A interceptação violenta da flotilha humanitária internacional que seguia rumo a Gaza provocou indignação mundial e colocou o governo de Benjamin Netanyahu no centro de novas denúncias de violações do direito internacional. Entre os 428 ativistas sequestrados pelas forças de ocupação israelenses estão quatro brasileiros. Duas delas, Ariadne Telles e Thainara Rogério, iniciaram greve de fome exigindo libertação imediata e acesso jurídico e consular.
A ação militar ocorreu em águas internacionais e atingiu embarcações civis que transportavam ajuda humanitária e denunciavam o bloqueio imposto à Faixa de Gaza. Segundo relatos da coordenação da Global Sumud Brasil e da Coalizão Freedom Flotilla, os participantes foram mantidos incomunicáveis por mais de 30 horas, sem contato com advogados, familiares ou representantes diplomáticos.
Além de Ariadne e Thainara, também foram sequestrados Beatriz Moreira, militante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), e o médico pediatra Cássio Pelegrini, integrante da embarcação Cabo Blanco Boat.
Ataque militar contra civis desarmados
A marinha israelense utilizou força militar pesada contra uma missão composta por médicos, estudantes, jornalistas, advogados e defensores dos direitos humanos de mais de 40 países. Em diferentes momentos da operação, forças especiais abriram fogo contra embarcações civis, utilizaram canhões de água e realizaram colisões deliberadas contra barcos da flotilha.
Uma das embarcações, a Ramle (Sirius), chegou a cerca de 80 milhas náuticas da costa de Gaza antes de ser violentamente atingida e interceptada pelas forças israelenses. Outra embarcação ficou a menos de 100 milhas da costa palestina antes do ataque final.
A operação foi acompanhada diretamente por Netanyahu e pelos altos comandos militares israelenses em uma sala de guerra da Marinha. O primeiro-ministro chegou a parabenizar as forças de ocupação pela ação para impedir o rompimento do bloqueio contra Gaza.
Cerco, fome e genocídio
A tentativa de criminalizar a flotilha acabou produzindo o efeito contrário. A violência empregada contra civis desarmados expôs ainda mais a realidade do cerco imposto ao povo palestino e aprofundou a solidariedade internacional à Palestina.
Nenhum Estado mobiliza sua estrutura militar máxima contra pequenas embarcações humanitárias sem revelar medo político. O alvo não eram apenas os barcos. O que Israel tentou conter foi o avanço de uma denúncia internacional contra o apartheid, a ocupação e o genocídio em curso em Gaza.
O bloqueio deixou de aparecer como simples “medida de segurança” e passou a ser visto cada vez mais como um sistema permanente de fome forçada, confinamento e punição coletiva sustentado pela violência militar e pela cumplicidade das potências imperialistas.
Pressão internacional cresce
A coordenação da Global Sumud Brasil encaminhou ao Ministério das Relações Exteriores um pedido urgente para que o governo brasileiro cobre informações imediatas sobre os sequestrados, exija acesso consular, condene publicamente a interceptação ilegal e pressione por libertação imediata dos ativistas.
Enquanto isso, protestos se multiplicam em diferentes países. Segundo os organizadores, mais de 500 mil pessoas já enviaram cartas a governos exigindo responsabilização de Israel e proteção aos participantes da flotilha. Novas mobilizações estão sendo convocadas em portos, universidades e centros urbanos ao redor do mundo.
A ofensiva israelense demonstrou mais uma vez que a manutenção do cerco a Gaza depende de repressão brutal e silenciamento internacional. Mas também evidenciou que cresce, em escala global, uma rede de solidariedade disposta a desafiar o isolamento imposto ao povo palestino.
Palestina livre do rio ao mar, já!