Liberdade para Thiago Ávila e Saif, sequestrados e torturados pelo Estado de Israel

Redação
Liberdade para Thiago Ávila e Saif, sequestrados e torturados pelo Estado de Israel
Thiago Àvila e o espanhol-palestino Saif, na prisão de Shikma Reprodução

Após a interceptação ilegal de embarcações da Global Sumud Flotilha por forças militares israelenses em águas internacionais na costa da Grécia, o ativista brasileiro Thiago Ávila e o espanhol-palestino Saif Abu Kishk permanecem sequestrados e sob custódia ilegal pelo Estado sionista. Ambos foram transferidos à prisão de Shikma, na cidade de Ashkelon (a 20km de Gaza), a mais de 1 mil quilômetros de onde foram capturados.

A prisão de Shikma é conhecida pelos violentos abusos e torturas contra palestinos pelas forças de Israel. A princípio Thiago e Saif foram presos sob a justificativa de que passariam por um "interrogatório", mas a prisão, pedida até este domingo, foi prorrogada por dois dias pela justiça a pedido das forças israelenses, e pode se estender indefinidamente. O centro jurídico independente Adalah e embaixadores, que puderam se comunicar com Thiago (separados por uma barreira de vidro) constataram lesões e hematomas de torturas e agressões.

De acordo com relatos de Thiago, os ativistas, após serem sequestrados em águas europeias, foram separados dos demais membros da flotilha, que também sofreram torturas físicas e psicológicas, como relata Mandi Coelho. Thiago foi arrastado, espancado, tendo desmaiado duas vezes, e ameaçado de ser lançado em mar aberto durante o percurso. Soldados da marinha israelense ameaçaram ainda sua família no Brasil. Já na prisão de Gaza, Thiago e Saif permanecem incomunicáveis, e nem ao menos foram informados das razões da prisão, que primeiramente seria por "atividades ilegais" e, nas últimas horas, começaram a ser acusados de crimes mais grave como ligações com "grupos terroristas" (sem especificar quais grupos seriam esses).

O ativista brasileiro informou ter sido interrogado pela agência de inteligência Shabak, e posteriormente passaria por interrogatório do Mossad, a agência de espionagem ligada diretamente a Netanyahu e responsável por assassinatos em várias partes do mundo.

Thiago e Saif correm risco de vida

O brasileiro Thiago Ávila e o espanhol-palestino Saif estão correndo, neste momento, grave risco de vida. Não só por conta da conhecida violência e brutalidade com que as forças de Israel tratam seus opositores, mas por conta de uma conjuntura de aprofundamento das leis penais aprovadas recentemente pelo parlamento israelense, o Knesset, contra quem se opõe ao regime colonialista e genocida de Israel. No último dia 30 de março, o parlamento aprovou pena de morte por enforcamento a condenados por atividades "terroristas que atentem contra a existência de Israel". A pena deve ser aplicada no prazo de 90 dias após a condenação, e exclui cidadãos israelenses, mostrando o caráter racista deste Estado.

O que se tem por certo, por ora, é que Thiago e Saif estão presos ilegalmente, por tempo indeterminado, sem acusações concretas nem garantia de suas integridades físicas.

Vera Lúcia durante ato de 1º de maio em SP Foto: Maísa Mendes

Governo Lula deve ir além das palavras

A flotilha Sumud a Gaza foi ilegalmente interceptada pela marinha israelense na costa da Grécia, praticamente em águas europeias, com o sequestro, agressões e tortura de 180 membros. Foi mais uma ação ilegal realizada pelo Estado de Israel a mais de mil quilômetros de seu território. As embarcações levavam ajuda humanitária a Gaza, e não havia qualquer interesse ou disposição de se aproximar do "território de Israel".

Foi uma ação ilegal com a cumplicidade de países europeus, principalmente da Grécia. Agora, dois cidadãos estrangeiros, um brasileiro e um espanhol, encontram-se sequestrados pelo Estado sionista, e à mercê de toda sorte de abusos, ameaças, com a vida em xeque diante de uma força militar que não respeita qualquer ordenamento jurídico ou dispositivo internacional.

O governo Lula condenou formalmente o sequestro da Flotilha e a prisão de Thiago Ávila. Porém, é preciso que o governo acione todo o corpo diplomático para pressionar a libertação imediata de Thiago e Saif, tomando medidas concretas diante desse verdadeiro escândalo.

Na mesma semana que a flotilha foi sequestrada, uma família brasileira, incluindo uma criança, foi trucidada pelo Estado de Israel durante um bombardeio no sul do Líbano, em pleno cessar-fogo. Já passou da hora do governo brasileiro empreender todas as iniciativas a seu alcance para parar esse genocídio. Isso passa pelo fim de todos os acordos comerciais e militares com esse Estado terrorista, e a ruptura diplomática e de qualquer relação com Israel. Inclusive parar o envio de petróleo que abastecem a máquina de guerra sionista, redirecionando esse recurso a Cuba, cuja população padece do perverso bloqueio imperialista de Trump.

No momento, porém, é urgente toda a mobilização e pressão pela libertação de Thiago e Saif, já. Parlamentares, entidades de Direitos Humanos, e governos devem ser pressionados a exigir a imediata liberdade dos ativistas sequestrados.

Palestina livre, do rio ao mar

A Global Sumud Flotilla é uma ação humanitária, justa e legítima diante de um genocídio que ocorre aos olhos do mundo. A luta pela libertação de Thiago e Saif reforçam a mobilização internacional contra a limpeza étnica e o colonialismo perpetrados pelo Estado sionista há 78 anos na Palestina. É parte da luta por uma Palestina livre, do rio ao mar.

Recepção a Mandi Coelho nesta segunda, dia 4

Mandi Coelho, militante do PSTU e integrante da Flotilha sequestrada pelas forças do Estado de Israel, finalmente retornará ao Brasil. Após quase dois dias mantida sob custódia da marinha israelense, Mandi foi libertada, junto a outros 180 ativistas, na Grécia. Os ativistas relatam abusos, torturas e violência psicológica durante esse período.

Mandi chega ao Aeroporto de Guarulhos às 3h40 da manhã. Às 18h, ocorre uma recepção na Sede do PSTU-SP, na Rua Abolição 177, próximo ao metrô Anhagabaú.

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