Enquanto expõe ao mundo cada vez mais seus crimes contra a humanidade e aprofunda as atrocidades contra o povo palestino, o Estado genocida de Israel tratou, mais uma vez, de tentar silenciar e intimidar a solidariedade internacional: sequestrou, em 18 e 19 de maio último, 428 ativistas dos barcos remanescentes da Global Sumud Flotilha, dentre os quais quatro brasileiros: Ariadne Teles, Cássio Pelegrini, Beatriz Moreira e Thaiana Rogério. Apesar do poderio militar, no plano político isso dá mostras de fraqueza, não de força.
A imagem do ministro sionista Itamar Ben-Gvir humilhando os ativistas internacionais sequestrados da flotilha, obrigados a se ajoelhar e com algemas enforca-gato apertadas, enquanto lhes era imposto ouvir o hino israelense, evidencia mais uma vez a cara feia desse Estado. A tal ponto que num gesto desesperado diante da condenação mundial crescente, o primeiro-ministro genocida Benjamin Netanyahu chegou a afirmar que o ato “não se coaduna com os valores de Israel”.
Trata-se de uma demonstração da crise interna sionista diante de um projeto que começa a ruir. E beira o ridículo, uma vez que o que se “coaduna com os valores de Israel” está mais do que documentado: genocídio, limpeza étnica, expansão colonial agressiva,apartheidcontra o povo palestino.
Aos 78 anos da Nakba

Não caberia numa página descrever os crimes contra a humanidade contra os palestinos há mais de 78 anos. Estes crimes incluem, na busca de solução final na contínua Nakba – catástrofe palestina cuja pedra fundamental é a formação do Estado racista e colonial sionista em 1948 –, atrocidades inimagináveis.
Os horrores a que Israel submete os palestinos abrangem expulsão e ataques violentos dos colonos na Cisjordânia, onde não há um único dia sem que palestinos sejam assassinados, cercados, vilipendiados, presos. Os crimes do Estado terrorista vão do estupro de palestinos, homens e mulheres, inclusive com cães e objetos, nas masmorras sionistas, em que as torturas são inomináveis, ao bombardeio de hospitais, escolas, casas, tendas de deslocados em Gaza, no genocídio que continua, queimando vivas famílias inteiras.
Ainda, cerco criminoso à estreita faixa e impedimento da entrada de ajuda humanitária necessária diante da imposição da fome, sede e total falta de condições de vida – crimes que a flotilha insiste em denunciar e expor ao mundo.
Israel se sentiu tão à vontade para seguir com a matança, avalizado por cumplicidade internacional histórica, que não mais se preocupa em esconder seus crimes. Em meados de maio, o Parlamento sionista deu mais um passo para justificar a execução de presos políticos palestinos ao aprovar a formação de um “tribunal militar especial” para definir quem vai ser enforcado em praça pública por ter ousado resistir ao seu algoz – um direito legítimo dos povos sob colonização.
Palestina livre, do rio ao mar
Acelerar o início do fim do projeto colonial sionista
Essa percepção de impunidade de Israel sinaliza o começo de sua ruína. A imagem de Israel nunca esteve tão arranhada. No coração do imperialismo, os EUA, uma pesquisa do Pew Research Center realizada entre 23 e 29 de março último revela que a visão negativa sobre Israel já alcança 60% da população. “Seis em cada dez estadunidenses têm uma visão muito ou um tanto desfavorável de Israel, um aumento de sete pontos percentuais em relação ao ano passado e de quase 20 pontos desde 2022.”
Lamentavelmente, a maioria dos governos, contudo, evita ir além de declarações e condenações formais. Não cogita romper relações com o Estado genocida e ainda permite ao lobby sionista atuar livremente em seus territórios na criminalização, intimidação e silenciamento das vozes que se recusam a se calar diante de um genocídio.
É o que se vê também no Brasil. A condenação em primeira instância de Zé Maria (leia mais ao lado) é emblemática nesse sentido e um grave precedente que precisa ser barrado como ampla defesa democrática à liberdade de expressão e manifestação da solidariedade ao povo palestino.
É esse ambiente que a máxima da flotilha expõe: “Quando os governos falham, nós navegamos”. Quando os governos falham, nós marchamos.
No Brasil, passou da hora de ampliar a mobilização, as denúncias dos crimes de Israel contra a humanidade e aumentar a pressão ao governo Lula pela ruptura de relações com o Estado genocida. Ao mesmo tempo, exigir a imediata libertação das(os) brasileiras(o) sequestradas(os) neste momento da flotilha, dos demais ativistas e dos mais de 9 mil presos políticos palestinos.
Está nas mãos da solidariedade internacional a tarefa de ecoar as vozes palestinas e acelerar o declínio do projeto colonial sionista. A resistência palestina ensina o caminho.