O ato realizado no dia 14 de maio, na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), no Largo São Francisco, em São Paulo, marcou um importante avanço na campanha internacional em defesa de Zé Maria, presidente nacional do PSTU, e contra a criminalização da solidariedade ao povo palestino. A atividade reuniu cerca de 300 pessoas e expressou uma ampla unidade de ação entre organizações políticas, movimentos sociais, sindicatos, parlamentares, ativistas e entidades em defesa da Palestina.
A condenação de Zé Maria a dois anos de prisão, pela Justiça Federal, é parte de uma ofensiva articulada pelo lobby sionista e pela Confederação Israelita do Brasil (Conib) com o objetivo de criminalizar e silenciar vozes que denunciam o genocídio do povo palestino e o caráter criminoso do Estado de Israel.
Estudantes da USP em greve
O ato foi conduzido pela jornalista palestino-brasileira Soraya Misleh e por Weller Gonçalves, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, e teve início com uma saudação de Julia Silva, diretora do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP e integrante do Coletivo Rebeldia, representando os estudantes em greve.
“Neste momento, estamos realizando uma forte greve estudantil contra a política de privatização e precarização das universidades paulistas pelo governador Tarcísio, que tem respondido com violência e repressão. Da mesma forma que age a Justiça Federal ao condenar Zé Maria por denunciar o genocídio do Estado de Israel contra o povo palestino. O ataque ao Zé Maria é um ataque a todos nós, pois abre um precedente à criminalização de todos os lutadores”, afirmou Julia.
“Não irão nos calar”
Em seguida, Zé Maria realizou seu pronunciamento. Sobre sua condenação por defender o povo palestino, afirmou: “Todos sabemos que não é por um suposto racismo meu contra o povo judeu o motivo da condenação a dois anos de prisão pela Justiça Federal de São Paulo. Essa acusação é o último e desesperado recurso que os sionistas usam para tentar defender o indefensável, que é o genocídio que o Estado de Israel pratica contra o povo palestino”.
Em seguida, completou: “Vou repetir aqui o que disse no ato lá na Avenida Paulista, que foi a expressão do nosso apoio à resistência do povo palestino e o rechaço à caracterização de terroristas que lhe é atribuída. Achamos que todo ato de força e violência do povo palestino contra o Estado colonizador de Israel é legítimo”.
“Silenciar Zé Maria é tentar silenciar uma geração”
Um dos momentos mais emocionantes do ato foi a fala da estudante da USP e militante do PSTU Mandi Coelho, integrante da Global Sumud Flotilla. Em seu depoimento, ela relacionou a perseguição contra Zé Maria à tentativa de intimidar toda uma geração de lutadores políticos.
“Não é por acaso que eles querem calar o Zé Maria. Silenciar o Zé Maria significa silenciar uma geração que se levantou e ousou enfrentar a ditadura militar e lutou pelas liberdades democráticas. Eles querem deixar um recado”, afirmou.
Mandi também relembrou a experiência traumática vivida durante a missão internacional da flotilha em solidariedade à Palestina. “Fomos 188 pessoas sequestradas pelas forças israelenses em águas internacionais, quase 48 horas encarceradas em uma prisão em alto-mar. Fomos torturados física e psicologicamente”, relatou.
Em um dos trechos mais fortes de sua fala, Mandi contou que lembrou da trajetória de Zé Maria enquanto enfrentava a repressão israelense. “Quando estava lá, passando por tortura, pensei em tanta gente e uma das pessoas foi você, Zé Maria. Lembrei da sua história de luta contra a ditadura, de quando você chorou contando essa história, porque dói. Dói na sua carne e na carne de um povo”, disse.
União de vozes
A mesa do ato contou ainda com a presença de parlamentares e dirigentes do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), como Mariana Conti, do Movimento Esquerda Socialista (MES), e Sirlene Maciel, da tendência Semear; personalidades do Partido dos Trabalhadores (PT), entre elas Breno Altman e José Genoíno; da deputada argentina Cele Fierro, da Liga Internacional Socialista (LIS); além do dirigente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Jamil Murad.
Também participaram representantes da Central Sindical e Popular – Conlutas (CSP-Conlutas), da Intersindical, de movimentos em defesa da Palestina, como Vozes Judaicas pela Libertação, Frente Palestina de São Paulo e Global Sumud Flotilla, além de diversos sindicatos, movimentos populares e organizações políticas como Corrente Socialista de Trabalhadoras e Trabalhadores (CST), Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT), Revolução Socialista (RS/PSOL) e Unidade Popular (UP).
Abaixo-assinado
Como parte da mobilização, segue a coleta de assinaturas do abaixo-assinado on-line, que já ultrapassa 5 mil adesões. Assine e divulgue!