Faixa de Gaza segue submetida a bombardeios, fome e destruição promovidos pelo Estado de Israel, em uma guerra denunciada mundialmente como genocídio contra o povo palestino.