Juventude

Sobre os recentes ataques ocorridos nas escolas em São Paulo e Rio de Janeiro

Rebeldia - Juventude da Revolução Socialista

31 de março de 2023
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Marcos, do Rebeldia-SP

Os dois ataques a escolas ocorridos na última semana são expressões de uma falência da sociedade. Desde o Rebeldia, queremos expressar a nossa mais profunda solidariedade com as vítimas, seus familiares, colegas, professores, funcionários, e todos os envolvidos.

Não podemos olhar com normalidade o fato de que adolescentes de 13, 14 anos, se disponham a pegar em armas e assassinar seus colegas e professores. Essas tragédias são um marco que demonstram a situação que vivemos, com o avanço da ultradireita nas escolas e na sociedade, a proliferação de ideias machistas, racistas, LGBTfóbicas. São essas as notícias que vemos nos últimos tempos, de aumento do feminicídio, de casos de racismo, como da professora que recebeu uma esponja de alunos. Tudo isso amparado por uma pandemia, que retraiu a luta dos setores oprimidos, e pelo fortalecimento dos setores mais reacionários da sociedade, legitimizados e impulsionados pelo o que foi o governo de Bolsonaro. Lutar contra esse avanço da ultradireita nas escolas, entre os jovens, e na sociedade, tem que ser nossa primeira política frente aos fatos que ocorreram.

Porém, esse avanço da extrema direita e de suas ideologias é apenas uma parte do problema. Pois ele só se sustenta, só possui força, porque por trás dele temos a falência da sociedade capitalista e de suas instituições, incluindo aí o próprio projeto de educação vigente. Só podemos entender a situação em sua totalidade na combinação desses dois fatores, como expressão do avanço da barbárie do mundo em que vivemos, como uma marca do buraco sem saída em que se encontra a juventude.

Por um lado, o que temos é que a Educação no país é uma merda. Um espaço opressor e de repressão, em que o estudante é obrigado a frequentar para poder seguir alguma carreira e sobreviver no mundo. Por outro lado, a sociedade está em tal decadência que praticamente não há perspectivas para o jovem hoje. Se nossos pais puderam sonhar com um emprego melhor que nossos avós, nós sequer encontramos emprego. O próprio mundo está sob risco de um colapso, vivemos uma pandemia global que levou milhões de pessoas, e a destruição do meio ambiente caminha a passos largos.

O que mais pode explicar que jovens sejam ganhos para ações e ideias como essas? Que deem ouvidos à uma extrema direita asquerosa, e que busca avançar nas escolas e entre os jovens, tentando dar uma resposta às angústias que eles sentem? As saídas que a extrema direita oferecem são totalmente reacionárias, mas as angústias que os jovens sentem em nossa sociedade não. Inclusive, o tema do adoecimento mental da juventude não é secundário, e deu um salto durante a pandemia. Isso tudo é a base que permite que essas ideias ganhem peso, que a juventude seja ganha para ideias racistas, machistas, reacionárias. Uma escola e uma sociedade que adoecem jovens, estudantes, professores e trabalhadores. E governos cúmplices diante disso, que afirmam estar do nosso lado, mas na prática não levantam um dedo pra mudar essa situação. Pelo contrário, fazem a manutenção desse sistema e inclusive se aliam e alimentam os setores mais reacionários da sociedade.

Para impedir que esse tipo de coisa aconteça novamente, precisamos mudar tudo. A luta para destruir as influências da extrema direita e suas ideologias sobre os jovens tem que ser combinada com a discussão de um novo projeto de educação, que não seja opressor e repressivo, e meramente instrumento de formação de mão de obra. De aumentar o acesso à saúde pública, com acompanhamento psicológico em escolas e bairros, e fortalecendo o SUS. Tendo uma política de emprego para os jovens, para eles não se verem desamparados e sem condições de lutar para sobreviver. E organizar os setores oprimidos dentro das escolas e na sociedade, para levar adiante a conscientização da luta contra a opressão, mas também para organizar a auto defesa nas escolas, combinado com professores e funcionários, para impedir tragédias como essas.

Mas, acima de tudo, isso perpassa por discutir um outro tipo de sociedade. Pois enquanto a busca pelo lucro for a base de sustentação da sociedade, busca esta que leva o mundo à beira do colapso, a juventude está condenada ao adoecimento e à falta de perspectivas. O jovem não pode nem se render à barbárie capitalista, e nem voltar seus ouvidos pra extrema direita. Mas lutar por uma sociedade mais humana, em que se destruam as condições para que ocorram as tragédias como as que vimos.