Após três dias e meio de intensos debates, entre 18 e 21 de abril, o 6º Congresso da CSP-Conlutas terminou reafirmando seu caráter sindical, popular e de independência de classe. O evento reuniu cerca de 1.400 ativistas de todo o país entre delegados eleitos na base, observadores e convidados de diversas organizações da classe trabalhadora e dos setores populares.
Realizado no Clube Guapira, na Zona Oeste da cidade de São Paulo, o congresso marca a consolidação da central como uma alternativa de luta e independente diante das grandes centrais, como CUT e Força Sindical, atreladas aos governos ou aos patrões. Marca ainda a resiliência da entidade ao longo de já duas décadas, enfrentando diversas e difíceis conjunturas sem nunca abrir mão da independência de classe.
Crescimento
Foram credenciados 1.026 delegados e 299 observadores de todas as regiões, pontuando um crescimento diante do último congresso, em 2023, que contou com 949 delegados.
“Foram quase 1.400 ativistas do país inteiro, vindos do movimento sindical, popular, indígenas, quilombolas, movimentos de luta contra a opressão, que votaram um plano de lutas, com independência de classe”, afirmou Atnágoras Lopes, dirigente operário do PSTU e integrante do Bloco Classista Operário e Popular neste congresso. “Saímos daqui com um plano de lutas para enfrentar o governo Lula e manter ainda mais forte nosso combate implacável contra qualquer projeto da ultradireita”, relatou.
Para além do plano de lutas, a própria realização do congresso reafirmou o caráter independente da central. “Foi um esforço coletivo do país inteiro, com venda de rifas, campanhas financeiras, contribuições de sindicatos, o que possibilitou esse importante momento de fortalecimento da entidade que se mantém nesses vinte anos como alternativa de luta e independente para a classe trabalhadora”, definiu Atnágoras.
Internacionalismo
Um aspecto fundamental do congresso foi a reafirmação de seu caráter internacionalista, marca que a central também carrega nessas duas décadas de existência. “Tivemos a presença de quarenta ativistas de mais de dez países e expressamos toda a nossa solidariedade à luta do povo ucraniano, do povo cubano, iraniano, sem nos confundirmos com a defesa dos seus governos, além de dizer em alto e bom som: Palestina livre, do rio ao mar”, relatou Atnágoras.
Luta contra as opressões
Outro destaque do 6º Congresso foi a luta contra as opressões, em especial contra o feminicídio e a violência machista num momento em que o Brasil sofre uma epidemia de ataques às mulheres. “Reafirmamos aqui nossa exigência para que o governo Lula invista de verdade em política de proteção e apoio às mulheres, além de punição a agressores.” A luta contra o racismo e a lgbtifobia também foi reafirmada.
“Saímos daqui mais fortalecidos para, a partir do 1º de Maio, irmos às ruas em defesa das reivindicações dos trabalhadores, com independência de classe, enfrentando tanto o governo Lula quanto a extrema direita”, resumiu Atnágoras.
RAIO X
Números do 6º Congresso da CSP-Conlutas
Delegados e delegadas: 1.026
Observadores: 299
Delegação internacional: 37 de 19 países
Total (incluindo expositores e jornalistas): 1.500
Seminário sindical fortalece luta anti-imperialista

Um dia após o congresso, a Rede Sindical Internacional de Solidariedade e Lutas (International Labour Solidarity), da qual a CSP-Conlutas faz parte e impulsiona, realizou um seminário sindical anti-imperialista no Hotel San Raphael, no centro da capital paulista. “Aproveitamos a presença dessa representativa delegação internacional para debater um tema que, para nós, sempre foi fundamental”, explica Herbert Soares, representante da rede.
O seminário contou com 50 ativistas do Brasil e 31 representantes de 12 países diferentes. Além dos debates e trocas de experiência entre trabalhadores de diferentes países e continentes, o seminário contou com uma palestra de Gustavo Machado, do Ilaese, sobre a crise capitalista e a eclosão de uma nova ordem mundial diante das disputas interimperialistas e da concentração cada vez maior do capital nos monopólios capitalistas.
“A luta anti-imperialista sempre foi importante, mas ganhou um peso ainda maior recentemente, com os ataques dos EUA ao Irã, o ataque do Estado de Israel ao Líbano, o massacre palestino em Gaza, a invasão da Venezuela, o bloqueio a Cuba”, relatou. “É importante reforçar a luta anti-imperialista dentro do movimento sindical global, principalmente no interior da Rede, que busca fortalecer um sindicalismo independente, combativo e ligado à base, respeitando a democracia operária”, finalizou.