Enfraquecimento da extrema direita e os desafios colocados para a classe trabalhadora e a juventude no Brasil e no mundo

Redação
Enfraquecimento da extrema direita e os desafios colocados para a classe trabalhadora e a juventude no Brasil e no mundo
Ato na Av Paulista contra o bolsonarismo Foto Maísa Mendes

Enquanto fechávamos esta edição, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acabava de sofrer uma derrota acachapante nas chamadas eleições de meio de mandato. Sem a maioria no Legislativo, o poder do chefe do imperialismo estadunidense será severamente limitado, e ele pode se transformar num pato-manco até o final do mandato.

Imprevisível, não se sabe ainda qual será sua reação. Dobrará a aposta com ataques militares e econômicos contra outros países, atentará contra o regime de seu próprio país ou se resignará? O certo é que foi uma derrota dos líderes da extrema direita mundial. Isso se combina com a derrota eleitoral de Flávio Bolsonaro no Brasil possibilitada por um grande movimento de massas que escapou do controle do próprio governo Lula.

Também em outros países a extrema direita capacha de Trump passa por maus momentos. Na Argentina, Javier Milei vive um recorde de rejeição em meio a um aprofundamento da crise econômica e social. No Paraguai, o presidente Santiago Peña corre o risco de cair após a quebra do principal banco do país, o Ueno Bank. Peña foi acionista do banco e, em seu mandato, a instituição teve um crescimento exponencial, algo bem parecido ao que aconteceu com o Master aqui, com a diferença que, no Paraguai, 40% da população tinha suas reservas depositadas no banco.

Os ventos estão mudando?

À derrota de Trump e Bolsonaro e à crise dos governos de extrema direita na América Latina, soma-se uma verdadeira onda de mobilizações no outro lado do oceano. Impulsionados principalmente pela juventude, protestos de massa tomam conta de França, Espanha, Portugal e chegam a Alemanha, Itália, Sérvia e Grécia.

A Europa, que vinha testemunhando um vertiginoso crescimento da extrema direita (como nas recentes eleições na Alemanha), vive uma onda de ascenso que, com suas especificidades, bate de frente com uma profunda crise habitacional, alta no custo de vida e deterioração dos serviços públicos.

Certamente os ventos da luta de classes no antigo continente foram fundamentais para inflar as mobilizações que derrotaram Flávio Bolsonaro no Brasil, que, por sua vez, retroalimentam as manifestações por lá, assim como ajudaram a aumentar a rejeição a Trump no coração do império.

Seria precipitado, porém, decretar a morte da extrema direita no mundo. Fruto da decadência capitalista e da desmoralização dos governos dirigidos por partidos ditos de esquerda, as condições para que sobrevivam, e até mesmo se fortaleçam lá na frente, continuam subsistindo.

Organização e luta independente da classe trabalhadora

Nos EUA, o Partido Democrata capitalizou a rejeição a Trump. Longe de ser um partido de esquerda ou da classe trabalhadora, é um partido que administra o imperialismo estadunidense de forma mais previsível que Trump. Mas tampouco abre mão de seu domínio sobre o planeta. Apostar num imperialismo mais humano ou no abandono de uma Doutrina Monroe na América Latina é apostar no erro. Ainda mais num momento de acirramento de uma disputa interimperialista com a China, que abrange o domínio das terras raras no planeta.

Da mesma forma, a derrota eleitoral de Bolsonaro no Brasil foi importante para conter as ameaças às liberdades democráticas da extrema direita, mas o reeleito governo Lula também atacará a classe trabalhadora. Já prepara um pacote de ajuste fiscal que inevitavelmente recairá sobre as costas dos trabalhadores e da juventude.

As mobilizações no Brasil e as manifestações que cortam a Europa mostram que só a ação direta da classe trabalhadora organizada pode conter os ataques que, em cada país, se traduzem cada vez mais em piores condições de vida em prol dos lucros dos grandes monopólios capitalistas, sejam os países governados pela extrema direita, sejam pelos governos “progressistas”.

Nos EUA, a classe trabalhadora precisa se mobilizar contra a inflação, o desemprego e a carestia, sem nenhuma confiança nas direções do Partido Democrata que estão ganhando projeção. No Brasil, não podemos sair das ruas e temos de continuar mobilizados, sem nenhuma confiança no governo Lula, rejeitando qualquer ataque e exigindo nossas reivindicações, como a proteção dos povos originários e a demarcação das terras indígenas.

Uma alternativa revolucionária e socialista

Se a luta independente da classe trabalhadora e da juventude mostra que é a única forma de se contrapor aos retrocessos e ataques, também vai ficando cada vez mais evidente a necessidade de se superar a polarização entre a extrema direita e diferentes alternativas da burguesia que, a seu modo, gerenciam um capitalismo cada vez mais destrutivo, que rouba o futuro da juventude e coloca em xeque até mesmo o futuro da humanidade com a crise climática e ambiental.

Vai se colocando cada vez mais na ordem do dia a necessidade de se construir alternativas da classe trabalhadora que sejam, nos EUA, uma real alternativa ao Partido Democrata e, no Brasil, uma superação à esquerda do projeto falido de conciliação de classes do PT. Assim como na Europa, por mais que as mobilizações se espraiem e abalem os governos de turno, sempre baterão de frente com governos que se apresentam como depositários da confiança das massas, sejam de extrema direita, sejam de esquerda, mas que continuarão conduzindo o mundo rumo à barbárie capitalista.

É necessário uma alternativa de classe, revolucionária e socialista, que aponte um horizonte comunista para a humanidade, uma nova forma de organização da sociedade, sem exploração e nenhum tipo de opressão. Um mundo onde os recursos e o meio ambiente não sejam sugados até o fim em nome do lucro de 0,1% da humanidade, que destrói o próprio planeta para acumular cada vez mais riqueza. Um mundo comunista onde a juventude tenha esperança.

É a isso que se propõe o PSTU e a Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI).

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