Bahia: Defendemos Hertz Dias (PSTU) para presidente e o voto crítico nas candidaturas da UP

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Bahia: Defendemos Hertz Dias (PSTU) para presidente e o voto crítico nas candidaturas da UP

As eleições de 2026 acontecem em um cenário de aprofundamento da crise social, econômica e ambiental do capitalismo. Enquanto a maioria do povo trabalhador enfrenta o desemprego, a precarização do trabalho, a violência, a destruição ambiental e a falta de acesso a direitos básicos, os diferentes setores da burguesia disputam o controle do Estado para seguir governando em benefício dos grandes empresários, banqueiros, latifundiários e multinacionais.

É nesse contexto que o PSTU apresenta nacionalmente a candidatura de Hertz Dias à Presidência da República. Homem negro, trabalhador, professor e militante socialista, Hertz expressa a realidade e as aspirações da classe trabalhadora brasileira, da juventude explorada e dos povos oprimidos do nosso país. Sua candidatura representa a defesa de uma alternativa socialista e revolucionária, independente dos patrões e dos governos, construída a partir das lutas da nossa classe.

Na Bahia, o PSTU decidiu não lançar candidaturas nestas eleições. Estamos passando por um importante processo de acúmulo de forças e construção partidária. Por isso, neste momento, decidimos concentrar esforços na construção de uma forte campanha da candidatura de Hertz Dias à Presidência da República, fortalecendo o projeto estratégico de construção do PSTU e de uma alternativa socialista para os trabalhadores.

Diante disso e considerando o cenário eleitoral na Bahia, decidimos defender o voto crítico nas candidaturas da Unidade Popular (UP), apesar das diferenças políticas, das críticas e das insuficiências programáticas que mantemos em relação a esse partido.

As razões dessa posição são as seguintes:

1.O PT governa a Bahia a serviço dos grandes interesses econômicos

O PT governa o estado da Bahia há 20 anos de forma ininterrupta. Durante esse período, administrou o estado em aliança com partidos tradicionais da burguesia, de centro e de direita, governando em favor dos interesses dos grandes empresários, do agronegócio e dos grupos econômicos dominantes.

O resultado dessa política está expresso na violência contra a juventude negra e pobre, nas chacinas promovidas pela polícia baiana, nos ataques aos povos indígenas e quilombolas, nos benefícios concedidos ao agronegócio, nos subsídios às grandes empresas, nas privatizações e nos ataques aos servidores públicos e aos serviços essenciais.

Por isso, o PT não representa uma alternativa para a classe trabalhadora baiana.

2. A direita tradicional e a extrema direita tampouco representam uma saída

A candidatura de ACM Neto busca apresentar-se como oposição ao governo Jerônimo Rodrigues. No entanto, representa os interesses da velha oligarquia baiana e dos grupos econômicos que historicamente utilizaram o Estado para defender seus privilégios.

Ao mesmo tempo, sua aproximação com o bolsonarismo evidencia que não existe qualquer alternativa para os trabalhadores nesse campo político. A direita tradicional e a extrema direita compartilham o mesmo compromisso com a manutenção da ordem capitalista, com as privatizações e com os ataques aos direitos sociais.

Um dado revelador destas eleições é que figuras centrais dos dois principais blocos políticos do estado aparecem relacionadas ao escândalo envolvendo o Banco Master, evidenciando como diferentes setores da burguesia disputam o poder dentro de um mesmo sistema político marcado pela influência do grande capital.

3. O PSOL abandonou a independência de classe e se aproximou do PT

Nos últimos anos, o PSOL aprofundou sua integração ao campo político liderado pelo PT. No plano nacional, integra o governo Lula e atua como sua base parlamentar. Na Bahia, participou do governo de transição de Jerônimo Rodrigues e mantém uma postura de adaptação ao projeto petista.

Sua candidatura ao governo estadual não se apresenta como uma alternativa independente dos governos de Jerônimo e Lula. Ao contrário, evita realizar uma crítica consequente à política de conciliação de classes e frequentemente atua como linha auxiliar do PT no enfrentamento à direita tradicional.

Uma candidatura dos trabalhadores deveria combater simultaneamente a direita, a extrema direita e os governos de colaboração de classes. Infelizmente, o PSOL não cumpre esse papel.

4. Por que defendemos o voto crítico nas candidaturas estaduais da UP na Bahia?

O PSTU não defende uma posição abstencionista diante das eleições. Mesmo não apresentando candidaturas próprias na Bahia, entendemos que é necessário indicar uma posição política aos trabalhadores, à juventude e aos lutadores sociais.

Nosso primeiro critério é não apoiar nem as candidaturas ligadas ao PT nem as candidaturas da direita e da extrema direita, pois todas expressam projetos comprometidos com a manutenção do capitalismo e da dominação burguesa.

Nesse sentido, chamamos ao voto crítico nas candidaturas da UP. Fazemos isso apesar das importantes diferenças políticas e programáticas que temos com esse partido e apesar das capitulações que a UP realiza em relação ao governo Lula em âmbito nacional.

Ainda assim, nesta eleição, a UP apresentou-se na Bahia com candidatura própria, mantendo uma identidade política distinta da frente ampla liderada pelo PT. Embora suas críticas ao governo Jerônimo e ao próprio PT sejam tímidas e insuficientes do ponto de vista de uma oposição socialista consequente, a UP não integra a chapa petista nem adere a ela de forma indireta, como ocorre com a candidatura do PSOL.

Além disso, compartilhamos diversas lutas concretas com a militância da UP em Salvador e reconhecemos que sua candidatura se situa à esquerda dos principais projetos burgueses em disputa no estado. Por essas razões, defendemos o voto crítico em suas candidaturas.

Ao mesmo tempo, chamamos a vanguarda socialista e revolucionária, os trabalhadores, a juventude e os setores oprimidos a fortalecerem a campanha de Hertz Dias à Presidência da República pelo PSTU e a se organizarem na construção de uma alternativa socialista e revolucionária para o Brasil. Mais do que uma disputa eleitoral, trata-se da tarefa estratégica de construir uma ferramenta política da classe trabalhadora capaz de enfrentar o capitalismo e lutar por uma sociedade socialista.

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