Meu nome é Bia, sou bissexual, sou estudante de contabilidade na PUCPR e militante do Rebeldia, a Juventude da Revolução Socialista. Eu já fui estudante de física, já fui professora, fui atendente de telemarketing durante a pandemia, já fui babá, já fiz e ainda faço faxina. Sou, como tantos, parte da classe trabalhadora que vive de fazer um pouco de tudo pra sobreviver.
É dessa realidade que nasce as nossas candidaturas nesta eleição. Ela nasce da luta e da organização que estudantes, trabalhadores, mulheres, pessoas negras, indígenas, quilombolas, LGBTQIAPN+ e tantos outros setores oprimidos travam todos os dias.
Sou candidata a deputada estadual pelo PSTU porque acredito que a política precisa estar a serviço da classe trabalhadora, da juventude e dos setores oprimidos — e não dos ricos, dos empresários e dos grandes proprietários de terra. Minha candidatura não é individual: ela faz parte de um projeto coletivo de luta e de construção de uma alternativa socialista para a juventude e para a classe trabalhadora.
A realidade é dura
Vivemos em um sistema que transforma direitos em mercadoria e coloca o lucro acima da vida. É esse sistema, o capitalismo, que condena a juventude à pobreza, enquanto concentra a riqueza nas mãos de poucos. A juventude trabalha e estuda cada vez mais em condições precárias e ainda assim não tem garantia de futuro. A verdade é que a nossa geração está sendo esmagada.
Hoje, no Brasil, a juventude é a principal vítima da violência. E essa violência tem cor, tem classe, tem endereço: são os jovens negros e periféricos que mais morrem, que mais sofrem com a violência policial e que vivem diariamente com medo.
Ao mesmo tempo, as jovens mulheres enfrentam outra forma de violência: o assédio e o medo de andar na rua. O crescimento dos casos de feminicídio e violência sexual fazem parte da realidade de milhares de meninas e mulheres trabalhadoras no nosso país. A nossa geração não vive apenas com a exploração — vive também com o medo.
É uma geração inteira sendo empurrada para trabalhos sem direitos, sem estabilidade e sem descanso. Vendem para nós uma falsa ideia de “liberdade”, que na prática significa trabalhar até não aguentar mais para conseguir pagar as contas no fim do mês. Isso aparece de forma cada vez mais brutal com a uberização e a pejotização das relações de trabalho.
No emprego formal, a realidade também não é melhor. A escala 6x1 virou regra para a juventude, principalmente em áreas como telemarketing, comércio e serviços. Trabalhar seis dias para descansar um. Isso não é viver. Isso é sobreviver.
Não é coincidência que ansiedade, depressão, síndrome de burnout e outras formas de sofrimento psíquico estejam se tornando marcas da nossa geração. O capitalismo lucra enquanto nossa saúde mental é destruída pela precarização, pelo medo, pelo excesso de trabalho e pela ausência de perspectiva de futuro.
No capitalismo, a busca pelo lucro não tem limites. Para aumentar seus ganhos, os grandes empresários intensificam a exploração do trabalho, retiram direitos, pressionam salários e transformam necessidades humanas em oportunidades de negócio. Quem paga essa conta é a classe trabalhadora.
Nossa geração cresceu ouvindo que teria uma vida melhor que a de nossos pais. Hoje, muitos jovens já não conseguem sequer imaginar como será o amanhã. O avanço da crise climática, das enchentes, do calor extremo e da destruição ambiental transforma o futuro em medo e insegurança, especialmente para a juventude pobre e trabalhadora que não terá acesso aos recursos necessários para se proteger das consequências desse colapso.
Essa realidade não é exclusiva do nosso estado ou do Brasil. Em diferentes países, a juventude enfrenta desemprego, guerras, crise climática e retirada de direitos, mostrando que os problemas que vivemos fazem parte de uma crise internacional do capitalismo. Enquanto o capitalismo existir, essas crises continuarão sendo tratadas como inevitáveis.
Não acreditamos que esse sistema possa ser reformado para atender às necessidades da maioria. É preciso enfrentá-lo e construir uma nova sociedade, baseada na igualdade, na justiça social e no poder dos trabalhadores: o socialismo.
Juventude e o eterno alto índice de desemprego
A juventude é uma das principais vítimas do desemprego no Brasil. Historicamente, os índices de desemprego entre os jovens são muito maiores do que entre os adultos, e essa realidade atinge principalmente a juventude negra e periférica. Essa realidade também se expressa no Paraná, onde milhares de jovens vivem diariamente com a insegurança de não saber se conseguirão pagar as contas, ajudar suas famílias ou sequer encontrar uma oportunidade de trabalho digna.
De acordo com a PNAD Contínua do IBGE a taxa média anual de desemprego no Paraná foi de 6,0%. Na juventude paranaense esse percentual salta para 16,1%. O desemprego não é um acidente ou um mero deslize da economia. Ele cumpre um papel importante para o capitalismo: manter uma parcela da população desempregada para servir de exército de reserva. Esse exército funciona como ferramenta para aumentar ainda mais a exploração de quem está trabalhando. O medo do desemprego faz com que milhões de trabalhadores aceitem jornadas abusivas, baixos salários, humilhações e retirada de direitos simplesmente para conseguir sobreviver.
Enquanto existe uma multidão procurando emprego, os patrões usam essa situação como chantagem permanente. Quem nunca ouviu: ‘’Está ruim? Está cheio de gente por aí querendo trabalhar. Se você não aceitar, tem outro que aceita.’’ É por essa lógica que o sistema mantém salários baixos e condições precárias de trabalho. O desemprego funciona como um instrumento de pressão e controle social, especialmente sobre a juventude, que muitas vezes entra no mercado de trabalho sem nenhuma proteção ou estabilidade.
Nossa geração foi ensinada a acreditar que bastava estudar e “se esforçar” para conquistar uma vida digna. Mas a realidade é que, mesmo estudando, trabalhando e tentando sobreviver em meio à crise, milhões de jovens seguem sem perspectiva de futuro. Isso acontece porque o capitalismo não está preocupado em garantir dignidade para a maioria, mas sim em preservar o lucro dos grandes empresários às custas da exploração da nossa classe.
Informalidade, empreendedorismo e uberização
Diante da falta de emprego e da precarização crescente das relações de trabalho, cresce também a informalidade entre a juventude. Em 2022, a taxa de informalidade no Paraná foi de 32,2% da população ocupada. Entre os jovens a oscilação foi de 38% a 40% no mesmo período, segundo o PNAD. Muitos jovens acabam recorrendo a trabalhos temporários, aplicativos, vendas informais e “bicos” para conseguir sobreviver. E, junto com isso, cresce também a falsa promessa do empreendedorismo como solução individual para problemas que são sociais.
Dizem à juventude pobre que basta “empreender” para vencer na vida. Mas, na prática, para a maioria dos trabalhadores, isso significa vender bala no sinal, trabalhar em aplicativos sem direitos, vender comida na rua, fazer entregas exaustivas ou transformar qualquer necessidade em tentativa desesperada de renda. O discurso do empreendedorismo tenta esconder a realidade da precarização e joga sobre os ombros da juventude a culpa pela falta de emprego e oportunidades.
A pejotização e a uberização aprofundam ainda mais esse processo. Vendem a ideia de que o trabalhador é “seu próprio patrão”, quando na verdade ele continua subordinado às empresas, mas sem qualquer direito trabalhista garantido. Os aplicativos determinam preços, distribuem corridas, avaliam trabalhadores e podem bloqueá-los unilateralmente, enquanto afirmam que eles são ‘’autônomos’’.
Sem férias, décimo terceiro, licença médica, estabilidade ou aposentadoria digna, milhões de jovens trabalham jornadas exaustivas, enquanto grandes empresas lucram cada vez mais às custas da insegurança e da exploração.
O avanço da informalidade não representa liberdade para a classe trabalhadora. Representa a destruição de direitos históricos conquistados por gerações de trabalhadores por meio de muita luta. Nossa geração não quer escolher entre desemprego e precarização. Queremos trabalho digno, direitos garantidos, redução da jornada de trabalho e uma vida em que seja possível existir para além da sobrevivência.
Estudar e trabalhar não pode ser um privilégio
A juventude vive uma dupla exploração: precisa trabalhar para sobreviver e estudar para tentar garantir um futuro — muitas vezes sem conseguir dar conta de nenhum dos dois plenamente. Milhares de jovens passam horas em transportes públicos lotados, trabalham o dia inteiro e ainda precisam encontrar forças para estudar à noite. Outros acabam abandonando os estudos porque simplesmente não conseguem conciliar a sobrevivência com a permanência na escola ou na universidade.
O acesso à educação segue profundamente marcado pela desigualdade social. Enquanto os filhos da elite conseguem estudar com estrutura, tempo e estabilidade, a juventude trabalhadora enfrenta salas superlotadas, falta de investimento, sucateamento das escolas públicas e a pressão constante de precisar trabalhar cedo para ajudar em casa. Não é falta de esforço da nossa geração. É um sistema que transforma o direito à educação em privilégio.
Nas escolas, o chamado novo ensino médio aprofundou a crise da educação pública. Sob o discurso de modernizar a escola, reduziu o acesso dos estudantes ao conhecimento científico, histórico e filosófico, substituindo disciplinas fundamentais por itinerários que variam conforme a estrutura de cada escola. Na prática as escolas privadas seguem oferecendo uma formação ampla, já a juventude das escolas públicas é empurrada para uma educação cada vez mais precarizada, ampliando a desigualdade entre ricos e trabalhadores.
O sucateamento da educação pública não acontece por acaso. Em um país cada vez mais dependente economicamente e marcado pela desindustrialização, cresce a precarização do trabalho e diminui o interesse dos grandes burgueses em garantir uma formação ampla para a juventude. Em vez de estimular o desenvolvimento científico, tecnológico e cultural, os sucessivos governos aprofundam uma educação voltada para atender às necessidades imediatas do mercado, formando trabalhadores cada vez mais ‘’baratos’’ e menos capazes de questionar a realidade em que vivem.
Defendemos a revogação dessa reforma que foi elaborada para atender aos interesses dos empresários da educação e do mercado de trabalho. Queremos a construção de um ensino médio público, gratuito e de qualidade, com investimento em infraestrutura, valorização dos profissionais da educação e acesso universal ao conhecimento, para que toda a juventude tenha condições de desenvolver plenamente sua capacidade crítica, científica, artística e cultural.
Quem consegue passar por esses entraves e almeja chegar ao ensino superior enfrenta outros desafios, como o vestibular. Os processos seletivos excludentes funcionam como barreiras que impedem milhões de jovens pobres de acessar a universidade pública. Apenas um grupo seleto de estudantes que consegue arranjar tempo para estudar as intermináveis apostilas de cursinhos pré-vestibulares - ou pagar por cursos preparatórios cada vez mais caros - acaba tendo mais chances de acessar esse direito.
Vencendo esse desafio, a luta segue para se manter na universidade e conseguir finalizar a formação. As universidades públicas seguem sendo um patrimônio do povo brasileiro e responsáveis pela maior parte da produção científica do país. Mas, para a juventude trabalhadora, conquistar uma vaga é apenas o começo da luta. A permanência na universidade depende de políticas de assistência estudantil, como bolsas, moradia, alimentação, transporte e apoio acadêmico, que permanecem insuficientes diante das necessidades dos estudantes. Enquanto isso, os investimentos em pesquisa e extensão sofrem sucessivos cortes, comprometendo a produção de conhecimento e a formação de novos pesquisadores.
Um estudo com base em dados do INEP aponta que a taxa de evasão no ensino superior girou em torno de 24% entre 2023 e 2024. Ou seja, aproximadamente 1 em cada 4 estudantes deixa o curso antes da conclusão. O problema é ainda maior quando se observa a trajetória completa dos estudantes: mais da metade dos estudantes não concluiu o curso em que ingressou, com taxas acumuladas superiores a 50% e ainda maiores na modalidade a distância (INEP 2019-2023).
Defender a educação pública é defender o direito de entrar, permanecer e concluir os estudos com dignidade. Isso exige ampliar o investimento nas universidades e institutos públicos, fortalecer a assistência estudantil, valorizar a pesquisa científica e garantir que nenhum estudante abandone a graduação por falta de condições materiais para continuar estudando.
No Paraná, defendemos que todas as vagas das universidades estaduais sejam destinadas aos estudantes da rede pública de ensino. As universidades públicas devem cumprir um papel de enfrentamento das desigualdades sociais, garantindo prioridade para quem historicamente teve menos acesso às oportunidades educacionais. Essa medida deve caminhar junto com a ampliação do número de vagas e dos investimentos nas universidades, para que mais jovens possam ingressar no ensino superior público sem que um direito seja colocado contra o outro.
O governo, quando decide ‘’abrir o bolso’’ para a educação em vez de investir no ensino público, tanto na qualidade quanto na ampliação de vagas, opta por encher o bolso dos chamados tubarões da educação. Eles correspondem a grupos de grandes empresários que lucram com o ensino privado. Em especial no ensino superior.
Seja através das mensalidades, seja através de programas como PROUNI e Fies. Eles são políticas públicas financiadas pelo Estado para custear a vaga de estudantes em universidades e faculdades privadas. As bolsas e financiamentos não representam uma "caridade" das instituições, como muitas vezes se pode dar a entender. Nada mais são do que contrapartidas do poder público, seja por meio de isenções fiscais, no caso do Prouni, seja pelo financiamento das mensalidades, no caso do Fies, para pagar a esses grandes grupos o direito de estudo da população mais vulnerável em instituições privadas.
Ainda que receber uma bolsa ou um financiamento seja algo importante, isso não elimina as dificuldades enfrentadas pelos estudantes trabalhadores. Em geral, eles continuam arcando com custos elevados de alimentação, transporte, materiais e outras despesas, sem contar com políticas de permanência estudantil semelhantes às existentes nas universidades públicas.
Somos contra a mercantilização da educação e defendemos que as grandes universidades privadas sejam incorporadas ao patrimônio público. Enquanto milhões de jovens trabalhadores seguem estudando nessas instituições, também defendemos que sejam garantidas todas as condições de permanência, porque não aceitaremos que sejam punidos duas vezes: primeiro pela falta de vagas na universidade pública e depois pela ausência de assistência estudantil.
Alimentação, apoio psicológico, assistência estudantil e políticas de permanência não podem ser vistos como custos dispensáveis, mas como investimentos na formação e no futuro da juventude. A educação não pode ser tratada como mercadoria. Quem hoje estuda em uma instituição privada também tem direito a condições dignas para permanecer no curso e concluir sua formação.
Mesmo as conquistas mais importantes — como ampliar vagas, garantir permanência estudantil e fortalecer as universidades públicas — encontram limites dentro do capitalismo. A educação organizada para atender aos interesses do lucro jamais poderá desenvolver plenamente as capacidades humanas. Enquanto o conhecimento for tratado como instrumento para formar mão de obra barata e gerar lucro para poucos, a escola e a universidade continuarão reproduzindo as desigualdades da sociedade. Lutamos por cada conquista imediata porque elas melhoram a vida da juventude hoje, mas também porque acreditamos que uma educação verdadeiramente emancipadora só será possível em uma sociedade organizada para atender às necessidades da maioria, e não aos interesses do mercado.
Defendemos:
- Revogação do Novo Ensino Médio;
- O fim do vestibular como barreira de acesso;
- Ampliação das vagas nas universidades públicas;
- Destinação integral das vagas das universidades estaduais do Paraná aos estudantes da escola pública.
- Ampliação da assistência estudantil, com bolsas permanência, restaurante universitário e moradia estudantil;
- Passe livre estudantil;
- Estatização das grandes instituições privadas de ensino superior, colocando sua estrutura a serviço de uma educação pública, gratuita e de qualidade.
- Redução da jornada de trabalho sem redução salarial, para que a juventude tenha direito ao estudo, ao descanso e à vida;
Meio ambiente: a crise ambiental tem classe
O colapso climático já não é uma ameaça distante: ele faz parte do cotidiano da nossa geração. Ondas de calor extremo, enchentes, secas, queimadas e destruição ambiental se tornaram cada vez mais frequentes enquanto milhões de trabalhadores seguem expostos à precarização, à fome e à ausência de políticas públicas básicas. Mas é principalmente a juventude trabalhadora que já começa a sentir de forma brutal os efeitos dessa crise — jovens que estudam em escolas sem climatização, enfrentam horas em transportes públicos lotados, trabalham sob calor extremo e vivem em bairros cada vez mais vulneráveis às enchentes e desastres ambientais. São também as crianças pobres que crescerão em um mundo cada vez mais marcado pela desigualdade climática.
Os eventos recentes associados ao Super El Niño e a intensificação dos fenômenos climáticos extremos evidenciam que a crise climática entrou em uma nova etapa. Embora o El Niño seja um fenômeno natural, seus efeitos são potencializados pelo aquecimento global provocado pela emissão de gases de efeito estufa decorrentes da queima de combustíveis fósseis e de um modelo econômico baseado na exploração desenfreada da natureza. O resultado é o aumento da frequência e da intensidade de eventos extremos, como ondas de calor, secas prolongadas, incêndios florestais e chuvas cada vez mais devastadoras.
Enquanto isso, os governos seguem subordinando o futuro da humanidade aos interesses do agronegócio, das mineradoras e das grandes empresas de energia. Da extrema direita aos governos que se dizem progressistas, vemos a continuidade de políticas de devastação ambiental, expansão da exploração de combustíveis fósseis, destruição de biomas e flexibilização de licenciamentos ambientais. Não existe solução real para a crise climática sem enfrentar os interesses econômicos que lucram com a destruição da natureza.
Os efeitos dessa crise já podem ser vistos diante dos nossos olhos. As enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul em 2024 mostraram como a combinação entre eventos climáticos extremos e décadas de falta de planejamento urbano transforma fenômenos naturais em tragédias humanas. No Paraná, também vivemos as consequências desse processo. Eventos climáticos extremos, como o tornado que atingiu o Rio Bonito do Iguaçu, demonstram que nossa população também está exposta aos impactos do colapso climático. Em ambos os casos, quem mais sofre são os trabalhadores, as periferias, os agricultores familiares e aqueles que possuem menos recursos para reconstruir suas vidas depois das tragédias.
Nós defendemos um programa ambiental que coloque a vida acima do lucro. Isso significa lutar por uma transição energética planejada e controlada pelos trabalhadores, com investimento massivo em transporte público de qualidade, energia limpa, reflorestamento e preservação dos biomas. Significa também garantir que os povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos e comunidades tradicionais tenham suas terras, culturas e modos de vida protegidos, reconhecendo que são justamente esses povos os maiores defensores das florestas e da preservação ambiental. E significa garantir condições dignas para que a juventude possa viver, estudar e trabalhar sem ter sua saúde e seu futuro sacrificados em nome do lucro de uma pequena minoria.
A crise ambiental não será resolvida com promessas vazias, marketing “verde” ou acordos que preservam os lucros das grandes empresas. Defender o meio ambiente exige enfrentar um sistema que transforma tudo em mercadoria, inclusive a própria natureza. Nossa geração tem diante de si uma tarefa histórica: construir uma sociedade em que a produção esteja voltada às necessidades humanas e à preservação da vida, e não ao enriquecimento de uma pequena minoria às custas do planeta inteiro.
No Paraná, essa discussão passa necessariamente pelo modelo de desenvolvimento imposto pelo agronegócio. Nosso estado está entre os maiores produtores de soja do país, mas essa riqueza não se traduz em melhores condições de vida para a população. Ao contrário, a expansão da monocultura concentra terras, incentiva o uso intensivo de agrotóxicos, contaminando o solo, a água e colocando em risco a saúde da população. Além de ameaçar a biodiversidade e fortalecer um modelo voltado principalmente à exportação e ao lucro de grandes proprietários rurais. Enquanto bilhões são destinados ao agronegócio, a agricultura familiar — responsável por grande parte dos alimentos que chegam à mesa da população — continua recebendo muito menos incentivo e enfrentando enormes dificuldades para produzir.
Quando falamos da juventude trabalhadora, também precisamos falar da juventude indígena e quilombola. São milhares de jovens que enfrentam, ao mesmo tempo, o racismo, a falta de acesso a direitos básicos e a ameaça permanente aos seus territórios. A destruição ambiental promovida pelo avanço do agronegócio, da mineração e da exploração predatória da natureza não representa apenas a perda de florestas e rios: significa também o ataque às formas de vida, à cultura, à história e ao futuro desses povos. Defender a juventude é também defender o direito de indígenas e quilombolas existirem, viverem e construírem seu futuro com autonomia em seus territórios.
Por isso, defendemos a demarcação das terras indígenas, a titulação dos territórios quilombolas e a proteção efetiva desses territórios, o combate à grilagem, ao garimpo e ao desmatamento, e a responsabilização das grandes empresas que lucram com a destruição ambiental. A luta pela preservação do meio ambiente é inseparável da luta em defesa dos povos que historicamente protegem esses territórios. Não haverá justiça climática nem um futuro digno para a juventude enquanto os interesses do agronegócio e das grandes empresas continuarem sendo colocados acima da vida, dos direitos dos povos originários e das comunidades quilombolas.
Defendemos:
- Romper com as concessões ao grande agronegócio e às multinacionais do setor.
- Demarcação das terras indígenas e titulação de territórios quilombolas e das comunidades tradicionais com proteção efetiva.
- Expropriar os grandes latifúndios, priorizando terras para quem nela trabalha e produz alimentos para a população.
- Combater o desmatamento e responsabilizar empresas que destroem o meio ambiente.
- Controle dos recursos naturais voltado às necessidades da população, não ao lucro.
- Fortalecimento da agricultura familiar, com crédito, assistência técnica e políticas públicas voltadas à produção de alimentos para a população.
Saúde mental: o capitalismo está adoecendo nossa geração
O adoecimento mental da juventude não pode ser tratado como um problema individual ou como simples incapacidade de “dar conta da vida”. Ansiedade, depressão, burnout e esgotamento emocional aumentaram de forma brutal nos últimos anos, especialmente entre os jovens. E isso não acontece por acaso. Existe uma relação profunda entre o avanço dessas doenças e a forma como vivemos sob o capitalismo.
Vivemos em um sistema que transforma tudo em mercadoria. Tudo gira em torno do dinheiro, da produtividade, da competição e da lógica do desempenho permanente. Estamos pressionados o tempo inteiro a produzir mais, trabalhar mais, estudar mais, render mais e aparentar sucesso o tempo inteiro. Quem não consegue acompanhar esse ritmo é tratado como fracassado, preguiçoso ou insuficiente. A juventude cresce sendo ensinada que seu valor depende da sua capacidade de produzir, consumir e competir.
Para a juventude trabalhadora, essa realidade é ainda mais cruel. Milhões de jovens convivem diariamente com a insegurança financeira, o medo do desemprego, jornadas exaustivas, dificuldade de acesso à educação, violência e ausência de perspectiva de futuro. Não é possível separar saúde mental das condições materiais de vida. O capitalismo lucra enquanto nossa geração adoece física e emocionalmente.
Esse sofrimento também não atinge toda a juventude da mesma forma. Mulheres convivem com a sobrecarga do trabalho doméstico e de cuidados, além da violência de gênero, fatores que agravam o adoecimento mental, especialmente entre as mulheres negras. A juventude negra enfrenta diariamente os impactos do racismo estrutural, da violência institucional e da exclusão social, refletidos em indicadores preocupantes de sofrimento psíquico e suicídio. Pessoas LGBTQIAPN+ convivem com a discriminação, a rejeição familiar e diferentes formas de violência que aumentam significativamente o risco de depressão, autolesão e tentativa de suicídio.
Entre os povos indígenas, a violência, os ataques aos territórios e a destruição de seus modos de vida também produzem profundas consequências para a saúde mental. Essas opressões não existem separadas da exploração capitalista: elas aprofundam as desigualdades e fazem com que determinados setores da classe trabalhadora suportem um peso ainda maior sobre seus corpos, sua saúde e seu futuro.
Mas o adoecimento da nossa geração também tem relação com o avanço do individualismo. O capitalismo transforma tudo em disputa: disputamos vagas, empregos, notas, oportunidades e até reconhecimento social. Aos poucos, a vida coletiva vai sendo destruída e substituída pela lógica de que cada um deve sobreviver sozinho. Isso aprofunda o isolamento, a solidão e a sensação constante de insuficiência que marca tantos jovens hoje.
Nós acreditamos que a vida humana precisa ter outro sentido. O que dá sentido à existência não é acumular dinheiro ou viver para trabalhar até a exaustão. O ser humano se realiza na construção coletiva da vida, na produção do conhecimento, na arte, na cultura, na convivência, no afeto e na possibilidade de transformar o mundo junto com outras pessoas. O trabalho deveria existir para garantir dignidade e desenvolvimento humano — não para destruir corpos e mentes em nome do lucro.
Não é coincidência que os índices de depressão, ansiedade e esgotamento estejam crescendo justamente em uma sociedade cada vez mais desigual, competitiva e individualista. Nossa geração não está adoecendo por falta de capacidade individual. Está adoecendo porque vive em um sistema que destrói perspectivas de futuro e transforma a própria vida em mercadoria.
Defendemos uma sociedade em que seja possível viver com dignidade, ter tempo para descansar, estudar, conviver, criar laços e sonhar com o futuro. Uma sociedade em que a saúde mental não seja tratada apenas com remédios e soluções individuais, mas enfrentada a partir da transformação das condições de vida da classe trabalhadora e da juventude.
Por isso, defender a saúde mental significa muito mais do que ampliar o acesso ao atendimento psicológico e psiquiátrico. Significa enfrentar as condições materiais que produzem esse sofrimento, combater todas as formas de opressão e garantir que a juventude possa viver com dignidade, segurança, tempo para descansar, estudar, conviver e construir um projeto de vida.
Diante desse cenário, as chamadas comunidades terapêuticas têm sido apresentadas como solução para o cuidado de pessoas com sofrimento psíquico e problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas. Na prática, porém, grande parte dessas instituições funciona com isolamento prolongado, disciplina rígida e métodos baseados em convicções religiosas, em vez de um acompanhamento multiprofissional, laico e fundamentado em evidências científicas. Além disso, muitas recebem financiamento público enquanto a rede pública de saúde mental permanece insuficiente e subfinanciada.
Defendemos o fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), com investimento em serviços públicos, gratuitos, laicos e de qualidade, garantindo atendimento humanizado e respeito aos direitos das pessoas em sofrimento psíquico. Somos contrários ao repasse de recursos públicos para instituições denunciadas por violações de direitos e defendemos que o cuidado em saúde mental seja baseado na autonomia, na liberdade e na inclusão social, e não no isolamento, na coerção ou na imposição de crenças religiosas.
Defendemos:
- Ampliação da rede pública de saúde mental, com contratação de profissionais, redução das filas de atendimento psicológico e psiquiátrico e garantia de acesso gratuito a acompanhamento contínuo e à medicação quando necessária.
- Redução da jornada de trabalho sem redução salarial e combate à precarização do trabalho e do ensino, garantindo condições dignas de estudo, descanso e lazer para a juventude.
- Garantia de políticas de permanência estudantil, combate à sobrecarga acadêmica e condições dignas de estudo e trabalho, reconhecendo que saúde mental também depende de tempo para viver, descansar e estudar.
- Fortalecimento do SUS e da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), com ampliação dos CAPS e dos serviços públicos de saúde mental para atender a juventude trabalhadora.
Somente quem tudo produz
Essa candidatura é um instrumento de luta. Não acreditamos que as mudanças virão apenas pelas eleições, mas sim pela organização e mobilização da classe trabalhadora e da juventude.
Por isso, mais do que pedir um voto, queremos construir um movimento capaz de transformar a realidade. Um movimento que organize a classe trabalhadora para que ela decida sobre a própria realidade e não a minoria de super empresários privilegiados. Convidamos você a se somar nessa luta que vai muito além das eleições.