Há uma crise na campanha de Lula. As pesquisas eleitorais mostram um cenário indefinido e o clima de favoritismo do PT enfraqueceu. Setores ligados ao petismo atribuem os problemas da campanha à comunicação, ao mau uso das redes, à falta de mobilização ou a uma postura defensiva. Pode existir um grão de verdade nisso tudo. Mas a questão fundamental que possibilitou o avanço do bolsonarismo é muito mais profunda.
A explosão do caso Master e a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) atingiram eleitoralmente mais o PT e Lula do que Flávio Bolsonaro, mesmo com o candidato da extrema direita diretamente envolvido em pedido de dinheiro ao banqueiro. Ao mesmo tempo, ministros do STF, o procurador-geral da República e setores do Legislativo, do Centrão, da direita e até do PT aparecem envolvidos em relações com Vorcaro.
O problema é que Lula e o PT são identificados com Alexandre de Moraes e com a defesa do STF como instituição supostamente salvadora da democracia. Isso não surgiu do nada. Nos últimos anos, o PT endeusou Moraes, terceirizou o combate ao bolsonarismo para o STF e chamou os trabalhadores a confiar nas instituições do regime.
Mesmo agora, diante de uma das maiores crises da história do STF, Lula e o PT seguem sustentando essa instituição. Enquanto isso, o bolsonarismo, mesmo defendendo uma ala do próprio Supremo, consegue aparecer como crítico ao STF.
Essa é uma expressão concreta de um problema mais amplo. Lula e o PT aparecem como aqueles que querem conservar e administrar o sistema, enquanto o bolsonarismo tenta se apresentar como antissistema.

O desgaste do projeto do PT
Como resposta, o governo reajustou o Bolsa Família em 15%. É uma medida importante para os mais pobres, mas insuficiente diante dos problemas estruturais do país. O mesmo vale para a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e para o aumento muito pequeno do salário mínimo.
Essas medidas convivem com o arcabouço fiscal, com privatizações, concessões e leilões de petróleo, além da manutenção de uma Petrobras que paga bilhões em dividendos aos acionistas. Inclusive, já está anunciado novo ajuste fiscal em 2027. Por isso, essas medidas não conseguem empolgar amplos setores dos trabalhadores.
O governo tenta combinar pequenas concessões distributivas com direcionar o gasto público, benefícios e incentivos fiscais às grandes empresas, com mais abertura do país para o capital estrangeiro, mantendo a política econômica neoliberal. Esse projeto não rompe com a dependência econômica, não reverte a desindustrialização, não garante soberania e não altera a realidade dos trabalhadores que seguem com baixos salários, empregos precários e alto custo de vida.
A crise atual da campanha de Lula é também expressão do desgaste do próprio projeto do PT e de sua incapacidade de atacar a raiz dos problemas do país.
Medidas para derrotar Trump e o bolsonarismo
O projeto bolsonarista precisa ser enfrentado e derrotado. Quer cortar direitos com um tesouraço semelhante ao que Milei fez na Argentina. Defende aprofundar as privatizações e ampliar a subordinação do Brasil aos Estados Unidos. Flávio Bolsonaro já falou em uma transição tutelada com Trump e Marco Rubio.
Não podemos menosprezar os perigos de Trump e sua ligação com o bolsonarismo, nem as ameaças de agressão contra o país. É necessária ampla unidade de ação caso haja tentativas golpistas, intervenções políticas ou militares, não reconhecimento das eleições ou qualquer manobra autoritária.
Mas a vitória eleitoral de Lula, por si só, não impede a ascensão da extrema direita nem o assédio de Trump.
Para enfrentar isso de verdade é necessário discutir medidas concretas. Lula diz defender a soberania nacional, enqaunto não tem uma política coerente para enfrentar Trump. Trump exige exclusivida na exploração das terras raras. Lula defende entregar ela não só para os EUA mas também para China e Europa. Quando na verdade deveríamos ter uma empresa estatal como condição para que esta riqueza natural fosse colocada a serviço do desenvolvimento do país e dos trabalhdaores.

Por uma soberania de verdade
Não há soberania entregando as riquezas naturais para empresas de vários países. Ou mesmo deixando uma empresa como a Petrobras subordinada aos interesses dos acionistas privados negociada na bolsa de nova iorque. Também é preciso enfrentar a dependência das Forças Armadas em relação aos Estados Unidos e o poder das multinacionais que exploram riquezas no Brasil e remetem seus lucros ao exterior.
Quais medidas o governo brasileiro está adotando diante das ameaças de trump com o caso de classificação das facções como terroristas? Qual será a ação do Brasil caso seja atacado? Qual resposta o governo deu diante do tarifaço? Seguiu negociando com Trump. Seguimos exportando produtos cruciais para a economia dos EUA e não implementamos nenhuma reciprocidade ou retaliaçào. Seguiremos permitindo que as multinacionais dos EUA venham aqui explorem tudo e mandem seus lucros para seu país?
É necessário estatizar os setores estratégicos, para colocar que o lucro gerado por este setor seja utilizado para reindustrializar o país, rompendo a dependencia do imperialismo e atendendo às necessidades dos trabalhadores. Foi por isso que construímos nesta eleição a candidatura dos trabalhadores contra o sistema, com Hertz Dias e Vanessa Portugal.
Debate
O beco sem saída do voto útil em Lula
Diante do atual cenário, o PT responde com a campanha do voto útil. Dizem que votar no PSTU é jogar o voto fora porque não vai ganhar. Defendem que todos votem no PT para supostamente derrotar o bolsonarismo e a extrema direita. Só há um problema: esse filme é repetido.
Em 2022, o argumento era praticamente o mesmo. Era preciso eleger Lula para derrotar Bolsonaro e o autoritarismo. Depois de quatro anos, a extrema direita continua forte. A questão que precisa ser respondida é por quê.
Ao governar com a burguesia e manter intactas as estruturas do sistema, o PT é incapaz de enfrentar as bases sociais que alimentam o bolsonarismo.
Derrotar de fato Trump e o bolsonarismo exige atacar o poder das multinacionais dos Estados Unidos no Brasil, estatizar os setores estratégicos e colocar as riquezas do país a serviço da reindustrialização, da melhoria das condições de vida e dos interesses dos trabalhadores.
O PT faz o contrário disso. Governa em aliança com o Centrão, negocia com as potências imperialistas, atende aos interesses dos grandes grupos econômicos, não enfrenta a cúpula das Forças Armadas e não toma medidas capazes de reverter os problemas estruturais do país.
Por isso, é preciso inverter a pergunta. Quem ajuda a direita, o programa do PSTU ou um governo que mantém as bases econômicas e sociais das quais a extrema direita se alimenta?
Também não estamos diante do primeiro governo do PT, mas do quinto. Nos últimos 40 anos desde a redemocratização, o PT governou o país durante 18 anos.
A lógica de votar sucessivamente no chamado mal menor não impediu o surgimento do mal maior representado pelo bolsonarismo, pelo contrário foi o que levou ao seu fortalecimento.
Mas os petistas respondem a tudo isso dizendo que não há correlação de forças. Então nos respondam: Depois desses últimos 4 anos de governo Lula totalizando 18 na nova republica, a esquerda está em melhores ou piores condições? A classe trabalhadora tem maior capacidade de luta, a organização, estão mais mobilizados, a consciência de classe está mais afiada? Ou não é tudo o contrário? O PT ajudou a desmoralizar os trabalhadores, o movimento e o conjunto da esquerda.
Novo etapismo da esquerda brasileira
Uma nova forma do velho etapismo aparece quando se defende que qualquer aliança política ou eleitoral com setores burgueses seria justificável para derrotar Bolsonaro e Trump, deixando para depois as reivindicações dos trabalhadores e a solução dos problemas estruturais do país.
Essa política separa artificialmente duas tarefas que estão ligadas.
A extrema direita não é um acidente eleitoral. É um fenômeno social profundo, que expressa setores da burguesia, da pequena burguesia e também conquista parcelas dos trabalhadores.
Não será possível derrotá-la de forma duradoura apenas administrando o mesmo sistema que produz desigualdade, precarização, dependência e crise social.
A estratégia de parte da esquerda permanece presa à expectativa de uma volta à uma suposta normalidade sem perigos autoritários do passado, enquanto o capitalismo produz cada vez mais barbárie, polarização, guerra e autoritarismo.
Adiar a independência política da classe trabalhadora à espera de uma correlação de forças supostamente melhor significa, na prática, abandonar a construção dessa alternativa no presente.

No dia 4, é 16
Votar no PSTU é fortalecer um projeto socialista que pode derrotar o bolsonarismo e superar o petismo
É preciso fortalecer outro projeto político, baseado na independência da classe trabalhadora frente aos diferentes setores da burguesia e em um programa que responda aos problemas estruturais do país.
Esse é o caminho estratégico apresentado pelo PSTU para enfrentar a extrema direita, superar o projeto do PT e responder aos problemas provocados pela decadência capitalista que atingem a vida dos trabalhadores no Brasil e no mundo.
Cada voto no Hertz e no PSTU não é um voto jogado fora. Pelo contrário, é um voto que serve para fortalecer esse projeto que depende do engajamento, do debate e do convencimento dos trabalhadores para virem construir ele conosco.