| Lisbeth Moya, direto de Cuba
Na noite de ontem (1 de julho), Leonardo Romero Negrín foi detido com muita violência e permanece detido. Disseram aos seus familiares que dariam notícias às 8h30h, mas seu processo não aparece e que às 10h dariam informações.
Leo foi detido em seu bairro, em Centro Habana, por fazer o que todo cubano deveria estar fazendo neste momento: participar de um panelaço. O panelaço e o protesto em Cuba são legítimos (sempre o são, mas em Cuba ainda mais).
Como é que você mantém um povo doente, desgastado, faminto e sem eletricidade, ao qual enfia goela abaixo uma mudança de sistema econômico, um povo que você não levou em consideração em absolutamente nada nas suas novas medidas porque elas não falam de mudanças políticas nem de direitos mínimos? Como faz isso e seu povo não pode sequer protestar?
Publico uma foto do 11J e enfatizo a violência porque estou farta. Os presos políticos não são o saco de pancadas pessoal da Segurança do Estado nem da polícia.
Leonardo Romero tem sido detido sistematicamente. Ao lado dele vivi, em Cuba, uma pressão política constante. Atentaram contra nós nas esferas mais pessoais, e já basta.
Eu sei que, assim que vocês têm uma distração e ninguém fala, aproveitam para prender definitivamente os incômodos, mas com Leonardo não vai ser assim. Vamos defender Leo e os presos políticos sempre. Faremos isso em cada espaço acadêmico e político, em cada texto jornalístico e nos organismos internacionais, se for necessário.
Se Leo não sair bem e hoje. Se Leo for processado por alguma artimanha, contaremos esta história até o cansaço com a única coisa que temos contra a injustiça: palavra, voz e coração. E fará cada pessoa que a bondade de Leo tocou.
Libertem Leonardo Romero já. E, se não o fizerem, narrativamente vocês terão mais um herói preso, porque ele é. Leonardo Romero Negrín é um herói silencioso: o herói das pessoas de seu bairro, de seus alunos, de todos os que o conhecem.