Nos últimos dias de campanha do 1º turno das eleições, a polêmica envolvendo um suposto plano de Flávio Bolsonaro de retirar o título de Nossa Senhora Aparecida como "Padroeira do Brasil" praticamente monopolizou o debate político.
Para além da esfera religiosa, o caso chama atenção para uma questão importante: como o público evangélico, cuja maioria votou em Lula em 2002, ganhou protagonismo político e se constitui, hoje, como uma das principais bases do bolsonarismo e da extrema direita?
Ascensão do protestantismo
A história de Nossa Senhora Aparecida não surgiu do nada. Em agosto, Flávio Bolsonaro afirmou, caso eleito: "um dos meus primeiros atos será decretar que o Brasil é do senhor Jesus Cristo". Sua estreita ligação com a Igreja Lagoinha de André Valadão (envolvida no escândalo do Banco Master) e lideranças dos setores mais reacionários do neopentecostalismo, como Silas Malafaia e Valdemiro Santiago, conferem argumentos a futuros eventuais ataques à laicidade do Estado num novo governo Bolsonaro. Como, aliás, vimos durante o mandato de seu pai.
A fala de Flávio Bolsonaro não expressa apenas um aspecto religioso individual de sua fé, mas um aceno a uma base que o bolsonarismo vem cativando. A eleição de Jair Bolsonaro em 2018 contou com o voto de quase 70% dos evangélicos, sobretudo do público das igrejas pentecostais e neopentecostais. Pesquisas como a do Datafolha, nas vésperas das eleições de 2022, apontaram uma proporção idêntica do eleitorado evangélico. Agora, em 2026 e às vésperas do 2º turno, pesquisa Meio/Ideia divulgada no dia 21 de outubro mostra a preferência de 69,7% ao bolsonarismo, contra 25,9% para a reeleição de Lula. Isso sugere que a extrema direita ganhou e fidelizou parte significativa do campo evangélico no Brasil.
Ao contrário do que possa parecer, no entanto, é rasa a ideia de que a população evangélica é intrinsecamente alinhada à ultradireita, ou um conjunto alienado e facilmente manipulável por líderes religiosos. O crescimento dos evangélicos nas últimas décadas, e o peso do fundamentalismo religioso nos últimos anos, conta com bases bastante concretas.
De um lado, existe um processo de "transição religiosa" do catolicismo para o protestantismo desde pelo menos os anos 1970, seguindo a migração massiva, a urbanização desenfreada e o aprofundamento das desigualdades sociais. Segundo o pesquisador Juliano Spyer, em sua obra "O Povo de Deus", "as igrejas evangélicas funcionam como estado de bem-estar social informal ocupando espaços abandonados pelo Poder Público".
Ainda segundo Spyer, “igrejas de grande porte, como é o caso da Universal, oferecem programas sociais que incluem apoio a pessoas em situação de rua e a dependentes químicos, ajuda a mulheres vítimas de violência e iniciativas para reintegrar à sociedade pessoas que estiveram presas e cumpriram suas penas.” É conhecido o trabalho sistemático das igrejas junto à população carcerária, acessando um dos setores mais pobres e oprimidos da sociedade.
A descentralização e autonomia das diferentes denominações, por sua vez, facilitaram uma capilarização das igrejas nas comunidades, bairros periféricos e favelas. Lá, constituíram, além do “trabalho social”, um espaço de convivência, ajuda mútua, acolhimento e colaboração. “No nível das bases, os grupos evangélicos e pentecostais são com frequência a única forma de sociedade civil disponível às pessoas e podem ter um impacto local importante dando a essas pessoas um caminho para confrontar a violência e a injustiça nos seus contextos locais”, explica o cientista social David Smilde, da Universidade de Tulane (EUA).
Neste contexto, enquanto as chamadas "igrejas reformadas", ou "históricas", como o presbiterianismo e o luteranismo, se restringiam às elites e classes médias, as igrejas pentecostais, como as Assembleias de Deus e a própria Igreja Universal, encontraram amplo espaço entre a população mais pobre.
Assim, as igrejas pentecostais e neopentecostais foram a ponta de lança do avanço evangélico num país em franca transformação. De 5% da população na década de 1970, hoje os evangélicos de todas as vertentes, constituem quase 30%, e projeta-se uma virada nos próximos anos.
Emblocamento e inflexão política
O salto no crescimento dos evangélicos se deu nos anos 2000, quando mal superavam 15% da população. Entre 2000 e 2010 cresceram 61%, alcançando mais de 22%. Embora a maior parte desse setor seja de denominações pentecostais, algo como 57%, que têm como centro o que ficou conhecido como "teologia da prosperidade", ou seja, a busca do enriquecimento pessoal como expressão da bênção divina, não havia ainda uma homogeneização ideológica. Sim, pautas conservadoras sempre estiveram presentes, como o tema do direito ao aborto ou as relacionadas à população LGBTI+, mas não era uma população que se movia prioritariamente por essas questões.
Na eleição de 2002, por exemplo, a primeira vencida por Lula, o candidato do PT conquistou 61% do eleitorado evangélico, grande parte dele egresso da candidatura de Anthony Garotinho no 1º turno. O número não difere muito de outras religiões, como os católicos, por exemplo, em que 66,9% votaram no candidato petista. Ou seja, os evangélicos não se moviam de forma homogênea e autônoma, mas seguiam os passos da própria classe em que se inseriam.

Lula, aliás, recebia, neste momento, o apoio de Silas Malafaia (que apesar de, naquele momento estar à frente da Assembleia de Deus da Penha, sua expressão era mais midiática que uma influência direta sobre os fieis), de Estevam Hernandes da Igreja Renascer e do maior líder evangélico do país, Edir Macedo, da denominação mais dinâmica, o império Universal do Reino de Deus. Seu vice, José Alencar, integrava, inclusive, o PRB (hoje Republicanos), sigla partidária articulada pelo bispo.
O apoio rendeu frutos. Logo no primeiro ano de governo, Lula sancionou a alteração do Código Civil que permitiu que as igrejas tivessem personalidade jurídica própria, e, consequentemente, mais autonomia que possuíam quando eram registradas como meras associações. Simbolicamente, oficializou por lei o Dia Nacional da Marcha Para Jesus, integrando o evento ao calendário oficial do país.
Tal como fez com os políticos do centrão na base do Congresso Nacional, Lula se aproximou e deu visibilidade às principais lideranças evangélicas pentecostais em seus dois primeiros mandatos. Integrou, por exemplo, Silas Malafaia ao Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o chamado "Conselhão". E as denominações evangélicas, por sua vez, refletindo mais uma vez a ausência de uma homogeneidade política e ideológica, atuavam na prática como partidos do centrão. Ocupar lugares do poder, por exemplo, não era visto como parte de um plano ou uma estratégia maior, mas tão somente garantir privilégios e dinheiro no bolso.

A Igreja Universal, por exemplo, na época, destoando de outras denominações, defendia o direito ao aborto. Uma posição que foi abandonada anos depois, com a sedimentação ideológica das lideranças pentecostais e o emblocamento desse grupo à extrema direita, como veremos adiante.
Essa relação de proximidade entre o governo do PT e lideranças evangélicas prosseguiu durante o governo Dilma. Na campanha de 2010, a então candidata lançou a famosa "Carta ao Povo de Deus", em que afirmava que seu governo não iria legislar sobre direitos básicos das mulheres, como o direito ao aborto, nem atuar para a legalização do casamento homoafetivo. Essa carta foi reafirmada no 2º turno daquele ano, com Dilma se declarando "pessoalmente" contra o aborto e afirmando que o Projeto de Lei Complementar 122, que criminalizava a discriminação e o preconceito de gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero seria aprovado nos termos que não ferissem a "liberdade de crença, culto e expressão e demais garantias".
As eleições de 2010, porém, já demonstravam o início de um processo de desgaste entre o governo e o público evangélico, que se expressaria numa campanha religiosa contra Dilma, instrumentalizada pelo rival, José Serra (PSDB), e uma série de fake news. E aqui ainda podemos perceber uma movimentação dos evangélicos pareada à população em geral, em especial à base social do PT. Dilma enfrentou a questão tentando se aproximar cada vez mais das lideranças pentecostais e fazendo concessões à bancada evangélica. Um marco desse processo foi o projeto "Escola Sem Homofobia", que previa um material didático do Ministério da Educação contra a discriminação à população LGBTI+.
O projeto foi utilizado pelos setores conservadores para produzir fake news em massa, alcunhando-o de "kit gay" e denunciando que se tratava de "estimular" o "homossexualismo" nas escolas. Em vez de enfrentar esses setores, o governo do PT fez uma articulação com a bancada cristã (além dos evangélicos, também setores católicos), engavetando o projeto num acordo para também salvar o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, envolvido numa série de escândalos de corrupção.
O segundo governo Dilma marcou, por sua vez, o que seria uma ruptura definitiva com o público evangélico. Lembremos que Dilma, reeleita, num cenário econômico de desaquecimento e contrariando seu discurso de campanha, atacou direitos trabalhistas como o Seguro-desemprego e o PIS-PASEP, e impôs o maior ajuste fiscal da história, que jogou o Brasil na pior recessão do país entre 2014 e 2016.

Vimos, na primeira década dos anos 2000, então, dois processos. O crescimento vertiginoso dos evangélicos, sobretudo das vertentes pentecostais e neopentecostais, uma relação de proximidade com os governos do PT, e a projeção de lideranças que o pesquisador Victor Araújo, do Centro de Estudos da Metrópole (CEM), iria chamar de "brokers". São lideranças que convencem, mobilizam e organizam seu público, de forma centralizada e com uma organicidade que só a capilaridade dessas igrejas possibilitariam.
Assim como boa parte da população, principalmente a classe trabalhadora e os setores mais empobrecidos que compuseram a base social do que ficou conhecido como “lulismo” rompeu com o PT, os evangélicos também o fizeram. E, assim como o bolsonarismo ganhou setores majoritários da classe trabalhadora em 2018, esses setores também acompanharam esse movimento. A novidade agora é que a extrema direita não conquistou apenas eleitoralmente a maior parte dos evangélicos, mas consolidou uma hegemonia política em setores majoritários deste campo, com atuação fortemente organizada e centralizada por meio de suas lideranças.
Teologia do Domínio: conquistar para governar
Esse movimento veio acompanhado pelo fortalecimento do que ficou conhecido como "Teologia do Domínio", ou "dominionismo", uma vertente surgida nos anos 1970 nos EUA e importada para cá via dirigentes das denominações neopentecostais. A partir de uma leitura fundamentalista e escatológica da bíblia, o que se chama de Teologia do Domínio é, a grosso modo, uma estratégia de ocupação de lugares do poder, agora não mais apenas para benefício próprio de líderes e suas denominações, mas para impor um projeto de país: "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos".
É uma teologia que, ainda que difusa e sem um contorno preciso, teve inspiração no chamado "reconstrucionismo", uma espécie de ultranacionalismo cristão elaborado nos anos 1970 por R. J. Rushdoony, que pregava o retorno a um Estados Unidos idealizado do passado. Um mito fundador de um país construído por homens livres, empreendedores, e, fundamentalmente, protestantes. Não por acaso, essa teologia se fundiu a uma concepção ultraliberal na economia, principalmente à Escola Austríaca, através do genro de Rushdoony, Gary North, sócio do Instituto Mises e que mais tarde fundaria o Institute for Christian Economics (ICE).
O doutor em Teologia pela PUC-PR, Eliseu Pereira, explica o termo reconstrucionismo "no sentido de reconstruir a nação e transformar todos os aspectos da cultura a partir de valores cristãos". Deriva aí uma das bandeiras da extrema direita: o "homeschooling", ou a educação em casa, livre das ideologias "do mundo", para que as futuras gerações reconstruam o mundo sob uma ótica fundamentalista. Mas não só, o reconstrucionismo vai se tornar o pilar de uma ideia mais difusa: a de que os evangélicos, para moldarem a sociedade à sua imagem e semelhança, devem ocupar os mais amplos espaços de poder.
Combina-se, por exemplo, com a chamada "doutrina dos sete montes", segundo a qual "os cristãos devem assumir o domínio das áreas estratégicas da sociedade: família, religião, educação, mídia, lazer, negócios e governo", como explica o teólogo. Tudo para preservar uma idealizada cultura "judaico-cristão" ocidental.
Uma série de thinks tanks passaram a atuar entre as décadas de 1970 e 1980 no sentido de criar uma identidade entre os valores evangélicos e liberais, como a Moral Majority, fundada pelo pastor batista Jerry Falwell. O pastor realizou uma verdadeira cruzada através dos EUA, contra o avanço dos "comunistas e humanistas". Naquele exato momento, quem ocupava a cadeira de presidente dos EUA era Jimmy Carter, do Partido Democrata, o primeiro presidente evangélico do país e batista fervoroso.
Em 1980, quando Carter tentou a reeleição, enfrentou a ampla rejeição dos evangélicos, que votaram majoritariamente em Ronald Reagan, um ex-ator que, embora presbiteriano, não contava com a mesma imagem de um homem religioso que Carter. Muitos analistas vêem Falwell e a Moral Majority como fundamentais para esse processo. Eliseu Pereira considera estas eleições um importante ponto de inflexão pois, a partir dali, os evangélicos norte-americanos, majoritariamente, aderiram ao Partido Republicano e nunca mais saíram.
E aqui entra um ponto importante da influência da Teologia do Domínio: os políticos, e principalmente os presidentes, passaram a ser vistos como instrumentos para seus objetivos político-religiosos, e não propriamente lideranças que expressassem suas crenças. Neste sentido, não haveria uma contradição em apoiar Reagan, ou, hoje, um Trump, que não é exatamente reconhecido por seus bons valores cristãos.
A Teologia do Domínio encontrou no Brasil uma série de especificidades sobre as quais foi obrigada a se adaptar. O mito fundador não poderia ser utilizado num país historicamente católico, o que forçou, de início, um certo ecumenismo com a Igreja de Roma. O termo “cristão”, assim, ganhou prioridade para se referir aos evangélicos, como num discurso do então candidato Jair Bolsonaro durante a campanha de 2018: “O Estado é cristão e a minoria que for contra, que se mude. As minorias têm que se curvar para as maiorias”.
Também diferente dos EUA, aqui essa teologia não apareceu como um movimento de base, mas como discurso das lideranças religiosas, ou seja, se lá foi, de certa forma, de baixo para cima (incluindo a atuação de organizações, fundações e poderosas thinks tanks, etc), no Brasil ela foi imposta de cima para baixo. O que encontra semelhança, porém, é a sedimentação ideológica e o alinhamento à extrema direita de setores majoritários do neopentecostalismo. Nos EUA, hoje, tendo como referência Donald Trump, e no Brasil, o bolsonarismo.
Guerra espiritual encobre guerra social
Neste contexto, a narrativa de que os evangélicos romperam com o PT por conta das chamadas “pautas morais”, por si mesmas, não encontra respaldo na realidade. Sob os governos Lula I e II, e os governos Dilma, lideranças evangélicas tiveram livre trânsito e influência sobre o Planalto. Mais que isso, os governos do PT, ao mesmo tempo em que projetavam o que viriam a ser expoentes da extrema direita evangélica, não hesitaram em rifar os direitos das mulheres e LGBTI's para não perder o apoio desses setores.
O argumento de lideranças evangélicas "progressistas", ou do próprio pesquisador Juliano Spyer, de que falta ao governo Lula e à esquerda "dialogar" com esse público, no sentido de ampliar concessões, amenizar ou omitir certos discursos, não parece fazer muito sentido. Houve diálogo e concessões até demais, o que não impediu que parte significativa dessa base social fosse capturada pela extrema direita.
Diante de uma degradação social e econômica crescente, provocado por um capitalismo em crise, e de esgarçamento do tecido social, saídas como a salvação individual, ou projetos de país com um verniz teocrático, ganham cada vez mais força. A extrema direita e suas lideranças oferecem uma visão da realidade, por mais absurda e hipócrita que pareça, de um mundo decadente provocado pela perda de valores morais, e oferece inimigos para coesionar sua base: o “comunismo”, as LGBTI’s, etc. E uma política: conquistar o poder para combater os inimigos e restabelecer os valores de uma idealizada cultura judaico-cristã. Como expressou o deputado eleito, com a maior votação da história com mais de 3 milhões de eleitores, Lucas Pavanato (PL-SP): ”Vocês são a minoria, e como minoria a gente vai colocar vocês no devido lugar".
A crise em que estamos, nessa perspectiva, não parece como fruto de uma crescente dependência e retrocesso do país, mas de uma maldição provocada pela “idolatria” que poderia ser revertida “consagrando o Brasil a Cristo”. Tornou-se uma face ideológica e religiosa para um projeto autoritário que tem como objetivo elevar a superexploração às suas últimas consequências, entregar o país ao imperialismo norte-americano e erodir as bases das parcas liberdades democráticas conquistadas pós-ditadura militar.
O combate ao fundamentalismo religioso, e à perseguição aos setores mais oprimidos, aos retrocessos aos direitos das mulheres e LGBTI’s, assim, não tem como avançar sem mudar as bases sociais e econômicas sobre as quais eles prosperam.
O que poderia incidir sobre essa população seriam mudanças concretas em suas condições de vida, minando as bases sobre as quais se ampara a extrema direita. Como foi o caso do fim da Escala 6x1 que, apesar de uma série de lideranças evangélicas de grande projeção terem defendido sua manutenção (até com argumentos bíblicos), contou com o apoio de mais de 70% da população, índice que, certamente, abrange parte significativa dos evangélicos.
O combate à extrema direita, assim, não se dá numa “batalha espiritual”, ou em uma guerra religiosa, mas, necessariamente, enfrentando também as condições estruturais que possibilitaram seu surgimento e crescimento. Algo que o governo do PT não foi capaz porque, para isso, teria que romper com o centrão, a burguesia e o imperialismo. Seu projeto de conciliação de classes se resume a continuar administrando a decadência capitalista, com concessões sociais cada vez mais estreitas. Por isso, no 1º turno, se embrenhou numa guerrilha religiosa recorrendo à Nossa Senhora e atiçando uma polarização no ceu, em vez de debater os problemas terrenos.
A tarefa imediata no momento é derrotar eleitoralmente o bolsonarismo nestas eleições. Mas não para validar um novo governo do PT, mas como forma de criar melhores condições para superar a política de conciliação de classes e construir uma alternativa revolucionária e socialista.
Como a história já mostrou, não é possível servir a dois senhores, não é possível governar para os trabalhadores, a burguesia e o imperialismo, e frear o processo de crise e decadência que impulsiona a extrema direita. Tanto a religiosa, quanto a “do mundo”.