Extrema direita invade a FCL-UNESP/Araraquara e agride estudantes

Rebeldia - Juventude da Revolução Socialista
Extrema direita invade a FCL-UNESP/Araraquara e agride estudantes
Estudantes são agredidos Hagara “do Pão de Queijo”(Avante) e seus assessores

Aline Boneberg, estudante do curso Ciências Econômicas da UNESP-Araraquara e militante do Coletivo Rebeldia

Na manhã de hoje (11), a Faculdade de Ciências e Letras de Araraquara (FCLAr), da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP), amanheceu piquetada, conforme deliberação da última assembleia estudantil da unidade, que aprovou paralisação para o dia de hoje e estado de greve, com assembleias dos cursos ao longo da semana para deliberar sobre a adesão à greve unificada das estaduais paulistas.

Diante da mobilização legítima dos estudantes em defesa da universidade pública, o pré-candidato a deputado estadual da extrema direita Hagara “do Pão de Queijo”(Avante), acompanhado de assessores e social media, invadiu a unidade com o objetivo de atacar o movimento estudantil e produzir conteúdo político provocativo para suas redes.

O grupo tentou retirar à força as cadeiras colocadas pelos estudantes nos acessos às salas, numa clara tentativa de romper o piquete organizado democraticamente. Além disso, arrancaram cartazes políticos e materiais confeccionados pelos estudantes durante toda a manhã em apoio à paralisação.

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Estudantes enfrentam a extrema direita na UNESP

Provocações e violência contra o movimento estudantil

Diante da agressão ao movimento, estudantes organizaram um cordão humano para proteger os espaços e os materiais políticos. A resposta da extrema direita foi a violência: empurrões, agressões físicas, ataques contra estudantes — inclusive mulheres — e intimidação contra aqueles que registravam a situação com celulares, que chegaram a ser derrubados durante a confusão.

A extrema direita vem tentando transformar as universidades públicas em palco para ataques políticos e campanhas de criminalização do movimento estudantil. O objetivo é desmoralizar as mobilizações, atacar o direito democrático de organização e construir narrativas fraudulentas nas redes sociais para apresentar estudantes como “violentos” ou “baderneiros”.

Segundo relatos e registros feitos no local, o próprio pré-candidato chegou a se jogar no chão em diferentes momentos para simular agressões e produzir vídeos manipulados para suas redes, enquanto atacava fisicamente estudantes da universidade.

Mobilização em defesa da universidade pública

Enquanto isso, centenas de estudantes de diversos campi da UNESP se deslocavam para São Paulo para participar do ato unificado em frente à reitoria da universidade, onde ocorreria a reunião do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (CRUESP) com o Fórum das Seis — entidade que reúne sindicatos de docentes, funcionários e estudantes das universidades estaduais paulistas e do Centro Paula Souza.

A mobilização exigia negociação imediata das pautas estudantis e dos trabalhadores: permanência estudantil, ampliação das bolsas, contratação de professores, melhoria das condições de infraestrutura, aumento do orçamento das estaduais e combate à precarização que atinge há décadas a Universidade de São Paulo (USP), a UNESP e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). [Leia aqui]

CRUESP cancela reunião diante do avanço das mobilizações

No entanto, diante do crescimento da mobilização, a reitora da UNESP, Maysa Furlan, cancelou a reunião do CRUESP. A decisão demonstra, mais uma vez, a postura das reitorias de fugir do diálogo enquanto estudantes e trabalhadores enfrentam diariamente o sucateamento das universidades.

Mesmo com o cancelamento, o ato foi mantido e reuniu estudantes da USP, UNESP e Unicamp no centro de São Paulo. A resposta do Estado foi repressão: bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela Polícia Militar (PM) contra os manifestantes e provocações organizadas por figuras da extrema direita, como Rubinho Nunes e Adrilles Jorge, que compareceram ao local para atacar politicamente o movimento estudantil.

Importante pontuar que, na madrugada de domingo (10), a PM invadiu a ocupação da reitoria da USP e reprimiu violentamente os estudantes que exigiam a reabertura das negociações sobre as pautas de permanência estudantil. Bombas de gás, agressões e prisões marcaram a operação organizada pela PM do governo Tarcísio contra estudantes em luta.

Ofensiva da extrema direita contra as universidades pública

Existe uma ofensiva articulada da extrema direita contra as universidades públicas e contra qualquer forma de organização independente da juventude e da classe trabalhadora. O objetivo é criminalizar as greves, desmoralizar o movimento estudantil e produzir narrativas manipuladas para atacar estudantes que lutam por direitos básicos.

Os estudantes das estaduais paulistas estão lutando para garantir condições mínimas de permanência para filhos e filhas da classe trabalhadora dentro da universidade. Lutam contra a falta de bolsas, a precarização dos bandejões, o déficit de professores, o sucateamento da infraestrutura e o projeto privatista do governo Tarcísio.

Em defesa da educação pública e do direito de organização

Por isso, a luta que hoje se desenvolve nas estaduais paulistas precisa ser unificada e nacionalizada. A defesa da educação pública exige a unidade entre estudantes, trabalhadores técnico-administrativos e docentes, enfrentando conjuntamente os governos, as reitorias e os setores da extrema direita que atacam o direito de organização e mobilização.

Exigimos da direção da FCLAr e da reitoria da UNESP um posicionamento imediato sobre as agressões ocorridas em Araraquara, além de medidas concretas para garantir a segurança dos estudantes e impedir novas ações violentas dentro da universidade.

— Toda solidariedade aos estudantes agredidos da UNESP e da USP;
— A extrema direita não intimidará o movimento estudantil.

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