No próximo 13 de maio, serão completados 132 anos da abolição formal feita pela princesa Isabel, no Brasil. Uma data envolta em cinismo já que, por um lado, tenta esconder a história de luta e resistência do povo negro e escravizados por mais de 380 anos no Brasil e, por outro, oculta que as classes dominantes aboliram a escravidão sem promover uma política de reparações ao nosso povo negro.
Uma história de lutas e rebeliões
A luta por liberdade e dignidade entre os negros arrancados do continente africano e escravizados no Brasil acontecia desde sua captura, comercialização e venda de suas vidas ainda em suas aldeias, povoados, vilas e estados de origem. Resistiam dentro dos navios negreiros aos tratamentos desumanos, onde muitos não sobreviviam e outros se negavam a chegar vivos por aqui para virar escravos.
E, quando do desembarque dos sobreviventes, a primeira tarefa era saber como se organizar, rebelar-se e constituir as mínimas condições humana nos quilombos ao redor das cidades e fazendas.
Essa resistência e luta que libertou mais de 80% dos negros escravizados antes do tal ato Abolicionista de uma branca monarca e servil aos senhores de engenho, cafeicultores e mineradores foi constituída de muitas vidas, suor e sangue negro.
A narrativa oficial do processo de escravidão no Brasil é o preâmbulo da constituição do racismo estrutural e pseudo sutil que se abate sobre a nossa classe. Reforça uma falsa narrativa de passividade dos negros escravizados e seus descendentes. Foi poetizada e contada muitas vezes por escritores comprometidos com a Coroa portuguesa e seus interesses comerciais.
É o caso de Gilberto Freyre, que discorreu em sua obra mais famosa, Casa Grande e Senzala, uma verdadeira fábula sem nenhuma conexão com a luta de classes, desconsiderando o protagonismo negro de negação absoluta de sua escravidão e exploração forçada, bem como, de suas revoltas, motins, organizados nas grandes cidades como a Balaiada, Vacinada, Revolta do Malês, Marujada e tantas outras que culminaram com a constituição de diversos quilombos de negros fugidos, alforriados e o povo pobre de cada localidade.
Essa foi a senha de nossa libertação, com muitas mortes e também ousadia revolucionária contra capitães do mato e seus jagunços a mando de seus sinhozinhos e coronéis. Inclusive, motivada diretamente pela Revolução Haitiana, onde o medo da burguesia era de no Brasil se tornar um novo Haiti: Revolucionário e Rebelde!
Saber a nossa história para mudar o nosso presente
É essa narrativa que a Secretaria de Negros e Negras do PSTU quer expor, debater e refletir nas elaborações políticas de nossa época. Ainda mais diante da pandemia da COVID-19 e da emergência de uma nova crise econômica capitalista.
Uma pandemia que afeta de forma desproporcional os negros e pobres daqui, e de todo o mundo. Uma catástrofe ligada diretamente à desigualdade social, racial e de gênero criada pelo mesmo sistema econômico que se alimentou da escravidão negra: o capitalismo. Revelando, portanto, a necessidade da luta por Reparações históricas ao povo negro da África, da América Latina, do Caribe e de todo o mundo.
Apresentaremos nas próximas semanas, uma série de textos contando a nossa história a partir de nossas mãos negras, quilombolas e libertas pelas lutas de Dandara, Zumbi e de tantos outros negros e negras rebeldes e revolucionários.






























