Petroleiros preparam campanha para segundo semestre

Plano de cargos, Petros, teletrabalho e regime offshore na pauta de exigências ao RH da gestão Magda, no marco da permanente luta pela reestatização da Petrobras e fim dos leilões de petróleo

Redação
Petroleiros preparam campanha para segundo semestre
Greve dos trabalhadores terceirizados no Complexo Boaventura

Como afirma em seu comunicado,“diante da falta de compromisso da companhia com os seus trabalhadores, a FNP (Federação Nacional dos Petroleiros) convoca a categoria petroleira a construir um movimento unificado com calendário nacional de mobilizações”.Na pauta, plano de cargos, equacionamento da Petros, teletrabalho, regime e condições dooffshore, PLR, transição energética, reestatização, convocação do cadastro de reserva, terceirização, contratos precarizados, periculosidade e 14x21 – entre outros temas envolvendo ativos e aposentados, próprios e terceirizados, setor estatal e privado, além de concursados.

“A categoria não pode ficar parada esperando pelas eleições e por um novo governo. A empresa tem em mãos a proposta [de Plano de Cargos] unificada das duas federações (FNP e FUP) há mais de [um] ano”, segundo editorial do Sindipetro-RJ.

O sindicato também afirma que “a Petrobras não cumpre o que havia prometido na Comissão Quadripartite, que era a apresentação de uma proposta concreta para solucionar os equacionamentos. Essa promessa, inclusive, foi utilizada de forma demagógica pela FUP para justificar o fim da greve histórica de dezembro de 2025. Até o momento, o Fórum em Defesa dos Participantes da Petros informa que não há proposta consensual, e a companhia se recusa a divulgar o montante que irá dispor para pagar sua dívida com o PPSP-1”.

No mês de agosto acontecem seminários, congressos e assembleias nos sindicatos petroleiros, que culminarão com mobilizações de ativos e aposentados da estatal.

Imperialismo goleia Brasil

Se ainda valem trocadilhos com futebol, o governo e a alta administração da Petrobras são craques em dar bolada nas costas dos petroleiros.

A situação gera ainda mais revolta quando se escuta da própria presidente da empresa que o que mais interessa à companhia é a geração de lucros e o pagamento de dividendos a acionistas, como declarou recentemente Magda Chambriard, para estudantes de uma escola de negócios francesa.

Enquanto o país desce a ladeira da industrialização (saindo da 33ª posi­ção em 2024 para 69ª este ano, segundo o jornal O Globo), a Petrobras segue como grande exportadora de óleo cru, destina quantia insuficiente à transição energética e aponta a exploração de novas fronteiras em ritmo para atender os interesses do grande capital internacional, o que se comprova pela continuidade dos leilões de petróleo, inclusive na Margem Equatorial, isso tudo sem o governo sequer utilizar a lei da reciprocidade para combater minimamente o tarifaço de Trump.

Essa postura foi denunciada na greve petroleira do final de 2025 com o lema “+ACT, – Acionista!”.

“A cada resultado financeiro divulgado pela Petrobras, os grandes acionistas comemoram como se fosse um gol da seleção em final de Copa do Mundo. Basta olhar para o lucro líquido de 2025: R$ 110,1 bilhões (US$ 19,6 bilhões), um salto de 200% em relação a 2024 (R$ 36,6 bilhões). A euforia do mercado veio carimbada pelo pagamento de R$ 41,23 bilhões (US$ 8,02 bilhões) em dividendos.

Para o novo Plano de Negócios 2026-2030, a companhia projeta pagamentos potenciais de dividendos entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões. Embora a faixa máxima pareça ligeiramente inferior aos US$ 45-55 bilhões do plano anterior, a dinheirama representa impressionantes 56% a 62% do valor de mercado da empresa. Ou seja, a prioridade máxima continua sendo encher os bolsos de quem fica só de camarote. Assim, a gestão deixa bem claro para quem ela realmente joga”, denuncia o SindipetroRJ.

Mobilização nas plataformas de Búzios e no Complexo Boaventura mostram o caminho

Apostando que os petroleiros ficarão reféns do calendário eleitoral, a direção da empresa estica a corda. Se a categoria ainda não se levantou em um calendário nacional unificado por suas bandeiras mais gerais, entretanto, as recentes mobilizações no Rio de Janeiro, entre outras, são indícios de contratendência.

Foi o que mostraram os operários do Complexo Boaventura, em uma greve que conquistou reajuste salarial e vale-refeição e trouxe à tona a questão da periculosidade, tema que continua latente e pode determinar a retomada do movimento. Ou osoffshoredo Campo de Búzios, que, com uma paralisação de advertência nas permissões de trabalho, forçou a empresa fazer a avançar a solução de suas demandas.

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