Qual opção têm os milhões de paranaenses, que vivem uma vida inteira lutando dia após dia pelo básico para sobreviver? As eleições são de fato um momento em que o povo trabalhador pode decidir o futuro do país? Existe de fato democracia? Essas são perguntas essenciais, ainda mais neste ano de eleições.
As soluções apresentadas pelos mesmos que governam este país há décadas não passam de conversa fiada. Hipocrisia pura. Basta ver que ora estão na direita, ora no centro e até na “esquerda”. Muitos dos que se dizem oposição ao governo Lula estão em seu governo, com ministérios, fato que resulta em diversos cargos apadrinhados. Por outro lado, são os mesmos que o PT diz combater, os "inimigos do povo" tratados a pão de mel por Lula. O caso do União Brasil é um belo exemplo: saiu do governo para se colocar em uma posição mais conveniente nas proximidades das eleições. Mas vejam: foram eles que saíram. Se dependesse de Lula, ainda estariam de mãos dadas.
Aqui no Paraná o roteiro é praticamente o mesmo. Uma disputa desonesta e ridícula para ver quem assume o poder. Ratinho Junior lança Sandro Alex como seu candidato ao governo. Reparem, “o seu candidato”. Não houve sequer debate democrático dentro do PSD, Ratinho indica o candidato quase como se fosse um Rei. Neste processo o que está em discussão não é qual projeto vai melhorar a vida do povo, mas puramente quem ele pode controlar melhor.
Os deixados de lado, não pensaram duas vezes em trocar de navio. Alexandre Curi deixou o PSD e se filiou ao Republicanos, logo após não ser escolhido por Ratinho, com a promessa de ser o candidato ao Senado. Greca tentou se consolidar como candidato pelo MDB, mas aos 45 do segundo tempo voltou para os braços do Ratinho, mesmo depois de ter jurado de pé junto que não seria vice de ninguém. Ao mesmo tempo em que Ratinho abraça Cristina Graeml, sua inimiga de ontem e que foi rejeitada por Sérgio Moro, com objetivo de abocanhar alguns votos da extrema direita bolsonarista. Portanto, essas movimentações deixam nítido que não existe princípio nenhum entre esse povo, vale tudo pelo poder.
Os problemas reais dos trabalhadores ficam debaixo do tapete. As duas faces da mesma moeda tentam colocar a responsabilidade de todos os problemas nos ombros da população diante da urna. Para, no dia seguinte, apontar o dedo na cara do trabalhador e colocar-lhe a culpa: você votou em A, agora espere até a próxima eleição, e vote em B.
Tentam colocar a população entre a cruz e a espada. Tentam nos convencer que é preciso escolher o menos pior, e portanto, é preciso fechar os olhos ou engolir muita coisa a seco.
O escândalo do Master abriu as cortinas, mostrou a verdadeira face desse sistema, onde os poderosos sentam com as mais altas autoridades do país para tomar whisky e fumar charuto, enquanto discutem seus interesses. Assim como as alianças do governo Lula com centrão, vide a aprovação do arcabouço fiscal e por aí vai. E o PT também tem figuras importantes, como Jaques Wagner, envolvidos com Vorcaro. Eles são muito bons em criar cortinas de fumaça para encobrir os reais problemas dos trabalhadores.
Progressistas, afinal de contas, o que defendem?
Quem é a “esquerda”? Ou o campo “progressista democrático”? Estes são, aqui no Paraná, a chapa que está sendo encabeçada por Requião Filho, agora no PDT. Este já passou um bom tempo no PMDB, o atual MDB, partido de figuras como Michel Temer. Depois passou pelo PT, e logo saiu fazendo muita crítica ao Governo Lula e ao próprio PT. Foi para o PDT pela oportunidade de ser candidato ao governo, assim como seu pai.
Mas seria o PDT um partido de esquerda? Bom, podemos neste caso usar uma frase de Marx, muito repetida pelo Requião pai, “a prática é o critério da verdade”. Embora muito repetida por ele, nos parece que não entendeu sequer uma sílaba. O PDT votou em peso na PEC da Bandidagem; em 2019 vários deputados votaram a favor da reforma da Previdência, assim como em diversos outros casos que atuaram ativamente contra os trabalhadores.
Se o partido não é de esquerda, a família Requião muito menos. O pai tem posições asquerosas e só tem relevância na esquerda por conta de poucas benesses para uma parte dos trabalhadores do estado (notadamente os professores) quando o capitalismo no Brasil e no Paraná permitia pequenas concessões. O filho tem posições ambíguas para dizer o mínimo: aborto? O que está na lei está bom. Militarização das escolas? Não nesse modelo atual. Privatizações? O Estado tem que comprar ações para ser acionista majoritário. É esse o candidato que vai “derrotar” os fascistas no Paraná.
A verdade é que a esquerda virou qualquer coisa. Perderam-se princípios básicos como a independência de classe. Venderam a alma e abandonaram os projetos em defesa dos trabalhadores para chegar ao poder. Vendem as migalhas e os programas para não deixarem os pobres morrerem de fome como seus grandes projetos e tentar manter seu curral eleitoral. Umas das críticas que Requião fez quando saiu do PT foi em relação ao pedágio do Paraná, privatizado em parceria de ratinho com Lula. E ele estava correto nesta crítica, na época de campanha Lula veio a Curitiba mentir, dizendo que se tivesse pedágio não passaria de R$ 5.
Essa gente não é muito diferente da direita em muitas coisas. Nos dizem fazer o que a correlação de forças permite. Sendo necessário tais acordos de governanças e que deveriam entender o momento histórico. Em 2022, o discurso era eleger Lula para derrotar a extrema direita nas eleições. Agora o discurso é eleger Lula, ainda para derrotar a extrema direita, mas é preciso ir além: derrotar o “Congresso Inimigo do Povo”. Só esqueceram de avisar que é com esse mesmo congresso que os governos do PT governaram e pretendem governar se chegarem ao sexto mandato.
Para nós, é justamente a política de conciliação do PT e cia. que vêm dando espaço para a ultradireita, combinado com a crise do sistema capitalista. O PSOL nas últimas eleições decidiu apoiar Lula já no primeiro turno, pois a candidatura de Lula iria revogar a reforma da Previdência e trabalhista, algo que sequer passou pela cabeça de Lula nestes últimos 4 anos. Hoje vão apoiar novamente Lula desde o primeiro turno, dessa vez sem qualquer exigência. Quem aprovou o arcabouço fiscal? Quem não revoga nenhuma das reformas? Quem apoiou Artur Lira e Davi Alcolumbre para presidência da Câmara e do Senado, “os inimigos do povo”?
A verdade é que palavras aos ventos não transformam o mundo (de fato a prática é o critério da verdade). Com base nisso, podemos dizer que eles não falam a verdade. E também não adianta ficar criticando o governo de vez em quando, muitas vezes até chamando Lula de neoliberal com Jonel Manuel faz, e, na hora do “vamos ver”, aparecem os reis das táticas, os campeões da retórica para justificar suas posições oportunistas.
Nossa libertação não sairá das urnas!
Ir às urnas de dois em dois anos é de fato democrático? Os eleitos sempre se elegem com o discurso de que resolveram nossos problemas, mas a vida não muda. A única coisa que muda são as contas bancárias dos eleitos e os avalistas de suas campanhas.
O jogo eleitoral é dominado pelos grandes empresários, pela Faria Lima que dá credibilidade a um candidato. O processo é marcado por regras antidemocráticas, desde o financiamento de campanha desproporcional até a mídia completamente seletiva e cúmplice do sistema. Para entrar no jogo com possibilidade de vitória é preciso vender a alma. Ou seja, obedecer às regras do jogo, que é considerado totalmente “legítimo”.
O sistema nos convence que essa é a única opção para batalhar por melhores condições de vida. Vota-se em alguém passando uma procuração para representar você. Mas essa pessoa faz o que bem entender e sua única alternativa é esperar sentado por quatro anos para arriscar a sorte com outro na próxima eleição. Depois de anos apostando nas eleições do sistema, os trabalhadores começam a ver as instituições desse sistema ruir. O número de abstenções nas últimas eleições é um retrato disso.
É inclusive nesse sentimento de revolta que a extrema direita tenta se apresentar como a alternativa antissistema. Porém, eles são parte de tudo isso, representam uma ala dos capitalistas que apostam na saída da crise com o aumento da barbárie, ou seja, aumentar a precarização dos trabalhadores, cortando direitos, incentivando o individualismo, incentivando as opressões, aumentar a destruição da natureza e por aí vai. Basta ver suas posições diante da discussão sobre o fim da escala 6x1.
Já os ditos progressistas tentam salvar e reconstruir a confiança nas instituições. Esta é a grande tarefa que Lula, PT e seus puxadinhos tomaram para si. A defesa da democracia, como dizem eles. Democracia pra quem? Que democracia temos nas periferias? Que democracia tem os trabalhadores diante de seus patrões e pressionados pela necessidade de colocar comida na mesa? O objetivo deles é remendar as fissuras no sistema de exploração brutal que é o capitalismo. Manter a exploração controlada, conter possíveis explosões sociais, utilizando para isso todos os meios possíveis, inclusive usando a classe trabalhadora como bucha de canhão. Essa farsa chamada eleições é um arma poderosa para iludir os trabalhadores e setores oprimidos da sociedade.
Nós queremos plantar dinamite nas fissuras desse sistema e colocar abaixo essa sociedade podre e, sob os seus escombros, erguer um novo sistema social que garanta de fato uma vida digna a todos, sem exploração e opressão, onde o trabalho seja obrigatório e a produção seja voltada a atender às necessidades do coletivo.

Poder para os trabalhadores! Samuel de Mattos Governador e Bia Deputada Estadual no Paraná!
Esta não vai ser uma tarefa fácil e muito menos realizada de forma individual. Estamos propondo revolucionar a nossa sociedade e isso só será possível implementar de forma coletiva e ativa cotidianamente.
O PSTU não quer governar para os trabalhadores. Mas organizar os trabalhadores por local de trabalho e de moradia para discutir e decidir sobre tudo que será feito. Queremos que cada obra do bairro seja discutida pelos moradores, assim como o direito de acompanhar sua execução e acesso livre à prestação de contas de cada grão de areia. Por exemplo, podemos determinar que a cada 15 dias tudo ficará fechado pela manhã para que a população faça assembleias e discutam os problemas do bairro e como cada um deles serão resolvidos.
Para garantir a implementação da resolução dos problemas elegeremos conselhos executivos com mandatos revogáveis e salário igual ao de uma professora. Nenhuma regalia para os eleitos, os representantes do povo não podem melhorar de vida se o conjunto da população não melhora a sua. Ou seja, estes deverão prestar contas constantemente, e caso pisem na bola, serão substituídos de forma imediata e sancionado diretamente pelas assembleias populares de bairro.
Em continuidade, a assembleia de bairros deve eleger representantes para órgãos regionais, municipais, estaduais e nacionais, devendo todos seguir os mesmos critérios: mandatos revogáveis e salário de uma professora. Queremos o povo discutindo tudo de forma ativa e contínua, esta é a única forma da classe trabalhadora garantir uma vida digna e desfrutar de tudo que é produzido por nós mesmos.
É com este projeto que o PSTU e suas candidaturas se comprometem em agitar nas ruas, nos bairros e nas fábricas. Não se trata de dizer "vote em nós e faremos por vocês", e sim de organizar os trabalhadores contra a extrema direita, os bilionários e as multinacionais. Quem aceita a aliança com os capitalistas acaba administrando o sistema em crise, como fez o PT. Somente com um governo dos trabalhadores sem capitalistas se derrota a direita pra valer e se garantem conquistas. Cada voto em nós fortalece essa luta.